QUARTA-FEIRA, 24 DE JUNHO DE 1942

321 Words
Querida Kitty: Está o maior calorão. Todos estão bufando e exaustos, e neste calor eu tenho que andar a pé. Só agora compreendo o prazer de andar no b***e ou nos carros abertos, mas esse luxo não é mais permitido para nós, os judeus. Temos de nos contentar com nossos próprios pés. Ontem, na hora do almoço, tive de ir ao dentista na Jan Luykenstraat. É longe da nossa escola, na Stadstimmertuinen. Na aula da tarde, por pouco não dormi. Felizmente há pessoas amáveis que nos oferecem de beber mesmo sem pedirmos nada. A ajudante do dentista é realmente gentil. Só um meio de transporte ainda nos é permitido: a barca. O barqueiro no cais de Joseph-Israel nos leva para a outra margem. Não é por culpa dos holandeses que a vida é dura para os judeus. Ai, se não precisasse ir para a escola! Durante as férias da Páscoa roubaram minha bicicleta, e o papai levou a da mamāe para uma casa mais segura, de amigos cristãos! Felizmente as férias estão chegando.Mais uma semana e estou livre disso! Ontem de manhã aconteceu-me uma coisa engraçada. Quando passei por aquele lugar onde costumava guardar a minha bicicleta, ouvi alguém me chamar. Olhei para trás e vinha um garoto simpático que, na noite anterior, tinha visto na casa da Eva, uma conhecida minha. Ele é primo em segundo grau dela. Eu achava a Eva legal, e ela é, mas está sempre falando sobre garotos, e isso às vezes fica chato. Um pouco tímido, disse-me o seu nome: Harry Goldberg. Fiquei admirada, não sabia bemo que ele queria de mim. Mas logo descobri. Queria acompanhar-me à escola. -Se voce estiver indo na mesma direção, vou com você - falei. E andamos lado a lado. O Harry já tem 16 anos e sabe contar histórias engraçadas. Hoje de manhã, estava, de novo, à minha espera. Espero que isso continue por algum tempo. Anne.
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