CAPÍTULO 41 GB NARRANDO Não foi o tiro que eu senti primeiro. Foi o impacto. O chão vindo rápido demais, o corpo perdendo peso antes mesmo de entender o que estava acontecendo. Depois o gosto de ferro na boca. Um zumbido forte, como se alguém tivesse ligado um motor dentro da minha cabeça. Tentei respirar e não consegui. Tentei falar e não saiu nada. A escuridão veio sem pedir licença. Mas não era um escuro vazio. Era um lugar estranho, onde eu não dormia de verdade e também não acordava. Onde o tempo não passava em linha reta. Às vezes parecia segundos. Às vezes parecia uma eternidade inteira. Eu ouvia coisas. No começo, eram só sons soltos. Apitos, passos, vozes misturadas. Tudo distante, como se viesse debaixo d’água. Eu tentava alcançar, mas quanto mais tentava, mais escorre

