CAPÍTULO 38 CAMILA NARRANDO O telefone tocou quando eu já estava quase dormindo. A casa estava em silêncio, aquele tipo de silêncio que engana a gente, fazendo parecer que a vida deu uma trégua. No terceiro toque, atendi, e o som que saiu do outro lado não foi uma voz, foi um grito de puro terror. — Camila! Pelo amor de Deus, Camila! O GB... ele foi baleado! O MT tá chegando com ele na UPA! É muito sangue, Camila! Corre! O mundo não girou; ele parou. O celular escorregou da minha mão trêmula, caindo sobre o acolchoado da cama enquanto o eco da voz da Maria ainda reverberava no quarto escuro. Eu não senti o frio da madrugada que entrava pela fresta da janela, não senti o chão gelado sob meus pés descalços; senti apenas um vazio súbito e avassalador no estômago, como se o meu próprio c

