Cap 6 — A Calma Antes da Tempestade

896 Words
O sol acabava de nascer. Os primeiros raios iluminavam a majestosa Mansão Hakan, enquanto os empregados caminhavam de um lado para o outro, preparando tudo com perfeição. Sim… Porque o grande Sultan Hakan tinha regressado. E todos sabiam que ele gostava de tudo impecável, até mesmo de um simples pequeno-almoço. ⸻ Alina Hakan já estava acordada, mas permanecia deitada na cama. De repente… A porta abriu-se. BUM! BUM! BUM! Um enorme barulho invadiu o quarto. — Merda! Azul! Sai daqui agora! Azul começou imediatamente a correr por todo o quarto. Alina levantou-se e começou a persegui-la. — Vem aqui, sua desgraçada! Hoje eu apanho-te! Azul colocou a mão no peito, fazendo uma expressão dramática. — Não tens vergonha de perseguir uma menina de dezoito anos? Alina revirou os olhos. — Menina de dezoito anos? Que Deus me ajude… Tu és insuportável! Azul sorriu. — Ah… mas tu amas-me assim. Alina fingiu pensar durante alguns segundos. — Eu? Azul abriu os braços. — Anda cá… dá-me um abraço. As duas abraçaram-se. — Amo-te. — Eu também te amo. Azul era filha da governanta da Mansão Hakan. Mas, para Alina… Era muito mais do que isso. Era a irmã mais nova que a vida lhe tinha dado. As duas tinham uma ligação verdadeira. Porque nem sempre é o sangue que cria uma família. Às vezes… É o amor. O respeito. O carinho. A consideração. Desde a morte da mãe de Alina, a mãe de Azul tinha cuidado dela como se fosse uma filha. Uma ferida que Alina nunca conseguiu superar. Por isso, tinha uma enorme consideração por aquela mulher, a quem chamava carinhosamente de Mamã. Azul afastou-se e sorriu. — Devias tomar banho depressa e descer para o café da manhã, irmãzinha. — Calma… Pelo menos deixa-me escovar os dentes primeiro. — Está bem, maninha. Ela saiu do quarto. Alina ficou a observá-la partir com um pequeno sorriso nos lábios. ⸻ Depois de tomar banho e preparar-se, desceu para o café da manhã. Sultan Hakan já estava sentado à mesa. Ao lado dele estavam Malve e Miguel, primo de Alina. — Bom dia. — Bom dia. Responderam todos. Miguel olhou para ela. — Hoje não vais para a empresa? Estás vestida de forma casual. Alina sorriu. — Não. Vou visitar a mãe do Osvaldo. Trouxe algumas flores para ela. Malve cruzou os braços. — Ainda estás a tentar agradar aquela mulher? — Tia… por favor. — Só estou a ser gentil. — Mas tu sabes perfeitamente que ela não gosta de ti. Alina suspirou. — Pelo menos nunca demonstrou isso. O silêncio tomou conta da mesa. Depois de alguns minutos, Sultan levantou-se. — Preciso de sair. Olhou para Malve. — E tenta controlar essa tua língua. Depois aproximou-se da filha e deu-lhe um beijo carinhoso na cabeça. Malve revirou os olhos. — Mas eu só disse a verdade… Alina levantou-se. — Eu também preciso de ir. Hoje será um dia longo. Vejo-vos esta noite. — Não chegues tarde à festa. Disse Malve. — Ah… tia… Ela sorriu e saiu da sala. Miguel olhou para a mãe. — Mãe… porque é que nunca consegues controlar essa boca? Malve arregalou os olhos. — O quê?! É assim que falas com a tua mãe? Inacreditável! Ela levantou-se e saiu da sala. Miguel suspirou. — Que mãe mais chata… Cesur Demir Mehola entrou lentamente na sala de treino. Cesur Demir levantava pesos enquanto o suor escorria pelo seu corpo. O silêncio era interrompido apenas pelo som dos halteres. — Hoje finalmente ficarás frente a frente com ele. Cesur continuou o treino sem responder. Mehola sorriu. — Não estás ansioso? Cesur parou imediatamente. Virou-se devagar. O olhar… Frio. Pesado. Assustador. Ele aproximou-se de Mehola até ficar a poucos centímetros dele. — Ansioso? Repetiu em voz baixa. — São os fracos que ficam ansiosos. Pegou numa pequena bola de borracha que estava sobre um banco. Caminhou até à enorme janela da sala de treino. Observou a floresta durante alguns segundos. Depois apertou lentamente a bola na mão. — Um bom atirador… Espera. Espera até que a vítima se coloque exatamente onde ele quer. Até que baixe completamente a guarda. Até acreditar que está segura. E você a tira! Ele lançou a bola com força contra Mehola. A bola acertou-lhe no peito. — Ai! Isso doeu! Cesur ignorou completamente a reclamação. Continuou a olhar pela janela. Mehola esfregou o peito. — Ouvi dizer que Sultan Hakan ficou furioso quando soube que venderam a propriedade. Segundo ele… Essa propriedade era muito especial. Chamava-lhe… Sultien. Cesur permaneceu em silêncio. Depois repetiu lentamente. — Sultien… Um pequeno sorriso surgiu no canto da boca. — Então significava muito para ele… — Pelo visto, sim. Infelizmente. — E qual será o próximo passo? Perguntou Mehola. Cesur soltou uma pequena gargalhada. Curta. Fria. Perigosa. — Nenhum. Silêncio. Um segundo. Dois. Três. — Porque agora… Tudo virá até mim. Mehola franziu a testa. — Como assim? Cesur virou-se para ele. — Saberás dentro de algumas horas. Fez uma pausa. — Falaste com William? — Sim. Está tudo preparado. Mehola sorriu. — Perfeito. Cesur pegou numa toalha e limpou o rosto. — Agora… Preciso de adrenalina. Sem dizer mais nada, saiu da sala de treino. Correu em direção à floresta. Em poucos segundos desapareceu entre as árvores. Mehola permaneceu parado, observando-o. Depois sorriu sozinho. — Ainda tenho muito para aprender com o Cesur…
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