Capítulo 18

2340 Words
Após escutar uma voz bem distante, abri meus olhos e olhei em direção a Carl. -Oi, está tudo bem? Está sentindo alguma coisa? -Me sentei rapidamente. -Estranhamente não estou sentindo nada. Só uma leve dor de cabeça. Deve ser normal, não é? Ou você acha que talvez eu possa estar morrendo? Sorri. -Você não está morrendo, tenho quase certeza disso. -Ainda bem, porque estou com fome. E não tô muito afim de morrer com o estômago vazio. -Cala boca. -Ri mais. -O que quer comer? Posso ir lá em baixo buscar pra você. -Já que perguntou, estou com muita v*****e de comer um Mac bem grandão, e n******e esquecer da batata frita como acompanhamento. -Olha só, desde quando ficou tão engraçadinho? -Bom, já que agora esse trem no meu olho acabou completamente com o meu charme, preciso mudar de tática pra tentar te seduzir. Ri. -Me seduzir? -Tá dando certo não está? Senão eu paro agora mesmo. -Um sorriso leve se formou em seus lábios. -Podemos dizer que sim. -Ufa. -Suspirou. -Já pensei que talvez você fosse me trocar, sei lá, pelo Justin Bieber. -Eu até poderia fazer isso, mas ele não tem uma gaze no olho que o deixou mais atraente que o normal. Sorriu. -Esse com certeza é o melhor elogio que já recebi. Após alguns segundos de silêncio, resolvi falar. -Acho que descobrimos a razão do seu m*l pressentimento. -Me virei para ele. -Eu poderia imaginar qualquer coisa, mas isso... -Sorriu. -Isso não. -Se eu pudesse ter evitado... -Não, foi melhor assim. Fico aliviado por saber que foi em mim, e não em você. Não sei o que faria se fosse em você. -Eu preferiria muito que tivesse acontecido comigo. -Não fala besteira. -Olhou para mim. Permaneci o encarando até perceber o que estava fazendo. -É... -Desviei o olhar. -Eu vou lá embaixo preparar alguma coisa. Me levantei e acendi o abajur. -Vou contigo. -Nem pensar, pode ficar aqui. Você precisa ficar de repouso. -Você também. -Rebateu. -É diferente, Carl. -Não, não é não. -Olha, vai ser bem rápido, eu já volto. -Caminhei até a porta e saí. ### -Voltei. -Falei assim que abri a porta. -Encontrei leite e fiz chocolate quente. -Me aproximei da cama e ele se sentou com uma certa dificuldade. -Aqui, com cuidado. -Lhe entreguei um dos copos. -Obrigado. -Pegou. Assim que me sentei na cama, vi que ele estava encarando a parede com uma cara engraçada. -O que foi? -É estranho enxergar tudo só pelo lado esquerdo. -Olhou pra mim. Fechei um olho também. -É mesmo. -Sorri. -Você pode me contar como que tudo aconteceu? Eu tento me lembrar mas tudo o que vejo é o escuro. -Bom. -Bebi um pouco do leite. -Você estava um pouco à frente de mim, então nós escutamos um barulho de tiro. De primeira eu tinha pensado que não tinha acertado ninguém, mas em questão de segundos você acabou caindo no chão. Então eu percebi que na verdade tinha sim acertado alguém. -Parei um pouco. -Em seguida seu pai te pegou e saiu correndo. Naquele momento eu não sabia o que fazer, foi tudo muito rápido, sabe? Consentiu com o seu olhar focado no edredom, como se tentasse imaginar. -Nós te trouxemos pra cá e assim que você chegou a Carla tentou te manter vivo. Eles não me deixaram entrar então tive que ficar lá fora. Foram longas horas torturantes. -Bom, já eu acabei tendo um sonho com minha mãe. -Sorriu levemente olhando para mim. -Isso foi logo depois de eu basicamente ver toda a minha vida passar por mim. A todo momento eu só conseguia pensar "Não posso morrer, não posso morrer", porque lá no fundo eu sabia que isso estava perto de acontecer. E então, minha mãe apareceu. -Sorriu. -E ela disse que tudo ia ficar bem, e que eu ia voltar. Eu até tentei chegar perto dela, mas ela disse que se eu fizesse isso, nunca mais iria ver a Judith, que nunca mais ia ver você. Então naquele momento eu percebi que não queria aquilo, não queria nunca mais ver vocês. E senti algo diferente dentro de mim, uma coisa nova. Foi então que ela acenou pra mim e sumiu. -Uau, Carl. -Peguei em sua mão que estava livre. -Eu tenho a sensação de que foi isso aqui. -Apontou pra minha mão. -Que me fez ter coragem de voltar. Sorri. -Fico pensando o que eu faria se você não tivesse acordado. -Pensar nisso novamente fez meu coração doer. -Provavelmente ia ficar sozinha, porque eu sou insubstituível. -Sorriu. Esse sorriso me acalma tanto. -Eu sendo emotiva e você tirando sarro da situação. -Ri e limpei uma lágrima que escorreu sem