Alice
Eles realmente não me deram nada pra comer. Só água, pra eu não morrer desidratada naquele calor. Mas eu não gritei. Eu não pedi ajuda. Eu apenas fiquei sentada, respirando fundo, porque eu sabia que uma hora ou outra o meu pai ia vir me buscar. Ele sempre vem.
Esse d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o chamado Aranha acha que consegue me botar medo. Se ele soubesse as coisas que eu já vi crescendo dentro desse morro, se ele soubesse das pessoas que eu já cuidei sendo enfermeira, ele nem tentaria a sorte.
Já devia ser mais ou menos quatro horas da manhã, e a minha barriga tava roncando. Só que, como eu disse, eu não ia implorar nada pra esses i.d.i.o.t.a.s.
Foi aí que eu escutei passos. Um dos homens veio na minha direção e disse:
— Princesa, hoje é o dia que você vai visitar o nosso chefe na cadeia. Você vai colocar essas roupas aqui. Pegamos no seu armário, na sua casa. Espero que você não se importe… calcinha bonitinha.
Alice: gostou, querido? Por que você não pega ela e enfia no seu c.u? Eu acho que vai ficar melhor nele.
— Escuta aqui, sua v.a.d.i.a. Quem você pensa que é pra falar assim com sujeito homem? Eu posso entrar aí e enfiar meu p.a.u na tua boca até você engasgar.
Alice: todo homem que fala isso tem p.a.u pequeno. O seu não deve ser diferente. Então me poupe, se poupe e nos poupe da vergonha que você vai passar. Faz o seguinte: pega esse p.a.u e vai enfiar em alguma marmita que tá querendo te dar, porque eu não chegaria nem perto de um homem como você. E eu não vou pra p.o.r.r.a de lugar nenhum. Manda seu chefe ir pra casa do c.a.r.a.l.h.o.
Ele abriu a cela e me encarou com um sorrisinho malicioso.
— Eu acho que vou ter que te ensinar uma lição antes do chefe. Acho que você vai gostar de sentir o meu p.a.u pequeno na sua boca, porque é isso que você tá pedindo.
Ele começou a andar na minha direção. Eu dei dois passos pra trás. Eu ia descer a p.o.r.r.a nele se fosse necessário. Mas até pra descer a p.o.r.r.a num b.a.b.a.c.a você tem que pensar.
Alice: não se aproxime de mim. Eu acabo com a sua vida antes de você me tocar.
— Eu adoro uma princesa que nem você — ele falou, abrindo a calça.
Ele ficou só de sunga, tirou a camisa e veio na minha direção. Quando ele me agarrou, eu dei um chute no meio das pernas dele. Ele se abaixou e começou a gritar.
Eu aproveitei pra sair correndo.
Corri por dentro da boca. Só que, quando eu tava saindo pela porta, bati de frente com o d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o do Aranha. Ele me olhou com um sorrisinho nos lábios e disse:
Aranha: vai pra algum lugar, princesa? Pelo visto você tá com pressa. Tudo isso pra visitar o chefe na cadeia? Não sabia que você tava tão empolgada pra essa visita.
Alice: vai à m.e.r.d.a.
Aranha: até que, pra uma boneca, você tem a boca muito suja. Sabe que eu nunca gostei muito de mulher que xinga demais. Me dá nervoso. Dá vontade de matar. Será que eu tenho que ir numa psicóloga tratar isso, boneca?
Antes que eu pudesse responder, o vapor veio correndo atrás de mim, sem camisa, só de cueca. O Aranha olhou pra ele com a sobrancelha arqueada e depois me encarou.
— Chefe…
Aranha: eu posso saber por que você tá sem roupa? Eu mandei tu entregar a roupa da mina. O que é isso aí? Por que tu tá de cueca?
— E… e… eu…
Alice: ele tentou me agarrar dentro da cela. Disse que ia botar o p.a.u dele na minha boca até eu engasgar. Foi assim que eu consegui fugir. Eu desci a p.o.r.r.a nele e corri. Só que, pro meu azar, você tava aqui.
Aranha: deixa eu ver se eu entendi… tu ia e.s.t.u.p.r.a.r a mina? Tu esqueceu como as regras funcionam? Tu ia tocar nela à força? É isso que eu tô ouvindo?
— É que ela ficou me provocando… eu achei que ela também queria.
Alice: eu falei pra você que você devia ter p.a.u pequeno e que eu não ia perder meu tempo com você. Pedi pra você se afastar, e você não se afastou. Você veio que nem um b.i.c.h.o pra cima de mim. Se eu não soubesse me defender, você teria feito coisas horríveis comigo.
Antes que ele pudesse dar qualquer outra explicação, o Aranha tirou a arma da cintura e atirou na cabeça dele. Ele ainda tava se batendo no chão, então o Aranha se aproximou e deu mais dois tiros no peito dele.
Depois, ele me encarou e disse:
Aranha: vai tomar banho. Eu trouxe o bagulho pra tu comer. Os vapores vão te levar até a porta do presídio e depois vão te buscar. Eu não quero gracinha lá dentro, entendeu? Se o Brutus falar que tu fez graça lá dentro, tu vai morrer aqui fora. E vai ser muito pior do que esse d.e.s.g.r.a.ç.a.d.o aí.
Alice: hahaha… eu acho que você é hipócrita. Não deixou ele me c.o.m.e.r aqui fora, mas vai me mandar pro seu chefe me c.o.m.e.r lá dentro. Não acha que é e.s.t.u.p.r.o do mesmo jeito?
Aranha: eu já disse que não gosto de mulher que fala demais. Mas deixa eu te falar um bagulho: vapor não tem autorização pra te tocar. Ordem do chefe. Então qualquer a.r.r.o.m.b.a.d.o que tentar encostar em você vai morrer. Agora entra naquela cela e coloca a d.r.o.g.a da outra roupa, que tá quase na hora. Eu não vou perder a paciência contigo. Já matei um hoje, pra matar outro é pouquinho.
Ele me empurrou pro banheiro e jogou a roupa praticamente em cima de mim. Disse que eu tinha dez minutos pra tomar banho. Do lado de fora, eu escutei ele mandando os vapores se livrarem do corpo.
Eu fiquei toda arrepiada.
Pelo visto, ele é m.a.l.u.c.o.
E, se esse cara é assim, eu nem quero imaginar como o chefe dele é.