no dia seguinte. era bem cedo, estava frio. Amy acordou cedo como sempre, preparou o café da manhã, se arrumou e saiu para trabalhar. ela era assistente da dona de uma galeria de artes.
sua amiga (Clara) também trabalhava na galeria. antes de entrar para o trabalho, as duas sempre iam no café pôr o "papo em dia."
_ você parece flutuante? o que aconteceu? viu um passarinho verde? (pergunta Clara notando o olhar distante de Amy)
_ não...eu só...eu estou um pouquinho aleatória.
_ o que aconteceu? (pergunta Clara)
_ eu não sei exatamente o que aconteceu. (responde Amy ainda com aquele olhar distante)
_ como assim? (questiona Clara ainda confusa - ela conhecia muito bem a história de Amy, o sequestro, o trauma. então ela evitava ser invasiva)
_ ontem eu fui pra terapia. eu tive vários fragmentos de memória...eu não sei o que acontece comigo. (disse ela abaixando a cabeça e suspirando angustiada)
_ quer conversar sobre isso? (pergunta Clara segurando numa das mãos de Amy) _ só se você quiser.
Amy respira fundo, passa as mãos nos cabelos e depois no rosto.
_ eu vejo portas trancadas, corredores estreitos, sombras, escuto passos no chão de madeira, eu sinto o cheiro amadeirado, um cheiro forte de café... más, nada muito claro. (responde ela suspirando angustiada) - eu não vejo o rosto do sequestrador, eu não sei o que aconteceu, eu não sei de nada.
_ calma. (disse Clara)
_ às vezes eu... sinto que preciso lembrar de algo específico, de algo muito importante. antes...eu fugia das memórias, e agora, as memórias fogem de mim. (disse Amy)
_ você vai conseguir! (disse Clara voltando a segurar a mão dela) - fica calma, tá?
enquanto isso, na outra parte da cidade. Luis Enrique volta para a sua casa pela manhã. ele sempre preferia ficar no seu apartamento, principalmente após a separação dos seus pais.
_ bom dia, Luis Enrique? (disse verônica a madrasta dele) - o seu pai voltou, ele estava mesmo perguntando por você.
_ o que ele quer? (pergunta ele visivelmente irritado com a volta do pai)
_ porque não gosta que o seu pai esteja por perto, querido? (questiona Verônica) - o Bruno irá trabalhar com ele.
_ boa sorte pra ele! (disse Luis Enrique sem pensar duas vezes)
Alejandro Navarro, o pai de Luis Enrique desceu as grandes escadas da mansão. os dois se encaram por alguns segundos. o silêncio era assustador, más, queria dizer muitas coisas.
_ pelo o visto voltamos ao mesmo tempo hein? que coincidência! (Alejandro)
_ eu não acredito em coincidência vindo da sua parte! (responde Luis Enrique o encarando fixamente)
percebendo a tensão na sala de estar, verônica resolve se retirar. deixando os dois a sós.
silêncio novamente.
_ o que está acontecendo com você, meu filho? (pergunta Alejandro)
_ não seja cínico, papai. o senhor sabe muito bem o que está acontecendo. (responde Luis Enrique tentando manter a calma)
_ ainda falando do Leandro Guevara, meu filho? aquele homem desapareceu há seis anos atrás... esqueça ele. (disse Alejandro se sentando no sofá, muito calmo)
_ ele não desapareceu, ele morreu. eu matei ele e o enterrei no parque. (disse Luis Enrique)
_ ninguém mais sabe disso. só quem sabe disso são, você, eu e pessoas que não ganhariam nada falando sobre isso. (responde Alejandro, ainda tranquilo)
_ aquela garota.
_ aquela que você deixou fugir? não se preocupa com ela, está morta. (disse Alejandro)
_ tem certeza que ela está morta? (questiona Luis Enrique, curioso. ele queria saber se a pessoa que ele viu no flashback que teve se tratava mesmo da mesma jovem que ele viu na cafeteria)
_ porque a pergunta agora? (pergunta Alejandro curioso)
_ eu só quero ter certeza que acabei com duas vidas e com duas famílias num curto intervalo de tempo. (responde Luis Enrique)
Alejandro Navarro pensou um pouco.
_ sim, você fez isso, mas, quase falhou. (responde) - eu espero que esqueça essa história e vivemos felizes para sempre, como sempre deveria ter sido.
Amy e clara saem da cafeteria para irem até a galeria. no caminho, Clara percebia a tensão de Amy, principalmente quando via crianças brincando na rua. era desconfortável para ela.
as duas entram na galeria e Amy se afastou. Clara resolve dar um tempo pra sua amiga respirar.
Júlia a, outra amiga de Amy que também trabalhava na galeria chegou perto dela sorridente. Marcos um médico sorridente e bondoso estava com ela.
_ Amy? você lembra do Marcos? (disse Júlia)
_ Oi Amy, como vai? (disse Marcos estendendo a mão pra ela)
Amy o cumprimentou.
_ Oi Marcos.
_ acho que você não lembra muito de mim. (disse Marcos percebendo a confusão no olhar de Amy)
_ não, exatamente! (responde Amy, confusa)
_ eu sou o médico que cuidou de você após...o sequestro! (responde ele)
Amy mudou o semblante no rosto. estava desconfortável.
_ não se preocupe, eu não vim falar sobre isso. eu só queria te cumprimentar. você parece ótima. (disse Marcos sem tirar os olhos de cima dela)
_ obrigada! (responde ela ainda desconfortável)
Marcos olhava alguns quadros, Amy estava com ele o tempo todo, mostrando quadro por quadro. Marcos não tirava os olhos de cima dela nem por um minuto. estava sempre sorrindo. Amy estava ficando sem graça, mas não era desrespeitoso, ele era um cavaleiro.
porém, Amy não parava de pensar em Luis Enrique, ela só o havia visto uma vez, más, sentia coisas inexplicáveis. aquele olhar, aquele voz, o toque. o momento do quase. ela não entendia o que estava sentindo e porque estava sentindo aquilo.
enquanto Luis Enrique estava no carro, dirigindo em alta velocidade. ele não sabia se aquela garota do sequestro era Amy, ou tinha sido algo da cabeça dele por está pensando demais nela.
ele não sabia onde encontrá-la, mas, sabia que precisava vê-la. era um sentimento que ele não conhecia e não sabia nomear. não tinha seu telefone, não sabia onde ela morava e nem onde trabalhava e isso estava deixando ele louco e obsessivo. só tinha um apelido, Amy.