CAPÍTULO 54 CAMILA NARRANDO Assim que amanheceu, ele me preparou o café da manhã. Eu senti falta dele na cama. O espaço ao meu lado ainda estava quente, como se o corpo dele tivesse saído dali há poucos minutos. Fiquei um tempo deitada, encarando o teto, tentando organizar o que eu sentia. Não era confusão. Também não era arrependimento. Era uma espécie de calma inquieta, dessas que não deixam a gente relaxar completamente. A noite ainda estava grudada em mim. Não só no corpo, mas na cabeça. No jeito como tudo aconteceu sem pressa, sem jogo, sem necessidade de fingir que era menos do que foi. E agora, com o dia claro entrando pela janela, eu percebia que o que mais me afetava não tinha sido a intensidade. Tinha sido o cuidado. Ouvi o som baixo da cozinha. Talheres, água, algo sendo

