6. Resistência

1358 Words
Giovanna Sícilia - Itália O sonho não ia embora. Enquanto eu lutava para acordar, meu cérebro parecia estar nadando no sangue, pegajoso e espesso. Onde eu estava? Ouvi murmúrios e um estrondo embaixo de mim. Eu estava em um carro? Meu corpo parecia pesado e meus membros eram de cimento. Eu não conseguia abrir meus olhos. Qual era o meu problema? Então me lembrei. A parede, Giodarno, a agulha. Merda! Ele me drogou. Aquele i****a. Concentrei-me na minha respiração e forcei as drogas para fora do meu sistema. Eu precisava lutar contra o que quer que estivesse acontecendo comigo. — Bom. Você está acordada. Eu teria começado se fosse capaz de mover meus membros. Ele estava me espionando enquanto eu dormia? Apenas a minha sorte de ser sequestrada por um assassino e lunático. Excelente. Eu estava em um colchão, os lençóis nítidos e frios embaixo de mim. — Você... me sequestrou... — eu forcei para fora. — E... me drogou. Dedos grandes tiraram o cabelo do meu rosto. — Recuperei o que nós pertence por todos os meios necessários. Que isso seja um aviso para você. Um pequeno arrepio passou por mim. Nada disso fazia sentido. Aquele homem poderia escolher qualquer mulher para se casar, e a maioria provavelmente viria de boa vontade. — Por que eu? — Você não sabe que você e suas irmãs são lendárias? Sua mãe era muito bonita e famosa. Contos de suas filhas foram espalhados por todo o mundo. Engoli contra a garganta seca. Minha mãe não queria isso para mim, para nenhuma de suas filhas. Tenha sua própria vida, Giovanna, e nunca a abandone por nenhum homem. Eu sabia que parecia com ela. Todo mundo me disse isso e eu tinha visto o suficiente de suas fotos de modelagem online para notar a semelhança. Ainda assim, essa não era uma razão boa o suficiente para arruinar minha vida. Piscando, eu finalmente abri minhas pálpebras. O lindo rosto de Riccardo encheu minha visão, seus lábios torcidos em um sorriso presunçoso como se eu o divertisse. Como se minha resistência não passasse de uma piada. Eu segurei seu olhar firmemente. — Eu nunca vou me casar com você. O sorriso caiu instantaneamente. — Comigo? Seu pai não te contou, não é? — Contar o quê? — ele me analisou, como se tivesse relutando em me dizer algo. — Esqueça. E para de falar bobagem. Nunca é muito tempo, Giovanna, e não esqueça que você está à minha mercê. Você seria sábia em não fazer de mim um inimigo. A ameaça rolou tão facilmente de sua língua, e eu não duvidei dele por um único segundo. Mesmo assim, eu não me curvaria. Ele poderia tentar me quebrar, tentar me forçar a um casamento que eu não queria, mas eu nunca pararia de resistir. — O que você vai fazer, ameaçar atirar em mim? Me torturar? — Isso depende de você, pirralha. Porque se você recusar, vou considerar a dívida não liquidada. Serei forçado a retaliar contra sua família. É isso que você quer? Pirralha. Eu odiava essa palavra, já tinha sido chamada assim antes pelos homens de papai. — Você não vai machucar minhas irmãs. Uma sobrancelha marrom escura se ergueu. — Não? Nós nos encaramos, e eu tentei ver dentro de sua cabeça, para descobrir se ele estava blefando. Eu não poderia dizer. O homem era muito bom em esconder seus pensamentos. Mas mesmo que ele prometesse não machucar minhas irmãs, ele poderia matar papai. — O que você quer de mim? Eu não serei uma boa esposa para você. — Você não parecia pensar assim quando estava me beijando no carro. — Eu estava bêbada. — É isso que você faz quando foge de casa? Anda por aí bêbada transando com homens aleátorios? — Você não sabe o que está dizendo. — Você ainda é virgem, Giovanna? Forcei meu corpo a se erguer na cama. Só então notei que minhas mãos estavam presas juntas. Eu daria um bom tapa em sua face se elas não estivessem. — É