eu querer. -Não chora não, anjinho. -Passou a mão em minha bochecha. -Obrigada por não ter me deixado. -Ei, vem cá. -Colocou o copo do lado da cama e abriu os braços. Coloquei o meu também e me aproximei dele. -Deita aqui. -Se arrumou na cama e eu me deitei ao seu lado e coloquei a cabeça em seu peito. -Se depender de mim eu não vou te deixar. -Promete? -Olhei para cima. -Prometo. -Passou seus braços sobre meu corpo e beijou minha cabeça. ### -Está dormindo? -Me perguntou após alguns minutos que permaneçemos em silêncio, e na verdade não foi nem um pouco constrangedor, estavamos apenas aproveitando a presença um do outro. -Não. -Passei a mão sobre seu braço. -Olha pra mim. Olhei e o vi me olhando. -Eu posso beijar você? -Sua voz saiu em um sussurro. Concordei e ele sorriu. Logo em seguida colocou a mão em minha nuca, me aproximando mais de seu rosto. Fechei os meus olhos e pude sentir seus lábios encontrando o meu. O beijo de Carl é bem melhor do que todas as vezes que nos imaginei fazendo isso. É tão doce, tão suave. Assim que ele se afastou um pouco, senti meu coração ir a mil. Minha respiração está bem mais acelerada do que normalmente. Abri meus olhos e o vi ainda próximo de mim. -Foi muito melhor do que imaginei. -Ele disse e sorriu em seguida. -Com certeza foi. -Comecei a rir. -O que foi? -Colocou a mão em meu rosto novamente. -Não é nada, eu só estou nervosa. -Ri mais. -Sofia. -Me acompanhou. -É por isso que eu gosto de você. Suas últimas palavras me fizeram parar de rir e apenas o encarar. -Você não sente o mesmo por mim? -Eu... -Olhei para baixo. -Eu também gosto muito de você. Ele sorriu e me deu mais um beijo rápido. -Acho melhor a gente dormir, está bem tarde. Consenti e me levantei para apagar o abajur. -Qualquer coisa você pode me chamar, tá? -Deitei novamente. -Só se for pra pedir pra você se aproximar um pouco mais de mim. -Cala boca e dorme, Carl. Escutei sua risada. ### -Bom dia. -Escutei vindo da porta. -Sofia, está acordada? Me sentei na cama ainda sonolenta. -Agora eu tô. -Bocejei. Ela entrou. -Como ele está? -Se aproximou. -Bem. -Olhei na direção de Carl. Ele está dormindo, está com o rosto tão tranquilo, nem parece que levou um tiro ontem. -Ele acordou hoje de madrugada. -Sorri. -E a dor? -Ele disse que não estava doendo, estava só sentindo dor de cabeça. -Essa tarde eu vou dar uma volta com o Glenn, se for preciso a gente passa em todas as fármacias daqui pra encontrar analgésicos. Sorri por sua generosidade. -Obrigada, Maggie. -Agora é bom você levantar, está bem tarde. Estão todos preocupados com vocês. Eu acho que Rick já veio aqui uma dez vezes pra ver se estava tudo bem. -Estou indo, obrigada. Ela saiu e fechou a porta. Me levantei e estiquei o corpo. O dia hoje vai ser bem difícil. Estou sentindo isso. -Oi. -Carl falou me chamando a atenção. -Oi. -Fui até seu lado da cama. -Como se sente? -Com uma dor quase insuportável. Mas tirando isso estou bem. -Fechou o olho e respirou fundo. -Vou pedir pra procurarem por remédios mais fortes. -Peguei em sua testa. -Não está com febre, isso é bom. -Você vai cuidar de mim, não vai? -Passou sua mão sobre a minha que estava em seu rosto. -É claro que sim. -Sorri. -Agora eu preciso que você fique aqui para eu poder encontrar alguma coisa pra ti. -Me dá um beijo, isso vai me ajudar a melhorar. -Sorriu. -Remédios vão te ajudar a melhorar. -Rebati rindo. -Oi. -Viramos nosso rosto juntos. -Acordaram. -É Rick. -Estou vendo que meu filho teve companhia essa noite. -Sorriu. Rick nada discreto. -Sim. -Tentei disfarçar a vergonha. -Eu não quis deixa-lo sozinho. -Tudo bem, obrigado por isso. E você, filho? Como está se sentindo? Vou dar privacidade a eles. -Eu vou indo, o senhor pode ficar de olho nele enquanto isso? Por favor. -Pedi. -Qual é, anjo. Eu não vou fugir. Ri e saí do quarto. Acabei me dando de cara com meu irmão. -Ah, oi. Bom dia. -Oi, candy. Aonde esteve? Te procurei a manhã toda. -Fiquei com Carl. Ele precisava de companhia. -Carl é o que levou o tiro, estou certo? Consenti. -O mesmo que te chama de anjo? Consenti novamente. -Entendo, e me diz mais uma coisinha. -Parou por um segundo. -Vocês dois ficaram sozinhos no quarto? -Ah não, Niel. De novo isso. -O que? -Você vai mesmo ficar se preocupando com isso? -Cruzei os braços. -É claro. Você é minha irmãzinha pequenininha. -Me abraçou. -Não sou mais tão nova assim. -Sorri. -Tem