Vassoura Eu chego na porta da casa da Daiane com ela do meu lado e já sinto aquele clima estranho no ar. Não é a primeira vez que eu entro num barraco simples, mas é a primeira vez que eu entro sabendo que ali dentro mora uma mulher que deve me odiar antes mesmo de me conhecer direito. A casa é pequena, ajeitadinha, tudo limpinho, cheirando a desinfetante e café fraco. Daquelas casas que não tem luxo nenhum, mas tem dignidade. Dá pra ver que ali tem cuidado, mesmo com pouco. A mãe da Daiane aparece no corredor assim que a gente entra na sala. Quando me vê, trava na hora. O corpo dela fica duro, os olhos arregalam um pouco, como se eu fosse um perigo materializado. Já saquei tudo. Meu nome corre solto no morro. — E aí, sogrinha, tudo bem? — mando, na zoeira, tentando quebrar o gelo.