disso que se trata? Casar com uma virgem, depois me largar em sua mansão, enquanto você transa com uma p**a qualquer? — Eu fiz uma pergunta. — E sua resposta é: vá se f***r! Eu quero que você se f**a se acha que vai encostar esse seu p*u em mim. Ele avançou sobre mim, me obrigando a deitar na cama. Seu corpo pesado sobre o meu. Seu cheiro. Sua virilidade me pressionando. Segurou minha mandibula, apertando firme, enquantos seus olhos percorriam o meu rosto. — Me solte! — Eu poderia te f***r aqui e agora e ter a resposta para a minha pergunta. Você vê como é simples? — Me solte! Me leve para casa. — Você está muito longe de casa, querida. — Como? Onde está o meu pai? Quanto tempo eu dormir? — Não se preocupe. Seu pai sabe que você veio comigo. Estamos em um hotel perto da minha casa. Só vou levá-la para minha casa quando estiver mais calma. Ele se levantou e endireitou as algemas. — Por favor, me deixe ir embora. Eu já disse que não sou uma boa esposa para você. — Isso não é você quem decide. Agora você deveria dormir e descansar. Eu acabei de ser sequestrada e ele achava que eu poderia dormir agora. — Eu preciso de um banheiro e minha bolsa. — Por ali — ele apontou para uma porta na parte de trás do quarto. — Vou pedir à anfitriã que traga uma bandeja. Tenho certeza que você está com fome. Eu não estava prestes a agradecê-lo, então repeti: — E minha bolsa. — Você não terá suas coisas devolvidas até que eu ache que você está cooperando. Eu olhei para ele e tentei fazer buracos em sua pele com meus olhos. — Há pessoas que vão se preocupar comigo. Eu preciso de alguma forma que eles saibam que estou bem. — Você quer dizer aqueles seus amigos de merda? — Ele zombou, enviando um raio de medo frio através de mim. — Ninguém vai se preocupar com você, Giovanna. E aquele seu amiguinho na boate já teve uma bela lição. — Oh meu Deus. Você o matou? Ele teve a ousadia de olhar para baixo do nariz para mim. — Você assiste muita televisão. Ele está vivo e bem, por enquanto, mas você não o verá novamente. Nem ninguém da sua família. Se conforme. — Na porta, ele parou e me prendeu com um olhar sombrio que me assustou até os dedos dos pés. Não havia nenhum sentimento ali, nenhuma simpatia. Apenas um homem sempre acostumado a conseguir o que quer. — Ah, e não se preocupe em procurar uma arma. Eu me certifiquei de que você não vai encontrar uma. Esperei até que ele desaparecesse antes de ignorar seu conselho. Pulei da cama e comecei a procurar. Tinha que haver algo no quarto ou no banheiro para me defender. Papai relutantemente nos deixou fazer aulas de autodefesa, e o instrutor disse que muitos objetos comuns poderiam ser usados como arma. Eu aprendi muito bem a me defender e não ousaria em fazer quando precisasse. O banheiro não rendeu nada. O armário de remédios estava vazio e o chuveiro continha apenas garrafas plásticas. Eu rapidamente usei as instalações e lavei meu rosto, então descobri que uma bandeja estava esperando por mim na cama do quarto. Eu comi, sabendo que uma greve de fome só me enfraqueceria, e eu tinha que manter minha força para lutar. Eu m*l provei a comida, porém, minha pressa e medo sobrepujando todo o resto no momento. Infelizmente, os talheres eram de plástico, assim como o copo de vinho e a garrafa de água. Continuei procurando. A mesa não continha nada além de papel em branco, enquanto o criado-mudo só tinha preservativos. Extra grande, naturalmente. Enojada, eu bati a gaveta e então me abaixei para checar debaixo da cama. Escondida no tapete ao longo da parede, eu a localizei. Uma caneta. Peguei-a e coloquei-a no bolso da minha calça jeans. Como arma, não era muito, mas eu só tinha que esperar a oportunidade certa para usá-la.
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