razão. Mas eu não vou aceitar isso. -Fica aí com sua não aceitação. -Me separei. -Vou tomar um banho. -Te amo. -Gritou assim que eu já estava entrando no banheiro. ### Assim que saí do chuveiro, peguei o colar que Carl me deu e fiquei o admirando. Ontem foi uma noite tão perfeita. Apesar de toda a insegurança e o medo de horas antes, poder estar deitada naquela cama bem ao lado dele, foi simplesmente perfeito. Tirei minha atenção do colar e olhei para minha perna. Apesar de todo cuidado que Carla teve, não melhorou nem um pouco. Hoje parece que piorou. Aonde levei um tiro está ficando amarelado e ao redor está mais vermelho. Acho que esse é o momento em que eu devo começar a me preocupar. Fui para frente do espelho e encontrei duas escovas de dentes ainda na embalagem. Peguei uma delas e escovei meus dentes. ### -Por favor me diz que a água está quentinha. -Carl disse assim que cheguei no quarto. -Está sim. -Sorri. -Ufa. -Colocou suas pernas para fora da cama. -Espera, consegue fazer isso sozinho? -Corri para perto dele e peguei em seu braço. -Tomar banho? Bom, você pode me ajudar. -Sorriu maliciosamente olhando para mim. O ajudei a levantar. -Carl, quer parar de fazer isso? Eu tava perguntando com r*****o a se levantar. -Ah. -Riu -Mas já que você citou o banho, não é perigoso fazer isso sozinho? Quero dizer, você vai precisar que alguém fique lá pelo menos pra caso você precise. -Sim, meu pai vai fazer isso. -Tentou ir sozinho até o guarda roupas. -Espera. -Peguei novamente em seu braço e o ajudei a ir até lá. -Obrigado. -Abriu e começou a procurar alguma roupa. -Carl? -Rick entrou no quarto. -Estou aqui. -Pegou a roupa e fechou. -Tem certeza de que o senhor precisa ficar lá? -Saiu resmungando. Fui até minha mochila e a abri. Peguei uma faixa e coloquei sobre o machucado. Em seguida me joguei na cama. Sinto que meu corpo está um pouco m*l. Mas agorinha melhora, tenho certeza. Aqui sozinha agora, só consigo pensar em hoje mais cedo. Estar deitada exatamente nesse mesmo lugar, ao lado de Carl. Puxa, é incrível a capacidade que ele tem de me fazer feliz. Mas... Será que vale a pena eu investir? ### -Eu venci. -Entrou no quarto animado. -Não foi tão difícil como pensei e... -Parou de falar assim que me viu deitada. -Você está bem? -É, sim. Não se preocupe. Fechou a porta atrás de si. -Tem certeza? -Tenho sim. -Sorri. -Vamos descer? Eles devem estar loucos pra ver você. Me levantei e fui para perto dele. Peguei em seu braço e saímos. -Olha só quem está aqui. -Disse Beth assim que chegamos no primeiro andar. Todos nos olharam. -Que bom que está bem. -Maggie veio até nós e abraçou Carl. -Você nos deixou preocupado. -Glenn complementou. Carl apenas sorriu para todos que vieram falar com ele. -Chega de enrolação, venham comer. -Carol pegou do outro lado do braço de Carl. -Eu preparei alguns biscoitos, vocês podem comer. -Obrigada. Entramos na cozinha e vi Michonne preparando algo no fogão. -Precisa de ajuda? -Ofereci. -Hoje a gente decidiu deixar você livre de tarefas. -Maggie disse chegando por trás de nós. -Então, aproveite. Sorri para ela. -Aqui, comam. -Carol pegou os biscoitos do forno e colocou em cima do balcão para nós. -Obrigada mais uma vez. -Coloquei alguns dentro de uma vasilha e chamei Carl para me acompanhar até a parte de trás da casa, já que não conhecia ainda. Assim que chegamos, avistei Beth e Carla sentadas em um balanço para duas pessoas. Nos aproximamos. -Oi. -Beth parou de falar com Carla e sua atenção focou em nós dois. -Oi, bom dia. -Me sentei próximo a elas em uma mesa. -Acordaram tarde. Não dormiram essa noite não? -Beth nos encarou. Olhei para Carl e ele tentou segurar o sorriso. -Bom, é que na verdade, ele acordou de madrugada e ficamos conversando. -Peguei um biscoito e comi, na tentativa de fazer com que ela parasse de fazer perguntas. -Conversando. -Beth riu. Senti uma leve tontura então coloquei a mão na cabeça. -O que foi? -Carl pegou em minha outra mão que estava em cima da mesa. -Tontura. Mas já passou. Estou bem. -Forcei um sorriso na tentativa de tranquiliza-lo. -Mesmo? Quando ia responder, a tontura veio duas vezes mais forte, e isso fez com que eu involuntariamente desse um leve gemido de dor. Abaixei a cabeça na mesa. -Você não está bem, Sofia. -Ele colocou sua mão em minha testa. -Mas você está com muita febre...
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