Mansão Cesur
A sala principal permanecia mergulhada num silêncio pesado.
Pillare, Meet, Mehola e Leyla aguardavam ansiosamente a chegada de Cesur.
Assim que o enorme portão da mansão se abriu, o som do motor ecoou pelo pátio.
Cesur entrou sozinho.
Antes de regressar, ele havia ordenado que Pillare, Meet e Leyla voltassem imediatamente para casa. Não queria ninguém à espera dele na empresa.
Agora, finalmente, estava diante deles.
Pillare levantou-se do sofá assim que ele entrou.
— Então…? Como correu?
Nenhuma resposta.
Cesur retirou lentamente o casaco, passou por todos sem sequer olhar e caminhou em direção ao enorme bar de madeira escura.
Meet cruzou os braços.
— Cesur… diz alguma coisa.
O silêncio prolongou-se durante alguns segundos.
Depois…
Cesur serviu um copo de whisky.
Girou lentamente o líquido dentro do copo.
Sorriu de lado.
Um sorriso frio.
Perigoso.
— O que acham?
Os três olharam para ele.
— Aquele velho babaca… é um completo t**o.
Pillare soltou uma pequena gargalhada.
Meet respirou aliviado.
— Então conseguiu…
Cesur bebeu um gole do whisky.
— Muito mais facilmente do que eu imaginava.
Leyla aproximou-se do bar.
Também serviu um copo.
— O coitado nem imagina o que acabou de fazer.
Meet completou:
— Oitenta por cento da empresa dele…
Ele sorriu.
— …é praticamente nossa agora.
Cesur permaneceu imóvel.
Os olhos voltaram-se para a enorme janela da sala, que dava para a floresta escura atrás da mansão.
Pillare aproximou-se lentamente.
— Acho que ele estava tão ocupado a tentar perceber quem tu eras… que nem reparou nos papéis que estava a assinar.
Mehola entregou uma taça de champanhe a Pillare.
Ela sorriu.
— Continua…
Pillare bebeu um pequeno gole.
— Ele acreditou que estava apenas a assinar o contrato da parceria…
Flashback.
Horas antes…
Sala de reuniões.
Pillare colocou vários documentos sobre a mesa.
— Senhor Hakan…
Ela sorriu educadamente.
— Estes são os documentos necessários para oficializar o acordo entre as duas empresas.
Sultan Hakan pegou na sua caneta.
Leu rapidamente a primeira página.
Depois a segunda.
Franziu ligeiramente o sobrolho.
Mas, distraído pelas constantes tentativas de perceber quem realmente era Cesur…
Assinou.
Uma página.
Outra.
Mais outra.
Até terminar todos os documentos.
Sem perceber.
Pillare ergueu discretamente os olhos.
Leyla olhou para ela.
As duas trocaram um pequeno sorriso.
Tudo tinha corrido exatamente como Cesur havia planeado.
Fim do flashback.
Mehola abanou a cabeça.
— Inacreditável…
Meet riu.
— O velho entregou a própria empresa pelas próprias mãos.
Pillare cruzou as pernas.
— Nunca pensei que fosse tão fácil.
Mas…
Cesur não sorriu.
Continuava parado diante da janela.
O olhar permanecia perdido na floresta.
Mehola foi o único que percebeu.
Ele conhecia Cesur melhor do que qualquer um naquela sala.
Aquilo…
Nunca foi sobre dinheiro.
Nunca foi sobre empresas.
Nunca foi sobre poder.
Era algo muito maior.
Muito mais sombrio.
Meet olhou para ele.
— Porque estás tão calado?
— Já conseguimos metade da empresa Hakan.
— Devias estar a celebrar.
Pillare concordou.
— Sim.
— Finalmente vencemos.
Cesur virou-se lentamente.
Os olhos estavam completamente frios.
— Eu nunca quis o dinheiro daquele homem.
Os três ficaram em silêncio.
Cesur continuou:
— Nunca quis a empresa dele.
Levantou o copo.
Observou o whisky.
— Quero algo muito mais precioso.
A voz tornou-se ainda mais baixa.
— Quero destruir a paz dele.
Outro silêncio.
— Quero destruir a felicidade dele.
Os olhos escureceram.
— Quero tirar dele…
Ele apertou o copo.
— …aquilo que ele mais ama neste mundo.
Leyla olhou imediatamente para Pillare.
As duas trocaram um olhar.
