Capítulo 5

1119 Words
Flávia encontrava-se em uma pequena sala, sem janelas, onde havia apenas duas cadeiras. A única passagem de acesso, uma porta, que dava para um corredor escuro, foi aberta por Heitor, que adentrou acompanhado por um rapaz, que tinha a sua cabeça coberta por um capuz. Flávia acenou com a cabeça, Heitor retirou o capuz, acomodando o indivíduo na cadeira que estava vazia, de frente para Flávia, que se sentou na cadeira que ficava de costas para a porta. - Pode aguarda do lado de fora, só entre se eu o chamar! - Sim, senhora! – Heitor saiu fechando a porta. - Senhora, eu não fiz nada! – Disse o rapaz assustado. - O que você descobriu? - Nada, eu não descobri nada, senhora! - Veja bem, sejamos francos, eu estou pagando muito bem pelo seu trabalho. Você não serve para nada, se não descobrir o que eu quero saber. Portanto, encontre uma maneira de descobrir o que o Neco e o “Patrão” estão tramando. Não quero ser surpreendida. - Faz mais de um mês que o “Patrão não aparece! Acredite em mim, não tem como descobrir algo assim. - Escolhi você por ser inteligente, e ter ótima posição dentro do contexto estrutural do trabalho, não me obrigue a fazê-lo sumir repentinamente! - Eu não estou enganando a senhora! E para ser sincero, acho que o Neco também não! Depois da chegada do novo olheiro, o “Patrão” não apareceu mais. Flávia franziu a testa, movendo apenas os seus olhos para baixo, fixando o seu olhar nos pés do rapaz, que os encolhe rapidamente, sentindo um arrepio. - Você está me dizendo, que, desde a chegada do Pombo, o “Patrão” não encontrou mais o Neco? - Isso mesmo, senhora! - Estranho! Mas como eu disse. Você é inteligente, descubra qual a ligação dos dois. - Do “Patrão” e do Pombo? - Sim, exatamente isso. Parece-me muito suspeito. Você não concorda? - Agora que a senhora falou, sim. Sinistro isso. Levando em conta, que o antigo olheiro foi dispensado pelo “Patrão”. Flávia encarou-o aparentando ter ficado brava. - Por que me omitiu uma informação como essa? Sabe o quanto isso pode ser arriscado para nossa organização, caso o “Patrão” desconfie da minha existência? Achei que você fosse mais inteligente? - Aí! Deixa comigo, senhora. Irei arrancar tudo que o Pombo sabe, falou, ou, pensou em fala. Relaxa! - Flávia levantou-se, andou até a porta. – Senhora, por favor, deixe passar essa. – Falou o rapaz ainda mais assustado. – Prometo que não vou mais dormir no ponto! Flávia deu leves batinas à porta, que foi aberta vagarosamente, enquanto o rapaz implorava para que ela não fizesse nada. Heitor entrou. - Como foi o seu primeiro erro em todo esse tempo que está trabalhando para mim, irei poupá-lo, mas... – ela virou-se, andou até o rapaz que continuava sentado, se abaixou, quase encostando seu rosto ao dele, fitou profundamente os seus olhos. – Que fique bem claro! Isso não será perdoado novamente, se você cometer mais um erro, por menor que seja, irá pagar muito caro! O rapaz ajoelhou-se aos pés de Flávia. – Obrigado, senhora! Eu juro que não vou mais errar! Ela fez um gesto com a cabeça para Heitor levá-lo. - Levante-se e me acompanhe, coloque isso na cabeça. Heitor entregou o capuz para o rapaz, que o colocou na sua cabeça. Flávia esperou o retorno de Heitor para subir para a clínica. - Aguarde-me no carro, apenas irei buscar a minha agenda. - Sim, senhora! Mas preciso informá-la que o senhor Samuel, ligou para seu celular. – Heitor falou esticando a mão entregando o telefone para Flávia. - Você não o desligou? - Desculpe, senhora! Eu apenas percebi que o seu celular estava no carro, quando ele tocou. Perdoe a minha falha. - Está bem, irei inventar uma desculpa para não o ter atendido. - Pode dizer que a culpa foi minha, senhora! Que eu não o entreguei quando desceu. - Não se preocupe com isso. Não será um problema para mim, pois posso ter deixado no silencioso, devido aos atendimentos no hospital. Você tem outras questões para se preocupar. Mande cuidar de um “Pombo”, que anda voando baixo! - Sim, eu irei preparar uma gaiola para conter esse “Pombo”. - Eu sei que irá resolver essa situação, sem alarde! Flávia dirigiu-se até o consultório de Samuel assim que adentrou na clínica, sem ao menos ouvir o que sua secretária estava falando. Ela bateu à porta, entreabrindo-a. Samuel olhou-a muito sério, pois estava atendendo o prefeito do município vizinho. Ela sorriu, desculpando-se. - Entre, querida! Deixe-me apresentá-la. – Samuel fez um gesto com a mão para Flávia entrar. – Esse é o senhor Miguel Dantes, o atual prefeito de Salinton. Educadamente ela estendeu a sua delicada mão, para ser discretamente cortejada com um beijo no dorso da sua mão. - Muito prazer em conhecê-lo. Desculpe-me a minha falta de educação, achei que o meu marido estava sozinho em seu consultório, apenas vim dizer que acabei de chegar do hospital. Mas terei que sair novamente com uma certa urgência, apenas vim buscar um bloco de receituário, pois o meu acabou e só percebi quando necessitei hoje. Não quero atrapalhar, com licença. Flávia saiu, se dirigindo ao seu consultório logo em seguida. Abriu o seu cofre escondido e pegou uma pequena garrafa de vidro, contendo um líquido transparente, enrolou em um lenço, acomodando-o no fundo da sua bolsa escondendo-o com a sua agenda, posta propositalmente em cima. Heitor ligou o carro assim que avistou Flávia saindo do elevador, abriu a porta esticando a mão para ajudá-la a acordar-se no banco. Nem bem entrou, olhou-a pelo espelho retrovisor. - Tudo resolvido, senhora! Flávia esboçou um meio sorriso de lado, acentuando o brilho em seus lindos olhos castanhos expressivos. - Preciso entregar uma receita médica na farmácia. Heitor acenou com a cabeça, confirmando que havia entendido. Flávia rabiscou algumas linhas em um papel, entregando para Heitor, que entrou na farmácia se dirigindo até o fundo, onde um senhor de baixa estatura, um pouco acima do peso o recebeu, esticando a sua mão para pegar o papel. Ele entrou, logo em seguida, saiu sendo seguido por uma bela moça, que sorriu ao avistar Heitor. - Amanhã você pode vir buscar a medicação. – Ela falou entregando um papel rabiscado para ele, que dobrou e colocou no bolso do seu terno. Heitor entrou no carro, enfiou a mão no bolso, tirando o papel, entregando-o para Flávia. - Leve-me para minha residência! - Precisa passar em algum lugar antes? - Não, hoje não! - Sim, senhora!
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