O casamento de PH era de tardezinha, na igreja do alto do morro… Acordei umas 2 horas da tarde, com o telefone que não parava de tocar e quando olhei a ligação da filha da put@ da Rai…
— E aí bandido mequetrefe? Tá pronto?
— Mequetrefe é o tiro que eu vou te dar, mina abusada…
— Também te amo… Que voz é essa, tava dormindo é? Vou dizer ao Dom, que o sub dele, dormi o dia todo.
— Vai Rái, faz uma patifaria dessa que eu corto tua língua… Agora, duvida e diz um troço desse. — Fiquei esperando a resposta desaforada da mandada… E o silêncio tomou conta da ligação.
— Vai falar nada não filha da put@? — Olho na tela do celular, pra ver se a ligação não tinha caído e tinha uma mensagem.
Quando abro a mensagem é uma foto da filha da put@, fazendo um zíper na boca…
Escrevo a mensagem…
“VOU TE DAR UMA BIF@ RÁI E NEM PH TE SALVA DESSA VEZ ”.
Ela retorna a ligação…
— Amigo lindo, pra que tanto ódio nesse coração?
— O que tu quer abusada, fora comer o meu juizo?
— Eu comprei uma beca sinistra pra tu ir pro casamento de PH hoje… Manda um bandido fuleiro desse ai, vim buscar aqui no meu AP, na zona Sul…
— Mas tu tá abusada demais mina… Tu falando assim desde quando, parece aquelas patricinhas metidas.
— Só falo assim contigo mesmo…
— Vou desligar, antes que fique de m*l humor filha da put@… Eu já aluguei uma beca pra ir pro casamento, naquela loja de vestido de noiva, que tem lá no morro.
— Tu vai com aqueles ternos que todo bandido já usou?
— Que que tem? Tá limpo.
— Tu que sabe… Tu vai ficar no altar de padrinho, ao lado de Ana… Que vai tá linda vestindo um Valentino e tu um terno que o fuleiro do Maresia tava vestindo a semana passada pra ir a missa do domingo. Tu que sabe…
— Quem porr@ é Valentino? E porque, porr@, Ana vai tá vestido um homem? Entendi porr@ nenhuma.
— Eita, que tu até subiu de patente, mas continua burro e sem nenhuma estirpe…
— Se tu continuar falando difícil pra mim, eu vou ai filha da put@.
— Tá bom, quis ajudar, não quer, vou desligar.
— Tá bom, eu quero esse terno chique aí… Vou mandar o oreia buscar.
— Se um dia eu me tornasse uma bandidona… ou mulher de bandidão… Eu mudava esses nomes todos, só pra nome chique de artista famoso e internacional.
— Só era o que faltava, uma doida dessa bandida… A convenção dos bandidos num ia deixar não… ia ser nosso fim.
— Eu ia botar moral, meu irmão. Tu ia ver num ia ter pra ninguém… Mas não nasci filha de bandido… Deixa pra próxima encarnação.
— Manda aí, esse terno de mauricinho, que eu visto…
— É um terno italiano chiquérrimos, que comprei pra tu em Milão..
— Pra que tudo isso Rái?
— Não quero meu projeto de bandido em ascensão, passando vergonha na frente do namorado que a Ana vai trazer não. — Irmão, quando ela disse isso, meu coração bateu forte e minha respiração falhou e eu quase deixei meu corpo, vei.
— Ela tá de namorado é? — Falei quase sussurrando.
— Tá Guguinha… Por isso que quero tu lindão, bem chique mesmo, tá. E num quero que tu seja pego de surpresa não.
— Tá bom Rái… Tu tem razão…
— Olha, deixa pro futuro.
— Tem nada, pro futuro não Rái… Eu nem penso mais nela, mina.
— Tu tá dizendo, eu acredito. Agora, deixa eu ir, que ainda tenho que me arrumar, sai do meu relaxamento de beleza agora e vou começar a me arrumar… Tem uma equipe pra me aprontar.
— Eita mulher, que tu tá metida demais… — Ela gargalhada, se despede de mim.
Fico ali pensando, sentado na cama e uma coisa eu tenho que concordar com a maluca da da minha amiga Rái… Tenho que tá lindo e bem… Num vou ficar por baixo não.
Se Ana tá com outro e feliz, tá no direito dela… Errei, fui sacana com ela… Mas num vou ficar por baixo não. Levantei, tomei banho, fui eu mesmo buscar o terno e aproveitei pra ir num barbeiro lá do asfalto, pra dar um trato em mim… Vou bonitão pro casamento, até porque a Anita vai tá também.
Foi pensando na noite que tive com a mulher gato, que me animei e fui tomar um banho caprichado e me arrumar pra ir pro asfalto no salão e buscar a beca dos esteites que a maluca comprou pra mim.
A Raí mudou de vida, com aquele namorado dela, que deixa ela gastar a vontade… E ela não esquece da gente não. Tá sempre ajudando o morro, mudando a vida de algumas pessoas e mimando os amigos.
***
Voltei pra casa, fui me arrumar e num que a beca é bonita mesmo e chique demais… Combinou com meu sapato que ela me deu de presente de aniversário.
Quando estava pronto fui direto pra igreja pro alto do morro… Onde seria o casamento e lá encontrei logo, o PH, conversando com André e a namorada dele, a que era policial… A mulher é uma gata, mas eu não confio nela não… Ainda não.
PH tava vestido de pinguim, todo na beca e todo nervoso…
— Olha PH, quem tá chegando… Bonito demais, num terno italiano… Porr@ bandido, Dom tá pagando bem em? — Ele vem logo tirando onda…
— Eu num ganhava bem assim não Guga…
— Dá pra parar… — Eles dão uma risada e só escuto uma voz irritante chegando.
