capítulo 2

667 Words
Assim que Alonso saiu, eu fiquei alguns minutos em silêncio. Depois levantei, fui até o banheiro e tomei um banho demorado, tentando deixar para trás mais uma noite naquele lugar. Me arrumei, peguei a parte do dinheiro que era minha e, como todos os dias, entreguei a porcentagem que o clube exigia. Era uma rotina que eu conhecia bem. Mas naquele dia existia uma diferença. Eu sabia que faltava pouco. Pouco para finalmente sair dali. Peguei minhas coisas e deixei o Sexy Love para trás. O dia seria corrido. Segui direto para a casa da minha mãe. Quando abri a porta, encontrei aquele lugar simples que sempre me trazia paz. — Oi, mãe. Ela abriu um sorriso ao me ver. — Oi, princesa. Como você está? — Estou bem, mãe. E a senhora? — Estou bem, filha. Ela me olhou com carinho e depois perguntou: — E o clube, filha? Respirei fundo antes de responder. — Está fluindo, mãe. Ontem eu tive um cliente muito... diferente. Ela percebeu meu sorriso discreto, mas não perguntou nada. — Falta pouco para eu sair daquele lugar e começar a atender em casa. Minha mãe sorriu aliviada. — Quanto falta da dívida, filha? Eu abaixei o olhar por um instante. — Trinta mil reais, mãe. Ela segurou minha mão. — Então está perto. Assenti. — Quando eu conseguir pagar, vou poder atender em casa. Só meus clientes fixos, sem aquele perigo, sem precisar me cansar tanto. Minha mãe respirou aliviada. — Que ótimo, querida. Isso é o que importa. Eu não vejo a hora de você estar livre de lá. Eu sorri emocionada. — Nem eu, maezinha... nem eu. Ficamos alguns minutos conversando, até que olhei o relógio. — Bom, preciso ir para casa descansar um pouco. Minha mãe me abraçou forte antes de eu sair. E naquele abraço eu senti uma coisa que eu quase tinha esquecido. Esperança. No caminho até minha casa, parei no mercado. Fiz algumas compras simples, pegando apenas o necessário. Passei pelos corredores pensando na vida que eu queria construir depois que saísse daquele lugar. Antes de ir embora, passei por uma prateleira e meus olhos pararam em uma coisa. Chocolate. Eu sorri sozinha. Fazia tempo que eu não comprava algo apenas porque eu queria, sem pensar se aquele dinheiro faria falta depois. Peguei o chocolate e coloquei na cesta. Era um pequeno prazer, mas naquele momento significava muito. Quando cheguei em casa, deixei as compras na cozinha e fui direto até o meu cofre. Abri com cuidado e guardei o restante do dinheiro que tinha conseguido juntar. Cada nota ali representava noites difíceis, esforço e a promessa de uma vida diferente. Depois preparei meu café da manhã. Sentei à mesa em silêncio, saboreando aquele momento de paz que eu raramente tinha. Quando terminei, meu corpo finalmente cobrou o cansaço. Fui até o quarto, deitei na cama e, em poucos minutos, apaguei. Enquanto eu dormia, do outro lado da cidade... Alonso estava em seu escritório. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ele não conseguia se concentrar nos negócios. A imagem dela continuava voltando à sua mente. Ele sorriu sozinho. Era estranho. Ele sempre foi o tipo de homem que não se prendia a ninguém. Acostumado a viver rodeado de mulheres, quando se cansava de uma rotina, simplesmente procurava algo novo. O clube sempre foi apenas uma distração. Uma noite. Uma história sem importância. Mas ele não esperava encontrar uma mulher como ela. Aquela ruiva de olhos marcantes. Linda, sim. Mas não era apenas a aparência que tinha mexido com ele. Era a forma como ela falava. Como escondia sua dor atrás de um sorriso. Como, mesmo vivendo aquela realidade, ainda tinha sonhos e planos. Ele encostou na cadeira e soltou uma risada baixa. — O que você tem, afinal? Ele mesmo não sabia responder. Porque naquela noite ele não encontrou apenas uma mulher no clube. Ele encontrou alguém que conseguiu despertar uma curiosidade que ele nunca tinha sentido antes. E isso deixava Alonso completamente intrigado.
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