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Morro dos Prazeres Desejo sobre contrato

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intro-logo
Blurb

Valentina é a lei no asfalto. Uma advogada brilhante que acredita que a justiça pode vencer qualquer terno caro. Mas ela cometeu um erro fatal: cruzou o caminho de Francisco Gomes e mexeu em um ninho de víboras. Agora, sua cabeça tem um preço.

O Ceifador é o caos no morro. Um homem moldado pelo lixo, pelo ódio e pelo sangue. Ele não carrega misericórdia, carrega um rosário de crânios onde cada conta é uma alma que ele enviou para o inferno. Ele foi contratado para silenciá-la. Para dar um fim definitivo à "Doutora".

Mas quando o predador finalmente encontra a presa, o contrato de morte se transforma em um pacto de posse. Francisco quer o corpo dela enterrado; o Ceifador a quer viva, ajoelhada aos seus pés, governando o seu inferno particular.

Ela é a luz que ele quer apagar. Ele é a escuridão que ela não consegue evitar.

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PRÓLOGO — O MENSAGEIRO DA MORTE
Ceifador narrando O cheiro de ferro e pólvora queimada é o meu perfume favorito, tem quem prefira o aroma do dinheiro limpo ou de perfume importado, mas, para mim, nada supera o odor do fim, o silêncio que se segue após o último suspiro de um traidor é a única paz que eu conheço. Eu olhei para o corpo estirado aos meus pés, o sujeito ainda tentou implorar, as mãos trêmulas pedindo uma misericórdia que eu não carrego no peito desde os dez anos de idade, agora, ele era apenas carne, apenas um registro no meu caderno e um espaço vago que em breve seria preenchido. Lentamente, enfiei a minha mão no bolso da minha calça cargo. Meus dedos tocaram a superfície fria e polida do pequeno crânio de marfim, era uma peça artesanal, esculpida na dor, retirei o Rosário de Crânios que carregava no meu pescoço meu amuleto, minha maldição, o meu contador de almas. — Santa Morte, senhora do repouso eterno... — sussurrei, a minha voz rouca como o atrito de duas pedras. — Recebe esse lixo que eu te mando. Que o caminho dele seja escuro, porque a luz ele perdeu quando cruzou o meu caminho. Rezo para a morte porque ela foi a única que nunca me abandonou, no meu mundo, o amor é uma fraqueza que te faz sangrar, mas o ódio... o ódio é um combustível que nunca acaba. Enquanto apertava o rosário, o cheiro do sangue fresco me levou de volta, a décadas atrás o cheiro não era de ferro, era de podridão, o lixão da Baixada. Eu era apenas um moleque, um resto de gente abandonado pela mãe que preferiu o vício ao filho, a fome não dói, ela queima, ela te transforma em bicho, eu me lembro do homem que tentou tirar de mim o único pedaço de pão mofado que eu tinha conseguido em três dias, ele era maior, mais forte, exalava cachaça e maldade. Ele me jogou no chão, rindo da minha miséria, naquele momento, algo quebrou dentro de mim, o medo secou o ódio nasceu, puro e absoluto. Minha mão tateou o solo imundo e encontrou uma pedra pontiaguda, pesada, eu não pensei, eu agredi o primeiro golpe abriu a testa dele, o segundo esmagou o nariz, eu continuei batendo até que o rosto dele fosse apenas uma massa disforme de carne e arrependimento, quando ele parou de se mexer, eu não chorei, eu senti um silêncio absoluto a paz do poder. Com uma faca cega que achei entre o lixo, passei horas talhando um osso da costela daquele homem, eu queria um troféu, queria lembrar que, a partir daquele dia, eu não seria mais a presa. Eu seria o Ceifador. — Irmão? O playboy chegou na barreira, tá num blindado preto, escoltado, achando que é o dono da rua. A voz do Letinho, meu sub e braço direito, me trouxe de volta ao presente Letinho era o único cara que não abaixava o olhar para mim, mas respeitava a hierarquia como se fosse uma lei divina. — Ele tá no horário, Letinho. Playboy com medo costuma ser pontual — respondi, guardando o rosário por