Capítulo 19

1340 Words
-Estou? -Peguei em meu pescoço. -Sofia, eu posso ver sua perna? -Carla perguntou. Levantei a mesma e coloquei em cima de uma cadeira próxima de nós. Após retirar a faixa, olhou preocupada para mim. -Você está com febre por conta da infecção. Está um pouco pior do que ontem. -E o que temos que fazer? -Perguntei com a cabeça ainda deitada sobre a mesa. -Preciso de antibióticos. Eu já dei uma olhada naqueles que vocês trouxeram, mas nenhum é bom o suficiente, eles não vão fazer com que você se recupere mais rápido. Enquanto não encontrarmos, o melhor a se fazer é você ficar descansando. Ela fechou o ferimento novamente. -Acho que vou fazer isso então. -Me levantei. -Quer que eu vá com você? -Carl perguntou. -Quero. -Ele se levantou também. -Obrigada, Carla. -Saímos. Assim que chegamos no segundo andar, Rosita veio até nós. -Oi, bom, eles deram uma modificada com r*****o aos quartos. O de vocês é a segunda porta a direita. -Obrigada, Rosita. -Sorri pra ela. Ela passou por nós e nós abrimos a porta do nosso novo quarto. É o que tem 2 beliches. Me sentei na beliche ao lado da janela e Carl na que estava logo ao lado da minha. -E se eu tiver que amputar? -Falei após alguns segundos de silêncio. -Aí ficariamos quites, eu sem um olho e você sem uma perna -Riu. Ri também. -Não pensa nisso agora. Você precisa descansar. Assim que acordar, provavelmente já vão ter voltado com os antibióticos, tá bom? -Tá. -Me deitei. -Vai ficar? -Na verdade eu estava pensando em ir junto. Se a Carla decidir ir sozinha, pode ser bem perigoso. -Mas você ainda não está bem ao ponto de poder sair por aí, Carl. -Não se preocupe comigo. Sua perna precisa de cuidados, e eu vou fazer isso por você. -Eu estou bem. -Não, não está. Agora descanse. Agorinha já vou estar de volta. -Se levantou. -Como você é teimoso. -Eu sou. -Riu e veio até mim. -Se cuida. -Beijou minha testa e saiu. Assim que fechei os olhos, a porta se abriu novamente. -Candy. -É Daniel. -Oi. -Olhei para ele. -Entra. Me sentei na cama e ele se sentou ao meu lado. -Fiquei sabendo que sua perna infeccionou. -Me olhou preocupado. Consenti. -Mas me conta, como isso aconteceu? Como levou esse tiro? -Um g***o tinha pegado a Beth, então nós fomos atrás. Só que assim que nós chegamos lá, começou um tiroteio, e uma das balas acabou pegando em mim. -Eu posso ver? Talvez eu consiga ajudar de alguma forma. Retirei a faixa e ele colocou minha perna em cima da sua. -Se você continuar passando o soro e tentar manter esse local bem limpo, não vai demorar muito pra voltar a cicatrizar. -Como sabe? -Perguntei curiosa. -Quero dizer, não duvidando do que você falou, mas é só que estou impressionada. -Exército. Foi necessário aprender esse tipo de coisa para caso acontecesse alguma guerra, estivessemos todos preparados. -Passou a mão em seu cabelo, o colocando para trás. -Onde está o soro? Posso fazer isso pra você. -Minha mochila. Ele olhou ao redor e a encontrou do outro lado do quarto. Se levantou para pega-la. -Vocês conseguiram pegar bastante rémedio. -Sim, eu e Carl encontramos em uma fármacia a caminho daquele local que você e seu amigo nos encontraram. Foi nessa mesma farmácia que chegou aquele cara se auto denominando Negan. Daniel tirou umas gazes e o soro fisiológico da mochila. -Isso foi uma coisa imposta pelo próprio Negan. Assim fica mais difícil de encontra-lo caso você não o conheça pessoalmente. -Passou o soro sobre a gaze e colocou por cima de meu ferimento. A ardência começou a tomar conta de minha perna e eu tentei puxa-la. -Nem pense nisso. -Colocou minha perna em cima da sua novamente. -Mas está doendo. -Mas é pro seu bem. Vai ter que aguentar. Fechei os olhos com força, na tentativa de alguma forma fazer a dor diminuir. -Vou tentar fazer você se distrair. Me fale sobre o Carl. Vocês