CAPÍTULO 24 CAMILA NARRANDO O silêncio não veio de uma vez. Ele foi chegando devagar, quase educado, como quem não quer assustar — mas acaba ficando tempo demais. Na manhã seguinte, acordei sozinha. O quarto ainda guardava o cheiro dele, misturado com o meu, e aquilo foi mais c***l do que qualquer ausência declarada. O lado da cama onde ele tinha dormido estava frio, mas meu corpo jurava sentir o peso dele ali. Como se ele tivesse ido embora apenas fisicamente, esquecendo de avisar o resto de mim. Esperei. Não por mensagem — por coragem. Ela não veio. O dia passou estranho. O segundo também. E, quando a semana acabou sem nenhuma tentativa, nenhuma palavra, nenhum gesto… eu entendi que aquele silêncio não era distração. Era escolha. Eu não procurei. E ele também não. Passei dias

