CAP 10

968 Words
Elisie Charpentier Eu estou cansada. Quer dizer, exausta ou acabada. O que for de mais intenso nesse sentido. Já é uma vida inteira de feridas, de indiferença, de dores e sofrimento e mais ainda de ser usada. Não dá mais! Eu estou realmente no meu limite e não vou suportar ser objeto de outra pessoa. E por isso, junto o resto de firmeza que eu tenho e sou bem clara nas minhas palavras que saltam da minha boca. — ... estou cansada! — Eu digo, lhe encarando de cabeça erguida. — Loucura tem limite e eu cheguei ao meu... se quiser, pode me matär hoje, mas não vou ser saco de pancadas de mais alguém. Lucien me olha com ar de análise, exalando superioridade e o silêncio entre nós dois aqui prevalece. Um olhando para o outro, nenhum recuando ou hesitando e eu realmente falei sério. Eu não ou suportar! De certa forma, ele deveria me agradecer por ter lhe mostrando quem a esposa dele era. Uma traidora, uma mulher sem caráter e ainda debochada de todos os níveis possíveis. Mas, não, ele ainda tenta me punir por dar algo a ele. — Se é isso que pensa, Elisie... está enganada! — Ele não hesita e continua aqui. — Aos poucos, vai saber como as coisas funcionam nessa casa. Mas, eu já garanto que não vai me enganar como fazia com o i*****l do Henri. Ninguém nunca passa por mim, ninguém me engana e muito menos foge de mim... — Eu engulo em seco. — Se andar na linha, não será machucada... se não me dar motivos, não terá o que temer. Essa parte é responsabilidade sua! — Eu não quero me casar com você! — Eu também não quero, mas são as circunstâncias. Se não for eu, será outro e eu duvido que outro lhe garanta ao menos segurança como eu. — Ele dá meia volta, um passo e vira o rosto. — Durma! Depois conversamos melhor pela manhã. Ele apenas sai, fecha a porta e eu fico aqui sozinha. Isso é um enorme pesadelo! Estou presa dentro dessa mansão gigantesca em que não conheço nada, não conheço ninguém e não posso dar um passo sem ele saber. A minha vida acabou com essa loucura toda e terei sorte se eu viver um mês aqui dentro. Lucien tem uma fama assombrosa por toda França e eu não estou a fim de ir de cara com o lado mais perverso. Isso aqui já é algo a temer. Ele simplesmente quer forçar um casamento onde nenhum dos dois quer. “Eu também não quero, mas são as circunstâncias”. As palavras foram ditas sem uma gota sequer de hesitação. E a outra frase, dita na sala de jantar, também não sai da minha mente: Eu não posso ficar sem esposa e você não pode ficar viúva sem filhos... são as leis! Sim, eu conheço as leis da organização e eu sei que estou em tremenda desvantagem, mas isso não quer dizer que me casar com o homem mais perigoso da França seja a minha saída. — Eu vou morrer... — Falo sozinha. — E-ele vai me matar aos poucos... isso não pode estar acontecendo. Eu já vivi inúmeras loucuras, mas essa parece ser além. Na primeira vez que piso aqui, sou mantida presa. Não posso nem pegar as minhas coisas em casa. Como vai ficar a mansão? Os empregados? Os pertences? Eu juro que não pensei nessa parte. Em cima da cama, eu vejo uma roupa limpa e toalhas. Cordélia foi até que mais suave em explicar tudo, mas ela carrega uma seriedade bem igualada a de Lucien. Ela com certeza deve ter mais contato com ele, mas já vi que perguntar algo será uma sentença. Sem opção, eu pego a roupa e as toalhas para um banho. Esse vestido já tem um peso triplicado no corpo por tudo que houve e quero me livrar disso. Eu entro no banheiro enorme e já tem vários tipos de produtos. O meu banho começa e faço sem pressa. Lavo os cabelos para tirar o peso dos produtos e lavo bem o rosto pra remover a maquiagem. Tudo fica repassando na mente: eu mostrando as provas, Henri enfurecido, o tapa que ainda está deixando o meu rosto dolorido, as mortes. Cada tiro! Aquele som é de tremer o corpo todo. Depois do banho, eu vejo o corte no canto da boca e não fico surpresa. É apenas mais uma marca dentre outras que ainda tenho. Ao sair do banheiro, vestida nesse vestido branco e longo, eu me sento na cama e olho ao redor. Tudo é desconhecido e não me dá conforto nenhum. — Com licença. — Ouço depois de duas batidas. — Eu trouxe a sua ceia. — Uma das empregadas diz. — Cordélia mandou trazer. Disse que o jantar foi interrompido e achou que a senhorita estivesse com fome. Pode parecer gentileza, mas eu vejo como controle. — Eu agradeço. — Digo sem ânimo. — Pela manhã, Cordélia irá começar os preparativos para o transporte de seus pertences. O senhor Bellamy irá resolver os detalhes! — Eu posso sair do quarto? — Por hoje, não! — Como pensei. — Coma um pouco e descanse. Ela tem um jeito mais delicado do que a Cordélia e um olhar mais suave. — Como se chama? — Madeleine! Eu gravo bem esse nome. Ela pede licença, dá meia volta e sai fechando a porta. A bandeja que ela trouxe contém apenas um chá e uns biscoitos que aprecem ser de aveia. Algo assim. Eu realmente quase não comi no jantar e passei o dia numa preparação para vir. Será que esse chá pode ter algo? Se tiver, pelo menos não me caso mais com Lucien. Mas, depois das palavras dele, eu duvido.
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