Entre o Sangue e o Silêncio – O Despertar do Poder

1218 Words
O jardim lunar ainda resplandecia com a luz que tinha irradiado de Isla durante seu despertar. As árvores prateadas balançavam levemente, como se observassem, silenciosas e vigilantes. A noite estava calma, mas por trás daquela serenidade havia um presságio. Algo antigo, algo que se movia nas sombras, havia sentido o despertar da Rainha Prateada. Isla respirava fundo, tentando controlar a energia que ainda vibrava dentro dela. Cada batida de seu coração parecia pulsar na própria lua. Natasha estava ali, mas ainda distante — sua presença era um eco, uma sombra prateada que não conseguia se conectar totalmente. Isla estendeu a mão e tocou o espaço vazio, sentindo apenas o frio da distância. Lucian… — sua voz saiu trêmula, mas decidida — ela não responde mais como antes. É como se estivesse… diferente. Lucian estava ao seu lado, olhando cada nuance dela, cada movimento de energia. Seu toque era firme, mas contido. Ele podia sentir a força latente, mas sabia que qualquer ação precipitada poderia desestabilizar o vínculo e a própria transformação de Isla. Ela ainda está com você, Isla. — Ele disse com suavidade, mas com uma intensidade que queimava nos olhos dela — só não da forma que você espera. Mas juntas, vocês vão se reencontrar plenamente. A sensação de vulnerabilidade de Isla aumentou. Ela sentiu o poder dela crescer dentro de si, não controlável, quase como um animal selvagem tentando se libertar. O pulso da energia lunar subia, descendo até a ponta dos dedos. Cada respiração parecia carregar uma pequena tempestade. Eu não sei se consigo… — Isla murmurou. E se eu machucar alguém… ou Natasha… ou você… Lucian segurou seu rosto com firmeza, aproximando seus lábios do ouvido dela, a voz baixa e íntima: Você não vai machucar ninguém. Mas precisa confiar em si mesma… e confiar em mim. Sempre. A noite se aprofundou, e foi então que Rowena apareceu novamente. A anciã cega se movia com leveza, guiando-se apenas pela energia que ela sentia. Cada passo era silencioso, mas carregava autoridade e certeza. Isla, — disse Rowena, sua voz ecoando levemente, como se falasse do centro da própria lua — você deve aprender a controlar este poder. Ele não é destrutivo apenas fisicamente, mas também emocionalmente. Sem controle, você se tornará vulnerável. E não apenas você, mas tudo o que você ama. Isla respirou fundo, a luz prateada pulsando em sua pele. Ela podia sentir Natasha como uma presença distante, mas não conectada, uma sombra daquilo que eram juntas. Como faço para controlar algo que eu nem compreendo ainda? — Perguntou Isla, os olhos brilhando de uma mistura de medo e determinação. Através da disciplina e da conexão, — respondeu Rowena — não apenas com Natasha, mas com você mesma e com a energia que você carrega. Você não é apenas uma Alfa, não é apenas humana. Você é a Rainha Prateada. E isso exige sacrifício, paciência e coragem. Lucian respirou fundo, observando-a. Ele sabia que ela estava no limite de sua resistência emocional e física, mas também sabia que Isla possuía força que nem mesmo ela compreendia. Ele estendeu a mão, tocando suavemente a marca na clavícula dela. Cada vez que você se concentra, sente o poder, Isla, — disse ele — ele responde a você. Mas é necessário calma. Não deixe o medo controlar a força dentro de você. Rowena se aproximou, colocando as mãos sobre os ombros de Isla. Uma onda de energia fluiu da anciã para Isla, uma mistura de serenidade e intensidade, e algo começou a mudar dentro dela. Natasha, percebendo o fluxo, estendeu-se mentalmente, seu espírito ressoando com a energia que pulsava. Pela primeira vez desde o despertar, Isla sentiu a conexão real com sua loba, embora ainda fraca e distante. Ela está voltando para você, — disse Rowena — mas ainda é apenas o começo. O verdadeiro teste ainda está por vir. O vento no jardim se intensificou, soprando folhas prateadas e agitando os cabelos de Isla. Ela sentiu a presença de algo mais — uma sombra invisível espreitando além do castelo, como se os olhos de alguém a observassem, aguardando o momento certo para atacar. Lucian percebeu o mesmo. O olhar dele se estreitou, alerta, enquanto ele protegia Isla com uma postura que mesclava cuidado e prontidão. Isso não vai ser fácil. — Ele murmurou, apertando levemente a mão dela. A ameaça que sentimos é real. E ela não veio apenas pelo reino. Ela veio por você. Isla respirou fundo, tentando internalizar o que Rowena lhe disse, enquanto sentia Natasha se aproximar novamente, a energia da loba misturando-se à sua. Pela primeira vez desde o despertar, Isla percebeu que poderia realmente controlar, mesmo que parcialmente, a energia que agora fluía dentro de si. Eu não vou falhar, Lucian, — disse ela, a voz firme, mas carregada de emoção — Vou aprender a controlar este poder. Vou proteger todos que amo. Rowena assentiu, satisfeita, mas sua expressão permanecia grave. Lembre-se, cada ato de poder tem consequências. Não se trata apenas de controlar a força, mas de compreender o que ela pode atrair. Há aqueles que desejam este sangue, Isla. E eles não hesitarão em fazer qualquer coisa para possuir ou destruir o que você é. O coração de Isla disparou, mas ela não recuou. Em vez disso, respirou fundo, sentindo o poder dentro de si, reconhecendo a presença de Natasha, e estendeu a mão para Lucian. Ele a segurou com firmeza, oferecendo não apenas proteção, mas confiança. Então que venha o que for, — disse Isla... não tenho mais medo. Naquele instante, uma onda de energia escapou de seu corpo, visível mesmo a distância, iluminando o jardim lunar com tons de prata e azul. A luz pulsava como uma estrela viva, e mesmo Lucian sentiu o peso dessa força, como se uma tempestade estivesse prestes a se desencadear. Isso… — Lucian murmurou, olhos arregalados — …isso é apenas o começo. Rowena colocou as mãos sobre a cabeça de Isla, murmurando palavras antigas, quase esquecidas. O vento girou em torno delas, carregando a energia lunar, e a marca de Isla brilhou intensamente, agora visível a olho nu. Natasha finalmente respondeu, a presença da loba preenchendo o espaço, mas ainda como uma energia espiritual, refletindo a transformação que a companheira estava sofrendo. A verdadeira prova começará quando o mundo exterior sentir o que você é, — disse Rowena. Prepare-se, minha Rainha. O despertar não é apenas interno. Ele será observado, testado e desejado. Isla olhou para Lucian, que segurava suas mãos com firmeza. Ela sentiu pela primeira vez desde o despertar que, apesar do medo, não estava sozinha. A conexão entre eles era mais forte do que nunca, e a energia que pulsava dentro dela finalmente parecia estar em harmonia com Natasha, embora ainda imatura e instável. Estamos prontos, — disse ela, a voz firme e determinada — seja quem vier, seja o que vier, não vamos recuar. E naquela noite, sob a lua cheia que parecia mais próxima do que nunca, o castelo de Eryndor sentiu a força de uma Rainha Prateada despertar, anunciando o começo de uma nova era — uma era em que o poder antigo se misturava com a coragem, a lealdade e o amor. Mas, no horizonte, sombras começaram a se mover, silenciosas, observando, aguardando o momento certo. O teste de Isla apenas começava.
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