Sangrar Sem Gritar e a Mãe Que Escolhe a Aparência

1864 Words

A dor não veio como explosão. Veio como infiltração. Instalou-se aos poucos, ocupando espaços pequenos do corpo e da mente, até se tornar permanente. Não gritava. Não exigia atenção. Apenas existia, como uma presença constante que não se podia expulsar. Arthur achou que meu silêncio era submissão. Era adaptação. Os dias passaram em um ritmo estranho, quase calmo demais. Eu acordava cedo, fazia o que precisava ser feito, caminhava um pouco no jardim, lia relatórios, respondia mensagens do escritório. Tudo parecia funcional. Tudo parecia controlado. Por dentro, eu sangrava. Não sangue físico. Sangrava em camadas. Em memórias que insistiam em voltar. Em imagens que eu não convidava. Em pensamentos que não tinham mais a quem pedir ajuda. Arthur notava o cansaço, mas interpretava como f

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