CAPÍTULO 40 CAMILA NARRANDO Já faz uma semana que ele está em coma. Uma semana desde que o mundo resolveu parar no mesmo segundo em que os olhos dele se fecharam. Uma semana de monitores apitando, de protocolos seguidos à risca, de exames repetidos, de tentativas cuidadosas e esperançosas. Já fiz todos os procedimentos indicados, todos. Estímulos sonoros, táteis, mudanças de decúbito, fisioterapia passiva, controle rigoroso de sedação, avaliações neurológicas diárias. Nada. Absolutamente nada. E essa ausência de resposta aperta cada vez mais o meu peito, como se alguém estivesse lentamente fechando a mão em volta do meu coração. Não é um aperto de desespero imediato — é pior. É contínuo. Silencioso. Cansativo. Eu passo a maior parte do tempo sentada ao lado da cama dele, mesmo quand

