CAPÍTULO 17 MARIA NARRANDO Eu devia ter percebido que alguma coisa estava errada no instante em que o MT sorriu pra mim naquela tarde. Ele nunca sorria daquele jeito — não pra mim, pelo menos. Não com aquele ar de quem quer consertar algo que estragou. Mas eu quis acreditar. Quis acreditar tanto que nem parei pra pensar. Achava que o convite pro churrasco era isso: um pedido de desculpa escondido, um “vem cá pra eu resolver com você”, um “foi m*l pela última vez”. Achei que ele tinha lembrado de mim. Que tinha sentido minha falta. Ilusão. Mais uma. Chegamos no churrasco — eu, Fernanda e Camila eu fui na frente, elas vieram atrás. E enquanto eu descia da moto, meu coração estava batendo rápido como se estivesse esperando alguma coisa boa. Como se hoje fosse o dia que finalmente tudo

