O sol acabava de nascer.
Os primeiros raios iluminavam a majestosa Mansão Hakan, enquanto os empregados caminhavam de um lado para o outro, preparando tudo com perfeição.
Sim…
Porque o grande Sultan Hakan tinha regressado.
E todos sabiam que ele gostava de tudo impecável, até mesmo de um simples pequeno-almoço.
⸻
Alina Hakan já estava acordada, mas permanecia deitada na cama.
De repente…
A porta abriu-se.
BUM! BUM! BUM!
Um enorme barulho invadiu o quarto.
— Merda! Azul! Sai daqui agora!
Azul começou imediatamente a correr por todo o quarto.
Alina levantou-se e começou a persegui-la.
— Vem aqui, sua desgraçada! Hoje eu apanho-te!
Azul colocou a mão no peito, fazendo uma expressão dramática.
— Não tens vergonha de perseguir uma menina de dezoito anos?
Alina revirou os olhos.
— Menina de dezoito anos? Que Deus me ajude… Tu és insuportável!
Azul sorriu.
— Ah… mas tu amas-me assim.
Alina fingiu pensar durante alguns segundos.
— Eu?
Azul abriu os braços.
— Anda cá… dá-me um abraço.
As duas abraçaram-se.
— Amo-te.
— Eu também te amo.
Azul era filha da governanta da Mansão Hakan.
Mas, para Alina…
Era muito mais do que isso.
Era a irmã mais nova que a vida lhe tinha dado.
As duas tinham uma ligação verdadeira.
Porque nem sempre é o sangue que cria uma família.
Às vezes…
É o amor.
O respeito.
O carinho.
A consideração.
Desde a morte da mãe de Alina, a mãe de Azul tinha cuidado dela como se fosse uma filha.
Uma ferida que Alina nunca conseguiu superar.
Por isso, tinha uma enorme consideração por aquela mulher, a quem chamava carinhosamente de Mamã.
Azul afastou-se e sorriu.
— Devias tomar banho depressa e descer para o café da manhã, irmãzinha.
— Calma… Pelo menos deixa-me escovar os dentes primeiro.
— Está bem, maninha.
Ela saiu do quarto.
Alina ficou a observá-la partir com um pequeno sorriso nos lábios.
⸻
Depois de tomar banho e preparar-se, desceu para o café da manhã.
Sultan Hakan já estava sentado à mesa.
Ao lado dele estavam Malve e Miguel, primo de Alina.
— Bom dia.
— Bom dia.
Responderam todos.
Miguel olhou para ela.
— Hoje não vais para a empresa? Estás vestida de forma casual.
Alina sorriu.
— Não. Vou visitar a mãe do Osvaldo. Trouxe algumas flores para ela.
Malve cruzou os braços.
— Ainda estás a tentar agradar aquela mulher?
— Tia… por favor.
— Só estou a ser gentil.
— Mas tu sabes perfeitamente que ela não gosta de ti.
Alina suspirou.
— Pelo menos nunca demonstrou isso.
O silêncio tomou conta da mesa.
Depois de alguns minutos, Sultan levantou-se.
— Preciso de sair.
Olhou para Malve.
— E tenta controlar essa tua língua.
Depois aproximou-se da filha e deu-lhe um beijo carinhoso na cabeça.
Malve revirou os olhos.
— Mas eu só disse a verdade…
Alina levantou-se.
— Eu também preciso de ir.
Hoje será um dia longo.
Vejo-vos esta noite.
— Não chegues tarde à festa.
Disse Malve.
— Ah… tia…
Ela sorriu e saiu da sala.
Miguel olhou para a mãe.
— Mãe… porque é que nunca consegues controlar essa boca?
Malve arregalou os olhos.
— O quê?!
É assim que falas com a tua mãe?
Inacreditável!
Ela levantou-se e saiu da sala.
Miguel suspirou.
— Que mãe mais chata…
Cesur Demir
Mehola entrou lentamente na sala de treino.
Cesur Demir levantava pesos enquanto o suor escorria pelo seu corpo. O silêncio era interrompido apenas pelo som dos halteres.
— Hoje finalmente ficarás frente a frente com ele.
Cesur continuou o treino sem responder.
Mehola sorriu.
— Não estás ansioso?
Cesur parou imediatamente.
Virou-se devagar.
O olhar…
Frio.
Pesado.
Assustador.
Ele aproximou-se de Mehola até ficar a poucos centímetros dele.
— Ansioso?
Repetiu em voz baixa.
— São os fracos que ficam ansiosos.
Pegou numa pequena bola de borracha que estava sobre um banco.
Caminhou até à enorme janela da sala de treino.
Observou a floresta durante alguns segundos.
Depois apertou lentamente a bola na mão.
— Um bom atirador…
Espera.
Espera até que a vítima se coloque exatamente onde ele quer.
Até que baixe completamente a guarda.
Até acreditar que está segura.
E você a tira!
Ele lançou a bola com força contra Mehola.
A bola acertou-lhe no peito.
— Ai!
Isso doeu!
Cesur ignorou completamente a reclamação.
Continuou a olhar pela janela.
Mehola esfregou o peito.
— Ouvi dizer que Sultan Hakan ficou furioso quando soube que venderam a propriedade.
Segundo ele…
Essa propriedade era muito especial.
Chamava-lhe…
Sultien.
Cesur permaneceu em silêncio.
Depois repetiu lentamente.
— Sultien…
Um pequeno sorriso surgiu no canto da boca.
— Então significava muito para ele…
— Pelo visto, sim.
Infelizmente.
— E qual será o próximo passo?
Perguntou Mehola.
Cesur soltou uma pequena gargalhada.
Curta.
Fria.
Perigosa.
— Nenhum.
Silêncio.
Um segundo.
Dois.
Três.
— Porque agora…
Tudo virá até mim.
Mehola franziu a testa.
— Como assim?
Cesur virou-se para ele.
— Saberás dentro de algumas horas.
Fez uma pausa.
— Falaste com William?
— Sim.
Está tudo preparado.
Mehola sorriu.
— Perfeito.
Cesur pegou numa toalha e limpou o rosto.
— Agora…
Preciso de adrenalina.
Sem dizer mais nada, saiu da sala de treino.
Correu em direção à floresta.
Em poucos segundos desapareceu entre as árvores.
Mehola permaneceu parado, observando-o.
Depois sorriu sozinho.
— Ainda tenho muito para aprender com o Cesur…