Capítulo 8 GABRIELA NARRANDO A água do chuveiro estava pelando, mas eu não sentia o calor. Eu esfregava a minha pele com tanta força que os meus ombros e o meu peito já estavam num tom de vermelho vivo. As palavras dele, aquele rosnado baixo mandando eu tirar o "cheiro da rua", ecoavam na minha mente como um disco riscado. Eu me sentia suja, não pelo pagode, nem pelo cara que tentou me ganhar no papo, mas pela forma como o General olhou para mim. Como se eu fosse um objeto que alguém tinha encostado sem permissão. Saí do banho tremendo. O vapor enchia o banheiro, mas o frio vinha de dentro. Sequei o corpo rápido e vesti a primeira camisola que encontrei na gaveta do meu antigo quarto: uma de cetim preto, curta, de alcinha. Eu não escolhi essa peça para provocar. Escolhi porque era leve,

