CAPÍTULO 20 CAMILA NARRANDO Eu não sei em que momento exatamente o Gabriel apagou. Talvez tenha sido quando a dor finalmente venceu o ódio. Ou quando o corpo dele não aguentou mais ficar em alerta, pronto pra matar ou pra morrer. Só sei que, de repente, ele estava ali… deitado no meu colo. E eu estava com a mão ainda segurando a gaze que cobria o ferimento, com os dedos tremendo e a respiração acelerada. Parecia até que eu era quem tinha levado o tiro. A casa estava silenciosa, mas não aquele silêncio tranquilo. Era o tipo de silêncio que te deixa mais nervosa do que o barulho. Um silêncio pesado, cheio de coisas não ditas, cheio de tudo o que tinha acontecido minutos antes. Eu conseguia ouvir minha própria respiração, rápida, rasgada. Conseguia ouvir o barulho fraco do ventilador

