Sala de Reuniões
Todos estavam sentados.
O silêncio pesava na sala.
Os olhares discretos eram muitos.
Mas Cesur continuava exatamente igual.
Frio.
Calmo.
Calculista.
E perigosamente tranquilo.
Durante toda a reunião, Alina não desviava os olhos dele.
Observava-o atentamente.
A vontade dela era descobrir o que aquele homem realmente escondia.
Cesur percebia cada segundo daquele olhar.
Pensamento de Cesur:
“Continua a olhar para mim assim… vais acabar por abrir todas as portas para mim, querida.”
Por dentro, um leve sorriso surgia.
Por fora…
Continuava inexpressivo.
Cesur apoiou um dedo junto ao queixo, sem sequer olhar para Alina.
Sultan observou a sala.
— Bem… podemos conversar.
Matias voltou a levantar-se para apresentar mais alguns detalhes.
— Não.
A voz de Cesur cortou a sala.
Todos olharam para ele.
— A minha assistente fará isso.
Sultan permaneceu alguns segundos em silêncio.
Cesur nem sequer olhou para ele.
— Senhor Cesur… quer perguntar alguma coisa?
Finalmente, Cesur virou o rosto.
— O senhor quer perguntar algo?
— Não.
Cesur voltou a olhar para a direita.
A apresentação terminou.
Durante um instante, o silêncio voltou a dominar a sala.
Logo depois…
Os aplausos começaram.
— Uau… senhor Cesur, o projeto é incrível. Gostei muito.
Cesur apenas fez um pequeno aceno de cabeça.
Os murmúrios espalharam-se pela sala.
Enquanto todos comentavam o projeto, Cesur voltou a observar o ambiente.
Não estava a analisar as pessoas.
Estava a analisar a empresa.
Ou melhor…
A empresa que Sultan acreditava controlar.
Sultan percebeu aquele olhar.
— Pelo visto… gostou da sala de reuniões?
Cesur respondeu sem hesitar.
— Sim.
Fez uma breve pausa.
— Parece misteriosa…
Olhou diretamente para Sultan.
— Mais sombria.
Silêncio.
— Parece esconder muitos segredos.
Sultan arqueou ligeiramente as sobrancelhas.
— Segredos?
— Como assim?
Cesur sustentou o olhar dele durante alguns segundos.
Um olhar pesado.
Intenso.
Depois inclinou-se discretamente para a frente.
Aproximou a cadeira apenas o suficiente para que apenas Sultan o ouvisse.
— Sei lá…
Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios.
— É o senhor quem me deve dizer.
Silêncio.
Os dois permaneceram a encarar-se.
Nenhum desviava o olhar.
Cesur recostou-se novamente.
— Tenho a certeza de que nesta sala já aconteceram reuniões importantes…
Grandes negócios.
Projetos milionários.
Foi daqui que a empresa Hakan conseguiu chegar onde está hoje.
Sultan não respondeu.
Não porque lhe faltassem palavras.
Mas porque queria ouvir mais.
Queria perceber como Cesur funcionava.
E Cesur sabia exatamente disso.
Voltou a cruzar as mãos sobre a mesa.
— Um dia…
Gostaria que o senhor me contasse como construiu uma fortuna tão grande.
Sultan engoliu em seco.
Mas manteve-se firme.
Toda a sala voltou a olhar para os dois.
— Claro.
Sorriu.
Um sorriso elegante…
Mas completamente falso.
— Afinal, o senhor merece saber.
É o nosso maior investidor.
Os dois voltaram a olhar-se.
Naquele momento…
Já não era apenas uma conversa de negócios.
Era uma guerra silenciosa.
Uma batalha de inteligência.
Sultan levantou-se.
— Acho que a reunião terminou.
Depois olhou para todos.
— Gostaria de ter um momento a sós com o nosso novo investidor.
Cesur foi o primeiro a levantar-se.
Toda a equipa fez o mesmo.
Ele apenas acenou ligeiramente para Sultan.
— Sem problema.
Alina também se levantou.
— Pai, vejo-te em casa.
Tenho algumas coisas para resolver na LXL.
— Está bem, Diamante.
Antes de sair, Alina aproximou-se de Pillare.
Estendeu-lhe a mão com elegância.
— Foi um prazer revê-la.
Pillare sorriu.
— Obrigada, senhora Hakan.
Sultan franziu ligeiramente a testa.
“Revê-la?”
Mas decidiu não perguntar nada.
Ainda.
Alina lançou um último olhar para Cesur.
Desta vez…
Foi ele quem a observava calmamente.
Sem piscar.
Ela desviou imediatamente o olhar.
Depois olhou para Leyla e Meet.
Virou-se em direção à porta.
Mas, antes que saísse…
Osvaldo chamou-a.
— Espera.
Eu levo-te.
Ela abanou a cabeça.
— Não precisa.
A gente vê-se mais tarde.
E saiu da sala.