encontro proibido

1711 Words
no dia seguinte. Luis Enrique chegou cedo no grupo de apoio a vítimas de violência. ele era voluntário desde que voltou para a cidade. Amy frequentava aquele lugar. era lá que ela fazia terapia. porém, ela só ia nas quintas feiras, enquanto Luis Enrique trabalhava lá no final de semana. naquela manhã, Amy estava de folga. ela sempre teve a mania de acordar cedo mesmo não tendo que ir trabalhar. estava frio lá fora, garoando. Amy tinha esquecido o seu casaco no prédio do grupo de apoio a vítimas de violência. após preparar o café da manhã, ela foi correndo até o prédio. dentro do bolsa do casaco estava algo importante que ganhou da sua mãe antes dela morrer. um colar com um coração pendurado, de cor prateada. tinha uma foto lá. de Amy quando era criança e os seus pais. ao chegar no prédio, Amy entrou rapidamente no elevador. ao chegar no andar que ela queria, ao abrir a porta do elevador. ela o ver. era ele, Luis Enrique. os dois se olham sem parar, surpresos por se verem alí, naquele dia. algo que eles não imaginavam que aconteceria. _ você? (disse ela, nervosa, com o coração acelerado, sem conseguir tirar os olhos dela dos olhos dele) _ eu não esperava te ver aqui! (disse Luis Enrique) _ nem eu! (responde Amy) - eu vim buscar algo que esqueci! _ isso? (disse ele mostrando o casaco que estava em suas mãos) _ é! (responde ela pegando o casaco rapidamente e tirando o colar do bolso, aliviada) _ você está bem? (pergunta Luis Enrique) _ sim! (responde ela) - o que está fazendo aqui? _ eu trabalho aqui. sou voluntário. (responde Luis Enrique) - também trabalha aqui? _ não. (responde Amy com a voz baixa) - eu preciso ir. Amy voltou para o elevador. Luis Enrique também entrou no elevador. as portas se fecharam. Amy estava nervosa. ela sentia algo estranho quando estava perto dele. algo inexplicável. o seu coração batia muito rápido deixando a sua respiração ofegante. Amy evitava ter muito contato com homens, más, dessa vez, a sua fuga era por outro motivo. algo que ela não conseguia entender. de tanto nervosismo, ela acabou derrubando o celular no chão. os dois abaixaram para pegar o aparelho ao mesmo tempo e acabaram tocando as mãos. várias segundos de mãos dadas, olhando no olho do outro. era uma sensação indescritível para os dois. seus rostos foram se aproximando, agora já podiam sentir a respiração do outro. com suas testas coladas, Amy fechou os olhos. más, antes que algo a mais podesse acontecer, o elevador parou e a porta abriu. os dois se afastam rapidamente e levantam do chão, fingindo normalidade. duas pessoas entram no elevador. Amy sai rapidamente de lá. enquanto caminhava na rua, lembrava do que havia acabado de acontecer (ou quase) ela não o conhecia, mas, tinha algo nele que a atraía. que fazia ela querer estar perto dele, por más que sentia que aquilo poderia ser perigoso. ao atravessar a rua, ela esbarrou em Marcos. _ desculpa? (disse ela tentando se acalmar) _ não precisa se desculpar. tudo bem? (diz Marcos com um sorriso no rosto) _ sim, estou bem. (responde Amy) _ você me parece nervosa. aconteceu alguma coisa? (questiona Marcos, como sempre olhando fixamente para ela) Amy desviava o olhar sempre que podia. _ quer tomar um café? (pergunta ele) _ não, obrigada, eu estou com pressa. eu preciso voltar para casa. (responde Amy) a gente se ver! _ tomara! (responde Marcos) Amy voltou para casa sentindo aquele turbilhão de emoções. ao chegar, ela se jogou no sofá. suas irmãs (Cibele e Liliana) tomavam o café da manhã. _ onde você foi? (pergunta Cibele) _ eu fui buscar algo que eu esqueci! (responde Amy) _ a tia Helena esteve aqui, ela queria te ver. (disse Cibele) _ depois eu ligo pra ela. (responde Amy levantando do sofá, suspirando) _ o que aconteceu? (pergunta Liliana curiosa) _ nada. porque a pergunta? (questiona Amy) _ você está suspirando, mas, não está angustiada dessa vez. (responde Liliana) - você está apaixonada? _ você está apaixonada? (reforça a pergunta Cibele) _ claro que não. (responde Amy tentando disfarçar) _ está sim. (disse Cibele) - quem é? a gente conhece? Amy pegou a sua câmera fotográfica nas mãos e começou a limpá-la. ela pensou um pouco. _ nem eu o conheço direito! (disse Amy) _ como assim? (pergunta Cibele) _ eu o vi duas vezes. _ ele é bonito? (pergunta Cibele empolgada) _ ele é lindo. (responde Amy suspirando novamente) - eu não sei o que ele faz, mas, me faz querer ficar. eu não sinto vontade de fugir. eu não tenho medo. _ isso é muito bom. (disse Liliana) - ele também gosta de você? _ eu não sei, às vezes eu penso que sim, mas, ele me parece pertencer a um mundo muito diferente do meu. (responde Amy) _ ele tem grana? (pergunta Cibele) _ é o que parece. más, é voluntário no grupo de apoio. eu não entendo. (disse Amy