— Meninos, vocês viram o Guga, ele ainda não chegou?
— Tá doida? Tu num tá me vendo aqui não?
— Meu Deus, o que um terno italiano num faz com um bandido fuleiro em ascensão. — Todos começam a rir da minha cara.
— Vou te dar uma bifa. — Ela pega no braço de PH e diz:
— Vem que PH me defende.
— Fica quieta, que hoje eu não te defendo não…
— É sério Guguinha. Se eu não tivesse meu lindo, eu te pegava hoje. Tu tá lindo demais. — Ela vem passando a mão em mim.
— Cortou o cabelo, fez limpeza de pele. Tudo porque a Ana vai chegar com o gostosão dela. — Aquilo dá um troço dentro de mim…
— Tô nem ai porr@, vai a merda Rái…
Ela dá um pulo, com minha reação e corre esbarrando em Dom que acaba de chegar e se aproxima da gente e aí pra perto do mauricinho dela… Depois de um tempo, eles começaram a falar de novo em mim… Só era o que me faltava.
— Eita Guga, que tu tá numa beca irmão.
— É, vei, casamento do meu mestre rapa… Eu queria saber PH, como foi tua conversa com Deus?
— Como assim?
— Só pode ter visto Deus e negociado alguma coisa lá com ele, porque tu voltar dos mortos e logo pedir a fiel em casamento e vestir uma roupa de pinguim, num calor da porr@ desse, vei. — Dom, André e Bárbara dão uma risada…
— Tira onda, que logo logo é o Dom e eu ainda vejo tu também…
— Eu nunca, sou bicho solto, vei…
— Bicho solto e tá com essa beca toda, só porque porque a Ana vai chegar de namorado…
— Nada a ver porr@...
— É cara, tu tá arrumadão, mas o cara parece que é bonitão… — A tal namorada do André, fica rindo e balançando a cabeça.
— Meninos parem com isso… Não liga não Guga, você tá muito lindo e muito chique. — Ela fala e vem arrumar minha gravata.
— Ei Morena, solta aí. Tu tem teu n***o aqui. — Ele puxa ela pra ele e lhe dá um beijo na boca. — Tá viadinho emocionado também esse André.
O casamento já tava perto de começar, quando a Ana chega de mão dada com um homem alto e bem arrumado. Nessa hora, agradeci a doida da minha amiga Rái, que sabia o jeito que eu ia me sentir se não tivesse todo arrumado com aquele terno de granfino… Ela tava linda demais e nem parecia aquela menina que tinha um olhar doce e envergonhado.
Ela falou rápido com todos e veio pra perto de mim, porque já estava na hora da gente entrar… Fomos padrinhos do casamento juntos e por isso seguimos pra o altar e eu tava tremendo todo vei.
Depois que saímos de lá fomos tirar as fotos do casamento… Um bagulho chato pra porr@ vei… Mas, o bom é que eu tava perto dela e pude até falar com ela sozinho… Mesmo com o cara lá só olhando.
Numa hora, num aguentei e falei…
— Tu tá tão bonita Ana e tão diferente… — Ela tentou, mas não conseguiu disfarçar, um sorrisinho calmo.
— Tu tá feliz lá?
— Estou muito feliz sim…
— Eu queria te pedir desculpas por tudo que fiz contigo Ana… Tu não merecia, fui muito filho da put@.
— Guga, eu acho que isso não é hora… Já passou…
— Deixa eu te pedir desculpa, fui vacilão demais, num dei valor a mulher da porr@ que tu é. — Sinto que ela respira fundo…
— Olha Guga, não tenho mais raiva de você e acho que tive até sorte, porque tu ia aprontar comigo de todo jeito e eu ia perder a chance da minha vida.
— Eu sei… Acabou sendo melhor pra tu mesmo.
— Não Guga… Porque tu me magoou demais como mulher e eu amava você de verdade, mas passou e hoje tô vivendo a minha vida e é isso que importa agora.
— Tu é feliz com esse mauricinho aí? Ela rir.
— Sabe o que é Guga, eu sou feliz comigo agora… E estou gostando muito da relação que estou vivendo no momento comigo mesma. Namorado hoje, é só um namorado.
— Tu ainda gosta de mim?
— Gosto e quero muito que você cresça na sua vida torta e aprenda a dar valor a uma mulher de verdade. Isso é o que desejo pra você.
Nesse momento, acabou tudo e ela foi sentar perto do cara e eu só não chorei porque tava na frente do povo e eu num ia fazer uma patifaria dessa…
Quando me virei, vi que a Anita tava olhando pra mim de longe…
A festa passou e ela não chegou perto de mim e um certo momento só vi um troço acontecendo e era a porr@ da Rubi, caçando confusão com a mulher gato. Porr@ vai aparecer com a boca cheia de formiga… Put@ burra da porr@!
Mas num vou defender não, vei… Já mandei vazar irmão, quero problema com essa aí não. Tô fora, só me trouxe confusão. Quando deu um tempo achei a Anita na porta tomando uma cerveja.
— Tá indo embora mulher gato? — Ela me olha, um pouco estranha.
— Guga, vou te pedir uma coisa… Avisa, as tuas marmitas que não venham tirar onda comigo, que não sou mulher de deixar vivo quem faz isso.
E tu é bicho solto e eu num tenho nada contigo.
— Pega leve mina…
— Tá avisado.
Eita, que eu vou ficar longe dessa mulher gato, que ela pode ser gostosa, pra porr@, mas ela é encrenca das grandes.
***