parecem ser bem próximos. Falar dele fez com que eu rapidamente abrisse meus olhos. -Bom, eu acho que sim. -Consenti torcendo pra ele não perguntar mais nada. -E vocês estão juntos? -Juntos? -Engasguei. -O que? Não, não. Claro que não. -Ri de nervoso. -P-Por que acha isso? Droga, por que eu gaguejei? -Sofia, eu posso ser qualquer coisa menos cego. -Passou a gaze novamente e eu me segurei pra não dar um t**a nele. Talvez isso faça com que ele desista de me fazer sofrer assim. -Olha, não quero dar um de irmão chato, mas você não acha que está muito nova pra entrar em um relacionamento? -Mas eu não estou em um relacionamento. -O encarei. -Fora que eu já tenho dezessete anos. -De qualquer forma, tenha cuidado, está bem? Os meninos as vezes conseguem ser bem idiotas. E se algum dia ele for com você, me avisa. -Parou e se levantou. -Coloca a faixa novamente e descansa. Daqui a pouco volto para ver como você está. -Obrigada. -Vejo você depois. -Saiu do quarto. Carl narrando: Enquanto caminhávamos, pude sentir algumas encaradas vindas de Carla. Não sei o que ela tem, mas já estou começando a ficar incomodado. Pouco tempo depois ela se aproximou de mim. -Como você está? E o seu olho? Bom, em todo caso eu vou dar uma conferida assim que voltarmos para casa. -Sorriu. -Ok. -Continuei caminhando. -Está tudo bem? É que eu percebi que você está bem quieto. Você pode me dizer se estiver sentindo alguma coisa. É sério. Não precisa ficar com vergonha. -Só estou pensando, Carla. Não consigo tirar a Sofia de minha cabeça. Estou bem preocupado. -Em que? Eu também penso bastante. Na verdade eu penso até demais. Mas isso não vem ao caso agora. Me fala, o que estava pensando? -É... Eu não sei. -Sorri na tentativa de fazer ela parar de tentar conversar. E nesse exato momento me veio a cabeça o nosso beijo. Eu realmente queria aprofundar mais, só que eu percebi que ela não estava cem por cento preparada. Talvez ela nunca havia feito isso antes. Mas só de ouvir da boca dela falando que eu podia fazer aquilo que queria desde o primeiro dia que a vi, meu Deus, isso me deixou mais nervoso do que eu estava. -Carl! Ei, estou falando com você. -A voz de Carla me trouxe de volta para a realidade. -Oi. -Olhei pra ela novamente. -Você não ouviu nada do que eu havia falado antes? Neguei e ela olhou para baixo. -Desculpa. Eu só havia lembrado de uma coisa. Ela concordou e continuamos caminhando em silêncio. ### -Aqui. -Beth apontou. -Dentro desse mercado tem uma farmácia. -Fiquem aqui, vou ver se está tranquilo para vocês entrarem. Abri o enorme portão e entrei. Algumas prateleiras estão caídas e as luzes estão piscando, mas não há sinal de zumbis ou de pessoas. -Venham. -Abri o portão novamente para elas passarem. -A farmácia é logo lá no fundo. -Começou a andar até lá. Fui atrás. -Carl. -Carla me chamou. -Eu posso fala com você? -Claro. -Parei e olhei pra ela. -Não, aqui não. Tem que... ser a sós. -Ah. -Enfiei minhas mãos no bolso. -Tudo bem. Então pode ser depois, não? -Sim. É. -Sorriu. -Eu espero. Voltei a andar e entramos na farmácia. Pegamos alguns remédios que encontramos pelo chão e pouco tempo depois fomos embora. ### Assim que chegamos novamente em casa, fui direto para o quarto em que Sofia está. Bati na porta mas como ela não respondeu, entrei em silêncio e a encontrei dormindo. Me sentei ao seu lado na cama e passei a mão em sua bochecha. -Anjinho. -A chamei. -Cheguei. A gente conseguiu encontrar alguns remédios, acho que um deles vai fazer você melhorar. Ela consentiu sem abrir os olhos. -Você está melhor? Consentiu novamente. -Nem está escutando o que estou dizendo, não é? Consentiu mais uma vez e eu sorri e me levantei. Assim que passei pela porta, dei de cara com Carla. -Já posso falar com você?
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