dentro da camisa. — Qual é a visão, Ceifador? O cara exala dinheiro, mas cheira a problema. Francisco Gomes não sobe o morro pra dar boa noite. — Ele vem comprar uma morte, Letinho. É o que esses caras de terno fazem. Eles dão a ordem, eu dou o fim, e as mãos deles continuam cheirosas, prepara a escolta, se algum segurança dele tossir estranho, faz o morro descer em fogo. Desci a ladeira na minha moto, o ronco do motor ecoando nas vielas, na entrada do morro, o SUV blindado de Francisco Gomes brilhava sob os refletores da barricada, parei ao lado, o cigarro de maconha nos meus lábios, observando os seguranças dele tensos, com as mãos nos coldres, amadores, se eu quisesse, eles estariam mortos antes de piscarem. Sem descer da moto, chutei a porta do carona, o vidro baixou lentamente, revelando o rosto polido e arrogante de Francisco. — Você demora, Ceifador — ele disse, tentando manter a pose. — O tempo aqui é meu, Francisco. Se tá com pressa, o asfalto é logo ali. O que tu trouxe pra mim? Ele me estendeu um envelope pardo, grosso. Dinheiro e informação. — Uma advogada. Valentina, ela está travando meus negócios na Baixada, mexendo onde não deve. Ela é um obstáculo que precisa ser removido. Quero ela morta, sem rastro. Quero que ela suma da face da terra. Puxei o envelope, sentindo o peso do contrato de sangue. — Mais uma vítima da sua ganância? — debochei, soltando a fumaça na direção dele. — Eu não te pago para questionar, pago para executar. Quero o anel dela como prova. E quero que ela sofra. Ela acha que a lei pode me parar... mostre a ela que a sua lei é a única que importa. Francisco partiu, deixando o cheiro de pneu queimado para trás. Voltei para o topo do morro com o Letinho. Entrei na minha casa, e joguei o envelope sobre a mesa. — Vai passar o cerol na doutora, irmão? — Sombra perguntou, limpando o fuzil no canto da sala. — É o que o contrato diz, Letinho. Abri o envelope, a foto deslizou entre meus dedos calejados. Valentina. O impacto foi como um tiro à queima-roupa, olhos castanhos, assimétricos, que pareciam encarar a câmera com uma petulância que me fez apertar o rosário por cima da minha pele, lábios finos, nariz afilado, cabelos ondulados que pareciam feitos a pincel. Ela transbordava uma pureza que não pertencia ao meu mundo de sombras. Francisco queria sua língua, seus dedos, sua vida. Senti algo que nunca senti por um alvo, meus dedos traçaram o contorno do rosto dela na foto, e um calor possessivo, quase doentio, subiu pelo meu pescoço. — Que foi, irmão? Problema? — Letinho se aproximou, notando meu silêncio. — Não é um problema — respondi, a minha voz mais baixa, carregada de uma promessa sombria. — É uma sentença. — A morte dela? Olhei para a foto, depois para o meu rosário, Valentina não era apenas uma missão, ela era um contraste violento com tudo o que eu era, pela primeira vez, o meu rosário parecia errado. — Não, Letinho eu quero que esses lábios finos gritem o meu vulgo. Eu quero que esses olhos percam essa petulância diante de mim, o Francisco quer ela morta... mas eu? Eu a quero viva. — Mas o contrato ... Francisco não é homem de brincadeira. — Francisco é um rato de terno, eu sou o dono do império. Se eu decidir que ela vive, ela vive. Mas ela não vai viver no asfalto. Ela vai ser minha vou arrancar ela daquele mundo de mentiras e enterrar ela aqui, no meu prazer e na minha dor. Sombra me olhou com cautela, ele conhecia o olhar de morte, mas esse olhar de posse... esse era novo esse era perigoso. — Valentina... — sussurrei o nome dela, sentindo o gosto da palavra. — Você não vai virar uma conta no meu rosário. Você vai ser a rainha do meu inferno. Peguei o caderno do bolso. No topo da lista de desafetos, escrevi o nome dela. Mas, ao contrário dos outros, eu não pretendia riscar. Eu pretendia marcar. A caçada tinha começado. E o Ceifador nunca perde sua presa.

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