CAPÍTULO 27 (MT NARRANDO) Sessenta dias. Dois meses completos. Para quem vive no ritmo frenético do Complexo, onde cada segundo é o divisor entre a vida e a morte, esse tempo deveria ter passado em um piscar de olhos. Mas, para mim, cada minuto sem a Maria foi um exercício de silêncio ensurdecedor que eu mesmo provoquei. Eu sempre me orgulhei de ser um cara prático, que resolve problemas com a mesma velocidade com que saca uma arma. No entanto, o "problema Maria" não era algo que eu pudesse resolver com autoridade ou dinheiro. No começo, a minha arrogância me convenceu de que o sumiço dela era um alívio. "Finalmente", eu pensava, enquanto olhava para o movimento da favela do alto da laje. Eu me sentia o dono do mundo, livre daquelas mensagens que chegavam em horários improváveis, pergu

