Ainda eram pouco mais de 6 da manhã quando saí do banheiro dando de cara com o Bob, acarieciei suas orelhas me sentindo m*l por não estar lhe dando tanta atenção como antes, mas hoje era um dia que eu não poderia fazer isso, tinha cada segundo dia perfeitamente cronometrado para que nada desse errado.
- Emily! - franzi a testa me perguntando se eu estava ouvindo coisas por ainda estar com sono, mas obtive a certeza de que se tratava do Kevin quando o vi adentrar o quarto com a mesma roupa que havia saído para trabalhar ontem. - Aí está você, não me ouviu chamando?
- Quando chegou? - questionei vendo-o começar a remover suas roupas enquanto suspirava cansado. - Você quer que eu prepare seu café?
- Eu tive um imprevisto ontem... - ele resmungou deitando-se na cama somente de cueca e meias, desviei meu olhar para não me sentir enojada con aquela visão que um dia já me deixou excitada. - Estou cansado de tanto drama. - foi tudo o que ele disse antes de fechar os olhos.
Voltando para dentro do banheiro deixei minha toalha que estava secando meus cabelos ali e saí do quarto silenciosamente fazendo o Bob me seguir para não atrapalhar o sono do Kevin, desci até a cozinha para preparar o café da manhã com um enorme sorriso nos lábios.
Se o Kevin estava daquele jeito era porque havia lidado a noite toda com um Luke triste e desesperado com o sumiço de sua gata, tudo estava indo conforme o planejado.
Eu só precisava comer algo e sair para me produzir, mesmo sem convite eu seria bem recebida por ser a esposa do adorado Kevin Miller, o único detalhe é que eu ainda não sabia como a Elena iria entrar de penetra na festa e se aproximar o suficiente do notebook do meu marido para hackeá-lo.
Assim que terminei de fritar alguns ovos, fui até a geladeira em busca do leite desejando fazer um bom chocolate quente para começar o dia radiante mas o barulho de notificação do meu celular interrompeu minha ação, fui até a mesa pegando o aparelho e estranhando a mensagem que havia ali de um número totalmente desconhecido.
"Este é o número da Melissa?"
Aquilo era muito esquisito afinal quase ninguém no mundo sabia que o meu nome do meio era Melissa, com exceção do Justin, da Elena e... droga, era o Luke!
Por que ele estava me procurando?
Salvei seu número com um nome qualquer e respondi a mensagem confirmando que ele havia mandando mensagem pro número certo.
"Covinhas adoráveis: Me lembrei que quando tomamos café você me deu seu número e me disse que eu poderia mandar mensagem se desejasse."
"Covinhas adoráveis: Espero não estar incomodando..."
Comprimi os olhos me chutando mentalmente por dar meu número, eu não esperava que ele fosse realmente entrar em contato, mas ali estava ela achando que éramos amigos.
O que de certa forma era maravilhoso, ele achava que a moça do cachorro com quem tomou café duas vezes era confiável, o que me preocupava visto que era claro que seus instintos estavam com defeito mas também contribuía muito com meu plano já que seria mais fácil de me aproximar, eu só precisava ser bastante prestativa.
"Emily: Você nunca incomoda, na verdade fico feliz que tenha me mandado mensagem."
Enviei rapidamente sem pensar muito para não me arrepender, continuei preparando meu café da manhã enquanto aguardava uma resposta sua.
"Covinhas adoráveis: Não quero parecer chato, mas estou precisando muito de uma amiga para conversar...
Alguém que não me julgue, entende!?"
Levei os ovos a boca me perguntando se ele queria chorar em meu ombro por sua gata sumida ou se era outra coisa, talvez uma briga com seu namorado perfeito.
"Covinhas adoráveis: Podemos nos encontrar hoje?"
Luke claramente estava colaborando muito bem com meu plano, engolindo rapidamente a comida digitei uma resposta e me levantei da mesa.
"Emily: Estarei em sua casa em uma hora."
Eu não podia correr o risco dele mudar de ideia e não querer mais compartilhar comigo o que estava acontecendo, eu só precisava fazer tudo rápido para não acabar atrapalhando minha agenda.
