Dona estava subindo o acesso, ao se deparar com uma moça que carregava uma criança, aparentando estar com febre alta. Dona parou, interrompendo-a.
- Você é a mãe dessa criança?
- Sim, estou indo pegar o ônibus para levá-la ao hospital.
Dona tirou os seus óculos escuros, pegando um papel e uma caneta da sua bolsa, logo após colocar os seus óculos na cabeça. Rabiscou algumas palavras quase ilegíveis, entregou o papel à moça, e sem ao menos examinar criança, ela ordenou:
- Desça pela lateral esquerda, você verá um carro preto parado, vá até ele, entregue esse papel ao motorista, que lhe dará a medicação necessária para que a criança melhore. Não tem necessidade de ir ao hospital, siga corretamente o que ele irá escrever nas caixas, em três dias, a criança já estará correndo na rua, porém, continue o tratamento até o fim.
Dona virou as costas e seguiu subindo, sem dar tempo de agradecimentos. Sendo avistada por Pombo, que informou sem demora sua presença aos seu superior, Camal, que veio ao encontro de Dona.
- O Neco está esperando a senhora.
- Obrigada, pode ir, seguirei o restante do caminho sozinha.
Ela entrou reparando que Neco havia modificado algumas coisas dentro do barraco
- O que aconteceu aqui?
- Oi, minha Dona! Eu mandei limpar e arrumar para esperar você! Até comprei flores para decorar, sei que você gosta dessas parada aí!
Dona conteve um sorriso.
- Ficou bom! Seu tempo acabou, quero ver o livro caixa.
Neco entregou-o a Dona, que examinou com cuidado todas as anotações feitas, inclusive as correções. Ela encarou-o com um ar de satisfeita. Tirou os óculos da sua cabeça, largando em cima da escrivaninha.
- O que o “Patrão" falou sobre as suas anotações.
- Ele não viu, não! Nem sabe que eu o desobedeci.
- Arranje outro caderno igual, e faça conforme ele quer, mas mantenha esse atualizado, com todos os detalhes, o que chega, o que sai. Todos os valores, sem exceção. Quero que coloque até quanto tempo cada colaborador está em serviço.
- Sim. Irei fazer tudo ao seu gosto, Dona! Agora, eu mereço mais que um agradecimento.
- Antes, que quero o lucro das atividades. Negócios antes do prazer!
Neco esticou a mão, arrancando uma taboa do forro, de onde tirou uma caixa de sapatos. Dona ficou observando, imaginado ser uma caixa muito pequena para caber tanto dinheiro, a menos que...
- Tudo em notas grandes, como você gosta. Não tem notas falsas. Não se preocupe, pedi para trocarem no banco.
- Você pediu para trocarem no banco?
- Calma, princesa! Só gente que não levanta suspeita! Sou vacinado... Não caio assim, não!
Dona colocou o dinheiro dentro da sua bolsa, sentou na escrivaninha, consentindo a aproximação de Neco, com seu olhar. Ele ajoelhou-se, pondo-se a beijar o joelho de Dona, que se deitou, derrubando os seus óculos no chão. Neco começou a subir com sua boca, levantando a saia de Dona, que se encontrava sem peças íntimas. Ele chegou deslizando levemente os seus lábios, até ouvir, entre alguns gemidos:
- Isso, fique aí! Ajoelhado no chão... Assim, bem gostoso!
Ela suspirava a cada toque. Neco, caído de paixão por Dona, desempenhava a sua impecável performance de amante, fazendo-a delirar com seus lábios. Sem perder o ritmo, tirou a sua roupa, puxando-a levemente para baixo, encaixando o seu corpo ao dela. Os dois perdidos em um prazer alucinante, trocavam sussurros e gemidos.
- Ei, aonde você vai? Fica aqui deitada comigo. Comprei até lençol novo para você deita.
- Eu preciso ir, não posso demorar mais.
- Você está cada vez mais gostosa, quente! Se ficar mais um pouco, eu fico prontinho para fazer tudo de novo.
- Eu fiquei muito satisfeita. Já disse que tenho que ir embora.
- Quem diz que ficou satisfeita depois de uma pegada dessas, ainda mais ouvindo que está mais gostosa?
- Pode considerar um grande elogio, você me satisfez, de uma forma muito intensa. Isso para mim, já é suficiente por hoje. Preciso ir.
Dona abriu a porta, avistou Camal, que prontamente veio escoltá-la até o seu carro.
- O “Patrão” esteve aqui por esses dias?
- Não, senhora!
- Se ele aparecer, quero ser informada imediatamente.
- Darei um jeito de avisar, senhora!
As poucas palavras trocadas foram suficientes para ela saber se Neco estava falando a verdade.
Ela entrou no carro, se acomodou, enquanto Heitor contornava pela frente do carro para entrar.
- A moça veio buscar as medicações?
- Sim, senhora!
- Leve-me para casa, o Samuel já deve ter acordado.
- Irá passar em algum lugar antes?
- Na loja de sempre, preciso trocar de roupa.
Flávia entrou pela porta dos fundos, abrindo vagarosamente para não fazer barulho. Chegou ao ateliê de costura, onde a sua costureira preferida estava sentada.
- Bom dia, vim buscar o meu vestido.
- Senhora, bom dia! Não avisou que viria. Irei buscá-lo, só um momento, por favor.
Flávia sentou-se sentindo leves contrações de excitação, ela levantou novamente, sentindo que os sintomas só estavam aumentando, ela entrou no provador, trancando-o por dentro, sentou-se no poof, levantando a sua saia, encaixou a sua mão de leve fazendo movimentos constantes e ritmados, aumentando o seu prazer. Em poucos minutos, Flávia, estava sentindo uma leve dormência na sua cabeça, e, ao mesmo tempo um relaxamento em seu corpo. Ela se recompôs, abrindo vagarosamente a porta do provado, notando que a costureira não havia retornado, sentou-se novamente no sofá. Não demorou muito para que ela retornasse, entregando o vestido para Flávia, que trocou de roupas, jogando as que estava usando anteriormente no lixo.
- Faça outro, por favor, deixe pronto o quanto antes.
- Que cor a senhora irá querer?
- Faça um conjunto verde.
Flávia retornou ao carro.
- Agora, sim. Pode levar-me para casa.
Ela pegou uma peça íntima de baixo e colou-a, ainda sentada no banco traseiro do carro. Chegando em casa, encontrou Samuel, seu marido, sentado lendo uma revista de medicina.
- Você saiu cedo, minha querida!
- Fui buscar o meu vestido novo. Queria vê-lo pronto.
- E onde ele está?
- No meu corpo. Você não notou?
- Não imaginei que estaria com ele, mas agora que você falou, reparei que não conhecia esse modelo. Essa cor lhe cai muito bem, você fica esplêndida de azul, minha querida!
- Obrigada, meu querido! Irei tomar um banho e mandar o vestido para a lavanderia. Logo desço para lhe fazer companhia.
- Iremos jantar com a família do Dr. Campos, a esposa está de aniversário, e ele quer fazer uma surpresa a ela.
- Irei me arrumar para ocasião.
- Não tenha pressa. Ainda é cedo.
Flávio olhou para o relógio na parede da sala, era quase hora do almoço.
- Você falou com a cozinheira para preparar o almoço?
- Sim, querida. Estava esperando você chegar para almoçarmos.
- Já retorno, pode pedir para irem arrumando a mesa.