3° Capítulo

1072 Words
Alessandra Enfim, amanheceu. Acordei exatamente às 05h00 da manhã. Para que tão cedo? Bom, todos sabem que mulheres demoram para se arrumar. Tomei banho e optei por uma blusa social branca, uma calça azul-escura, um cinto marrom para dar um detalhe a mais e um salto preto fechado. Passei a prancha no meu cabelo e usei apenas batom, rímel e lápis de olho. — Titia está bonita! — disse Camilly, esfregando os olhos, o que indicava que tinha acabado de acordar. — Obrigada, meu amor. Vamos tomar café? — Acariciei seu rosto. — Espera, eu tenho que escovar os dentes — levantou da cama, calçou o chinelo e foi até o banheiro. — Claro, toquinho. Enquanto isso, já vou preparando algumas guloseimas — fiz uma careta, e ela deu uma gargalhada. — Titia só pensa em comer, desse jeito vai virar uma baleia! — Camilly gargalhou. — Espera que vou te ajudar a escovar os dentes — disse, rindo e indo ajudá-la. Depois do café, dei banho em Camilly, a arrumei e a levei para a creche. Em seguida, fui para o ponto de táxi, que, por sinal, foi bem rápido. Pensei que demoraria para aparecer um, mas, graças a Deus, não demorou. Eu já estava imaginando que me atrasaria para a entrevista e perderia essa oportunidade. Passei o endereço para o motorista e cheguei dez minutos adiantada. Desci em frente à casa. Ela era enorme, parecia um castelo de tão incrível. Pelas frestas do portão, dava para ver um jardim lindo, tudo absolutamente perfeito. Ficou mais que claro que quem morava ali era cheio da grana. — Senhora, meu pagamento — disse o motorista. Só então percebi que me distraí admirando a casa. — Ah… claro, me desculpe — tirei o dinheiro da bolsa para pagá-lo. — Obrigada, senhor. — Entreguei-lhe o dinheiro e desci do carro. — Disponha — disse ele, saindo. Olhei em volta por mais alguns minutos e, por fim, andei em direção ao portão. Respirei fundo algumas vezes até ter coragem para apertar o interfone. — Olá, é a senhorita que vai fazer a entrevista? — uma senhora perguntou. — Sim, você deve ser a Rute — disse. — Sou eu mesma. Por favor, entre — ouvi um barulho e supus que fosse o portão sendo destrancado. Eu o abri e entrei, caminhando até a porta, onde uma senhora, que imaginei ser a Rute, me esperava. Ela sorriu para mim e abriu espaço para que eu pudesse passar. — Com licença — sorri de forma tímida para ela, que sorriu gentilmente de volta. Um sorriso que parecia dizer: "Respira, está tudo bem". Assim que entrei na casa, não pude deixar de prestar atenção em cada detalhe. Meu Deus, que casa era aquela! — Como a senhorita se chama? — Rute limpou as mãos no avental. — Alessandra Mendonça — sorri. — Vou avisar ao senhor Miller que está aqui — saiu subindo as escadas. O nervosismo tomou conta de mim. Apertei a alça da minha bolsa para tentar aliviar a tensão. — Senhorita, venha comigo — Rute disse. Sorri para ela, sentindo o puro nervosismo. — Claro, Rute — comecei a seguir aquela senhora. Subimos as escadas, e, quanto mais eu andava, mais prestava atenção em tudo ali dentro, e cada vez mais ficava encantada. Paramos na frente de uma enorme porta preta, que, particularmente, achei um luxo. — Sra. Alessandra, aqui vai um conselho: não fica babando pelo Sr. Miller. Sei que vai ser difícil, mas apenas tente — disse Rute, envergonhada, com um sorriso de lado. — O quê? Por que eu iria… — De repente, Rute abriu a porta, revelando o tal senhor Miller, sentado de frente para a janela, com as pernas esticadas e os braços cruzados. Assim que me viu, ele mudou sua postura e também a expressão de seu rosto, que foi de sério para surpreso. — Entendeu agora? — Rute perguntou sussurrando. Balancei a cabeça, afirmando, ainda espantada com tamanha beleza. — Sra. Alessandra? — Ele ergueu a sobrancelha. — S-sim — gaguejei. — Por favor, sente-se. Obrigado por acompanhá-la até aqui, Rute, pode se retirar. — Rute obedeceu e saiu, fechando a porta. Ele ficou me fitando com os olhos, e eu fazia o mesmo. Para mim, o mundo havia parado; aquele homem era um anjo. — Senhorita, você escutou? — Então, eu voltei do transe. — An…? Desculpa, não prestei atenção — corei. — Sem problema — sorriu. — Então, você tem experiência com crianças? — perguntou novamente. — Tenho, eu crio minha sobrinha de três anos e acho que aprendi muito com ela — ele deu um meio sorriso. — Bom, por que quer trabalhar? — Cruzou os braços. — Quero trabalhar para melhorar a vida da minha sobrinha, dar tudo o que ela precisa, os estudos que ela merece, ver os sonhos dela se tornarem realidade. Esse é meu objetivo: trabalhar para conseguir vê-la ser alguém — ele me encarou, e não consegui decifrar seu olhar. — Você pode começar amanhã às 06h00 da manhã em ponto. Esse é o horário que minha filha acorda — arregalei os olhos. — Eu fui contratada? — falei, já sem ar. — Sim — respondeu. Abri um sorriso. Isso foi tão fácil! Fiquei tão animada que levantei da cadeira e, sem nenhum controle sobre mim, corri e abracei meu mais novo chefe. Só depois que a euforia diminuiu que fui perceber a burrada. — Me desculpa de novo, senhor Miller — desfiz o abraço rapidamente. — Não foi nada — ele ajeitou o terno. — E meu nome é Jonas, não Senhor Miller — disse, e eu deixei escapar um sorriso. — Tá bom, Sen...quero dizer, Jonas — ele abriu um sorriso lindo e se sentou novamente. — Quero você livre durante a noite e durante o dia, ok? — Engoli em seco. E como eu faço com meu trabalho na lanchonete? — Ok — tremi. — Ótimo, pode sair — saí de sua sala. Despedi-me de Rute e fui o caminho para casa pensando. Liguei para Bruno, avisei sobre o novo emprego e meu turno na lanchonete mudou para o noturno. Lembrei da fala do senhor Jonas, que ele iria precisar de mim em tempo integral, mas eu preciso desses empregos, não irei largar nenhum dos dois. O único problema é que terei que fazer de tudo para que Jonas não descubra meu segundo emprego. Fácil não é?
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