Como eu ainda precisava manter as aparências de boa e submissa esposa, preparei o café da manhã do Kevin e deixei um bilhete o avisando que precisava ir ao mercado mas que voltaria logo.
- Luke? - o chamei enquanto me esgueirava para dentro a procurando com os olhos. - Luke? Não é muito seguro deixar a porta aberta assim, algum maníaco pode entrar.
- É um bairro familiar... - Luke comentou surgindo da cozinha, sorri sem graça para ele e fechei a porta atrás de mim. - Não tem como maníacos andarem por aqui e serem estúpidos o bastante de mexer com um policial. - assenti concordando mesmo que considerasse que para um policial ele não tinha bons instintos. - Eu estou deixando a porta aberta para a Jane. - sua voz soou estranhamente afetada ao pronunciar a última frase.
O observei caminhar até o sofá e se sentar como se acabasse de voltar de uma guerra, arrisquei me aproximar prevendo que ele falaria da gata.
- O que houve com você? - perguntei em meu melhor tom amigável querendo demonstrar que ele podia confiar em mim, me sentei ao seu lado esperando que ele não começasse a chorar.
- A Jane saiu de casa ontem, e bom, ela não costuma fazer isso então eu fiquei muito preocupada... - seus olhos encheram de lágrimas e sua voz foi ficando cada vez mais baixa a cada palavra pronunciada, o que já era esperado, eu só não esperava que fosse me sentir m*l com a sua dor. - Eu acabei ligando para o James, perguntei se podíamos procurá-la pelo quarteirão.
Um estranho aperto no coração me fez levar a mão sutilmente ao peito como se aquele ato pudesse amenizar a dor.
- É uma ótima ideia, talvez ela apenas saiu para passear, eu posso ajudá-la a procurar se quiser.- murmurei tentando ser otimista pelo homem porém ele apenas negou.
- O problema não é este, é que eu achei que ele se importava comigo...
Escondi o meu sorriso ao notar que o problema era o Kevin e não a gata que sequestrei.
- Ele me ajudou a procurar a Jane por horas mas não parou um segundo de reclamar sobre como poderíamos fazer coisas melhores do que gastar nosso tempo procurando um animal que deveria estar morto... - suas lágrimas caíram sem pudor, engoli a seco me sentindo horrível por causar dor nele.
Eu não sei o que seria de mim se alguém arrancasse o Bob dos meus braços repentinamente, e eu fiz aquilo com ele sem nem me importar em como lhe machucaria.
- A Jane é importante para mim, ele poderia ao menos fingir que tudo para ele não se resume a sexo, poderia ter um pouco mais de consideração... - Luke limpou suas lágrimas com os punhos de maneira violenta e fungou algumas vezes antes de prosseguir. - Ao invés disso ele simplesmente foi embora ontem a noite chateado comigo e nem atende minhas ligações.
O sentimento de remorso misturou-se ao estranho desejo de acolher aquele homem em meu colo e fazer de tudo para que ele nunca mais chorasse, eu não achei que fosse possível me simpatizar tão facilmente afinal ele era o amante do meu marido, mas estando em sua frente era difícil enxergá-lo assim.
Ele era muito mais do que aquilo e uma parte de mim queria descobrir mais sobre ele apenas porque parecia bom, sua presença me causava uma esquisita sensação de conforto e por um instante eu apenas quis lhe retribuir aquilo.
- Não ouse se desculpar. - murmurei levando minhas mãos as suas bochechas fazendo-o erguer os olhos para me encarar. - Eu não tenho noção de como esteja m*l nesse momento e você deveria ter ao seu alguém ao seu lado que te entenda e apoie, eu sinto muito que tenha estado sozinho ontem... - passei meu polegar suavemente por sua bochecha para secar suas lágrimas, sorri compreensiva enquanto continuava a olhá-lo. - Eu fico feliz que tenha me chamado, eu estou aqui para o que precisar.
Pela primeira vez desde que cheguei Luke sorriu, um brilho indecifrável cruzou seus olhos e antes que eu pudesse reagir ele se aproximou rapidamente e me envolveu em um abraço apertado, levei alguns segundos mas prontamente retribui.
- Obrigada por estar aqui, Melissa.