CAP 16

1087 Words
Lucien Bellamy A reunião termina exatamente como eu determinei. Sem a******a para questionamentos, sem espaço para contra-argumentos, sem a chance mínima de que o Conselho tentasse alterar as minhas palavras em benefício próprio. Eu entrei, falei, ordenei e encerrei. Simples. Eficaz. Definitivo. A vontade que prevalece é a minha e hoje eu deixo isso extremamente claro. Não há brechas. Não há concessões. Não há democracia quando o futuro do meu cargo e da minha organização está em jogo. Quando eu deixo a sala e atravesso o corredor principal do castelo, sinto um peso sair dos meus ombros. Nada me empurra para trás desta vez. Nenhum velho teimoso empina o queixo para questionar as minhas decisões. Nenhum deles ousa discordar frontalmente. Eles sabem que hoje eu estou disposto a ir até as últimas consequências. Se algo der errado, eu pago o preço e continuo. Porque é isso que homens como eu fazem. No jardim, o vento frio atravessa o terno, traz o cheiro úmido da relva e o canto distante de pássaros que não deveriam estar aqui naquela época do ano. Eu me movo rápido, meus irmãos logo atrás, Louis com o semblante preocupado, Vincent com o olhar calculista de sempre. Mas antes que eu alcance o helicóptero, alguém corre em minha direção. — Don Bellamy! — É um dos conselheiros, o mais jovem deles, embora o medo o envelheça diante de mim. — Por favor, preciso falar com o senhor. Eu paro. Não porque devo, mas porque tenho curiosidade sobre até onde ele ousará ir. — Seja rápido. — Respondo, sem paciência. Ele engole seco, os olhos tremendo um pouco. — Eu… sinto muito pelo transtorno. Pelo que houve na reunião. Pelo que Vivienne fez. “Transtorno”. Que palavra patética. — O ego de um homem jamais deveria ser atacado daquela maneira. Eu entendo… Eu ergo um sobrancelho, irritado. Ele percebe e acelera. — Só… só gostaria de saber se tudo isso é realmente uma boa ideia. Quer dizer… a viúva de Henri era traída. Ela pode querer retaliação, pode tentar causar problemas… — Elisie sempre foi uma boa esposa. — Corto, seco. — Eu me certifiquei disso. Apesar do que passou. Agora ela tem um espaço vazio ao lado dela, e eu estou ocupando esse espaço. O conselheiro arregala um pouco os olhos. — Mas… ela sabe das regras? — Sabe há anos. — Respondo. — E comigo não será diferente. A decisão está tomada. Preparem a mansão. Preparem tudo para o casamento. Não vou adiar. Não há motivo para que percam tempo discutindo o inevitável. Ele abre a boca para insistir, mas eu já estou andando. — Don Bellamy, apenas... — Eu não vou repetir. — Digo sem olhar para trás. — Obedeça. É a única opção que você tem. Meus irmãos já estão entrando no helicóptero. Eu subo logo atrás. O conselheiro tenta mais uma vez chamar a minha atenção, mas a porta se fecha diante do rosto desesperado dele. Vincent liga o motor. A hélice vira e o castelo vai ficando menor. E eu sei que lá dentro eles devem estar enlouquecidos, tentando prever os meus próximos passos, tentando reorganizar alianças. Mas isso não importa. Eu não me importo. Em uma semana, estarei casado e qualquer ameaça futura será contida antes mesmo de nascer. { . . . } Quando pousamos, não volto para casa. Não tenho paciência para nada delicado no momento e não quero ver Elisie ainda. Ela é assunto que exige outra parte de mim. Uma parte que eu não posso acessar agora. Então, vou direto para um dos meus bordéis, o mais luxuoso. Uma mansão inteira dedicada ao luxo, ao dinheiro e ao desejo. Ninguém entra ali sem pagar caro. Muito caro. Mesmo de dia, a fachada é imponente. O mármore branco, os vitrais escuros, as colunas que imitam palácios antigos. Tudo cuidadosamente planejado para impressionar. O gerente aparece assim que entro. — Don Bellamy. — Ele diz com respeito absoluto. — A sala está pronta e todos os relatórios separados. — Ótimo. Vamos! Caminho pelos corredores elegantes do bordel, iluminados por lustres de cristal. É tudo tão silencioso durante o dia que até parece outro lugar. O gerente abre a porta da sala administrativa e eu entro, sentando-me na cadeira de couro escuro. Passo um tempo aqui. Lendo relatórios. Assinando transferências. Verificando lucros. Cortando gastos inúteis. Organizando pagamentos. Eu poderia delegar isso? Sim, mas em certas épocas do ano, prefiro ver pessoalmente. Eu gosto de saber exatamente quantos milhões cada detalhe me rende. Depois de quase uma hora, batidas leves na porta chamam a minha atenção. — Entre! — Digo sem tirar os olhos do papel. A porta se abre e uma das mulheres da casa entra com uma bandeja de cristal, carregando uísque. Eu a reconheço. Já esteve no meu colo mais de uma vez. E sempre foi eficiente. Ela sorri, um sorriso treinado para seduzir, mas que funciona em quase todo mundo. — Senti a sua falta, monsieur Bellamy… faz tanto tempo que não aparece. — Pode ir! — Digo. Ela se aproxima demais. Toca meu ombro. Se inclina. Se oferece. Eu não digo nada. Só ergo o olhar lentamente. Ela vê algo no meu rosto algo que faz o sorriso vacilar, mas mesmo assim insiste. Com delicadeza ensaiada, ela tenta se esfregar em mim, buscando o antigo acesso fácil que já teve. E aí eu a seguro pelo pescoço. Sem força suficiente para machucar, mas força o bastante para que ela entenda. — Eu mandei sair e não gosto de repetir ordens. — Murmuro. Os olhos dela se arregalam. O medo aparece. Ela recua um pouco, estremecendo. — Me… me desculpe. Eu… não quis... — Saia! — Ordeno. Ela engole o choro, vira-se para ir embora. Mas, pensando bem... — Não ainda. Ela congela. Olha por cima do ombro. Espera instruções. Eu me apoio na cadeira, fecho os olhos por um momento. Hoje o dia está sendo longo. Tenso. Carregado demais. E eu só quero silenciar a minha mente por alguns minutos. — Venha e ajoelhe-se. — Digo. Ela obedece imediatamente, com a cabeça baixa, o corpo tremendo pela mistura de medo e respeito. Eu não preciso de mais nada explícito. Não quero isso. Não aqui. Não agora. Quero apenas a sensação de controle. De ordem. De silêncio. E enquanto ela permanece imóvel diante de mim, eu respiro fundo, deixando a tensão finalmente escorrer para fora do meu corpo. O calor da boca dela me envolve e faz exatamente o que preciso agora.
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