pensativa) - as vezes eu penso que já o conheci antes. mais tarde... A cozinha estava silenciosa naquela tarde, iluminada por uma luz dourada que atravessava as cortinas rendadas. O cheiro de café fresco preenchia o ar, mas Amy m*l percebia. Ela estava sentada à mesa, os dedos entrelaçados com força, como se segurasse um segredo grande demais para o peito. A tia Helena percebeu. — Você está assim desde que chegou… — disse ela, sentando-se à frente da sobrinha. — O que está acontecendo, meu bem? Amy respirou fundo. O nome parecia queimar na ponta da língua. — Tia… eu… — Ela engoliu seco. — Eu acho que estou apaixonada. Os olhos da tia se suavizaram, mas havia também uma ponta de preocupação. — Por quem? Amy sentiu o coração acelerar. Só de pensar nele, seu corpo reagia como se ele estivesse ali. — Pelo Luis Enrique. O nome saiu quase como um sussurro. Tia Helena inclinou levemente a cabeça. — O rapaz que você conheceu há pouco tempo? Amy assentiu, o olhar distante, mas brilhando. — Eu sei que parece loucura. Eu sei que é recente demais… mas quando ele está perto, eu me sinto… segura. — A voz falhou um pouco. — E isso é tão estranho pra mim. Depois de tudo… eu nunca achei que fosse me sentir assim de novo. Ela apertou as mãos, nervosa. — Ele me olha como se eu fosse inteira, tia. Como se eu não fosse aquela garota quebrada que saiu de um cativeiro e nunca conseguiu juntar todas as peças. O silêncio que se seguiu foi delicado. — E ele sabe do que você sente? — perguntou a tia com cuidado. Amy sorriu de lado, tímida. — Acho que sim. Quando ele me toca… é como se o mundo parasse. Eu sinto medo, mas ao mesmo tempo… eu quero ficar. Eu quero tentar. — Seus olhos marejaram. — Eu não queria me apaixonar. Não tão cedo. Não depois de tudo. Tia Helena segurou as mãos dela com firmeza e carinho. — Amor não pede permissão, Amy. Ele simplesmente acontece. Amy deixou uma lágrima escapar. — E se eu estiver errada? E se eu estiver me iludindo? Eu ainda tenho tantas sombras dentro de mim… — Então você enfrenta essas sombras com alguém ao seu lado — respondeu a tia com suavidade. — Mas só se ele for digno de caminhar com você. Amy respirou fundo outra vez. — Ele é diferente, tia. Eu sinto isso. Quando estou com ele, o passado fica mais distante… como se eu pudesse, finalmente, ter um futuro. Ela levou a mão ao peito. — Eu estou apaixonada. De verdade. E pela primeira vez desde o sequestro, Amy não parecia assustada ao dizer isso. Ela parecia viva. O bar estava quase vazio naquela noite. A música tocava baixa, e as luzes amareladas criavam sombras suaves nas paredes. Luis Enrique estava encostado no balcão, o copo intacto diante dele. Ele não tinha bebido nada. Mateo, seu melhor amigo desde a adolescência, observava em silêncio. — Você está estranho — comentou Mateo, cruzando os braços. — E não é pouco. Luis soltou um riso curto, nervoso. — Eu sei. Silêncio. — É por causa dela, não é? Luis fechou os olhos por um segundo. O simples fato de ouvir aquilo fez seu peito apertar. — É a Amy. Mateo arqueou as sobrancelhas. — Você está muito envolvido? Luis passou a mão pelo cabelo, inquieto. — Mais do que eu deveria. Ele respirou fundo, como se confessar fosse um salto no escuro. — Eu estou apaixonado por ela. As palavras ficaram suspensas no ar. Mateo ficou em silêncio por alguns segundos, analisando o amigo. — Apaixonado… ou obcecado? Luis ergueu os olhos imediatamente, sério. — Apaixonado. — A voz saiu firme. — Eu penso nela o tempo todo. Quando ela sorri, parece que alguma coisa dentro de mim… se acalma. E eu não sabia que ainda existia algo em mim que pudesse se acalmar. Ele engoliu seco. — Ela confia em mim, Mateo. Quando ela me olha daquele jeito… como se eu fosse alguém bom… — a voz falhou. — Você não faz ideia do que isso faz comigo. Mateo percebeu o peso por trás daquelas palavras. — E isso é bom ou perigoso? Luis ficou em silêncio por alguns segundos, encarando o próprio reflexo no espelho atrás do bar. — É as duas coisas. Ele apoiou os cotovelos no balcão. — Eu nunca quis machucar ela. Nunca. Mas agora… — ele respirou com dificuldade — agora eu quero proteger. Quero cuidar. Quero ser alguém que ela possa amar sem medo. Mateo suspirou. — Você está entrando em um território complicado. Luis assentiu lentamente. — Eu sei. Mas quando ela segura minha mão… parece que o mundo inteiro para de cobrar quem eu fui. Ele fechou os olhos, vulnerável. — Eu estou apaixonado por ela de um jeito que me assusta. Porque, pela primeira vez, eu tenho algo a perder. Mateo bateu de leve no ombro dele. — Então decide que tipo de homem você quer ser para merecer isso. Luis ficou em silêncio, absorvendo aquilo. No fundo, ele já sabia. Estava apaixonado. E isso mudava tudo.
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