Pillare perguntou:
— Qual é exatamente o teu plano?
Cesur caminhou lentamente pela sala.
— Ainda não.
— Primeiro…
Ele sorriu.
— Sultan vai confiar completamente em mim.
— Vai acreditar que sou um aliado.
— Vai abrir todas as portas da vida dele.
Fez uma pausa.
Depois concluiu:
— E quando isso acontecer…
— Vou tirar-lhe o único diamante que lhe resta.
Todos compreenderam imediatamente.
Só existia uma pessoa que Sultan Hakan amava acima de tudo.
Alina Hakan.
A única filha.
O seu maior orgulho.
A sua maior fraqueza.
O silêncio voltou a dominar a sala.
Mansão Hakan
A noite já tinha caído.
O enorme jardim permanecia iluminado apenas pelas pequenas luzes espalhadas entre as árvores.
Alina caminhava lentamente pelo jardim.
Vestia um pijama leve.
Os pés descalços tocavam a relva húmida.
Parou junto ao velho banco onde costumava sentar-se com a mãe.
Desde pequena.
Sempre que queria sentir-se próxima dela…
Ia até aquele lugar.
Nunca chegou a esquecer o perfume da mãe.
Nem o som da sua voz.
Nem o calor do abraço.
Por alguma razão…
Naquele jardim…
Ela ainda conseguia sentir tudo isso.
Sentou-se lentamente.
Ficou apenas a observar as flores.
O vento soprou suavemente.
De repente…
Ela sentiu uma presença.
Mesmo sem olhar…
Sabia exatamente quem era.
Virou lentamente a cabeça.
— Pai…
Sultan aproximou-se.
Sorriu.
— Há quanto tempo não te encontrava aqui…
Sentou-se ao lado dela.
— Como estás?
Alina sorriu de forma fraca.
— Bem…
Sultan conhecia demasiado bem aquela resposta.
— Estás a pensar nela outra vez.
Não era uma pergunta.
Alina baixou os olhos.
— Sim…
— Não há um único dia em que eu não pense na mamã.
Sultan sentiu o coração apertar.
Também lhe doía.
Todos os dias.
Mas nunca demonstrava.
Porque precisava continuar forte…
Por ela.
Passou delicadamente a mão pelos cabelos da filha.
Ela apoiou a cabeça no peito dele.
Ficaram em silêncio durante alguns minutos.
O silêncio entre os dois nunca era desconfortável.
Era paz.
Depois de algum tempo…
Sultan perguntou:
— Pensei que hoje ias jantar com o Osvaldo.
Alina sorriu.
— Ia…
— Mas passei a tarde toda com a Asly.
— Acabámos por esquecer as horas.
Sultan sorriu.
— Ainda bem.
Novo silêncio.
Depois…
Alina levantou lentamente a cabeça.
Olhou diretamente para o pai.
— Pai…
— Sim?
Ela hesitou.
— O senhor confia mesmo naquele homem?
Sultan permaneceu calado.
Foi a primeira vez que Alina não o chamou de “senhor Cesur”.
Chamou apenas…
Cesur.
— Ele parece uma boa pessoa…
— Mas…
Ela desviou o olhar.
— Há qualquer coisa nele…
— Que me deixa desconfortável.
Sultan observou a filha durante alguns segundos.
Depois respondeu calmamente:
— Talvez seja apenas impressão tua.
Alina mordeu discretamente o lábio.
— Talvez…
Mas continuava sem acreditar.
Havia algo em Cesur.
Algo que ela não conseguia explicar.
Mas sentia.
Sultan mudou rapidamente de assunto.
— Ouvi dizer que conhecias a advogada dele.
Alina congelou por um instante.
Baixou os olhos.
— Sim…
— Foi quando eu fui…
Antes que pudesse terminar…
Dunaz apareceu.
— Senhor Hakan…
— O jantar está servido.
Sultan levantou-se.
— Obrigado, Dunaz.
Depois olhou para Alina.
— Não vou jantar em casa esta noite.
Alina apenas assentiu.
Não perguntou para onde iria.
Nem com quem.
Talvez…
Porque já sabia a resposta.
Ela levantou-se.
Deu um beijo na face do pai.
— Boa noite.
— Boa noite, filha.
Enquanto Sultan saía da mansão…
Nem imaginava…
Que, ao esconder a verdade da filha…
Estava exatamente a facilitar o plano de Cesur.