CAPÍTULO 44 GB narrando O ar da rua bateu no meu rosto como um tapa. Frio, sujo, cheio de pólvora antes mesmo do primeiro tiro passar perto. O barulho da UPA ficou pra trás, engolido pelo caos que já tomava o morro. Sirene distante. Rojão estourando. Gente correndo sem saber pra onde. Peguei o fuzil das mãos do moleque como se fosse extensão do meu corpo. Pesado. Familiar. Confortável. — Chefe… — ele tentou dizer alguma coisa. — Some da minha frente — rosnei. O rádio chiava sem parar. Voz sobre voz. Grito. Ordem truncada. Pedido de ajuda. Informação pela metade. Era assim mesmo quando o inferno resolvia subir o morro sem pedir licença. Comecei a subir. Cada passo parecia bater direto dentro da minha cabeça. A dor ainda tava ali, martelando por trás dos olhos, como se alguém tivess

