-Rick, ai meu Deus! -O gritei assim que vi Carl caindo no chão. -Não, não.
Senti meus olhos lacrimejando e não impedi as lágrimas de caírem.
Rick voltou correndo até nós e o pegou no colo, saindo correndo por onde viemos. Fiquei abaixada aonde eu estava e Daniel pegou em meu ombro.
-Candy, vem. Temos que correr.
Não consegui me mexer. Sinto como se meu coração tivesse sido arrancado do peito.
Ele levou um tiro na cabeça. Ele levo um tiro na cabeça!
Meu Deus, ele n******e morrer.
Enquanto sentia meu choro começar a ficar descontrolado, Daniel colocou sua mão em meu ombro.
-Ele n******e morrer. -Sussurrei. -Ele n******e morrer, n******e morrer. -Passei as mãos no cabelo.
-Sofia, precisamos ir também. -Tentou me levantar mas meu corpo simplesmente se recusava a fazer isso. -Olha, temos que correr. Só assim ele pode ter chance de sobreviver. -Concordei e peguei a minha a**a pois vi 3 zumbis vindo em nossa direção. Atirei nos 3 e no último fiquei atirando até a bala acabar. Meu irmão me abraçou por trás como se eu fosse desmoronar a qualquer momento.
-Eu não consigo.
Quando ia acrescentar, balas foram disparadas logo atrás de nós, e isso fez ele me puxar pelo braço e começar a correr. Tropecei algumas vezes mas logo consegui me equilibrar mais uma vez.
-Por favor me diz que ele pode sobreviver. -Falei enquanto secava as lágrimas da bochecha.
-Se vocês tiverem um médico e equipamentos, talvez sim.
-Temos a Carla, ela não é uma médica de verdade mas acho que dá conta. Pegamos alguns remédios e curativos na farmácia ontem.
Continuamos correndo e finalmente conseguimos alcançar Rick, Glenn e Daryl.
-Cachinhos dourados, toma, fale com o Abraham, veja se eles já encontraram um lugar novo. -Ele me entregou um walkie talkie.
Concordei e liguei.
Abraham, sou eu Sofia, Carl levou um tiro. Queremos saber se já encontraram uma casa.
Sim, encontramos, estou voltando para a lojinha para buscar as pessoas.
Já buscou algumas?
Sim, essa é a minha segunda viagem.
Quem são as que você buscou?
Michonne, Carla, Eugene, Tara, Rosita e Tyreese.
Preciso que você me explique aonde é esse lugar. Precisamos chegar aí rápido.
Minha respiração já estava ficando ofegante.
Aonde estão?
Sabe o antigo acampamento de escoteiros? Acabamos de passar em frente, estamos correndo.
Vocês vão ter que ir pela cidade.
Saímos do meio das árvores e começamos a correr nas ruas.
Bem na esquina vai ter o Subway, está vendo?
Sim, sim. Continua.
Eu já estou totalmente sem fôlego para continuar falando ou correndo.
Virem a esquerda e logo em seguida a direita. Vão ver uma casa. Ela é a maior.
Obrigada, Abraham.
Desliguei o walkie talkie e continuamos correndo.
Finalmente chegamos na casa e Rick e Daryl entraram correndo para dentro.
-Sofia, acho melhor você esperar aqui. -Glenn falou me parando.
-Mas eu quero entrar. Quero ver se ele vai ficar bem. -Falei tentando me soltar.
-Por favor, espere aqui. -Meus olhos se encheram de lágrimas novamente. Maggie saiu e me abraçou.
-Oh Sofia, como você está? -Foi só ela me fazer essa pergunta que desabei em lágrimas.
-Péssima. Ele n******e me deixar, Maggie. n******e.
-E ele não vai. -Ela me soltou e ficou segurando em meus dois braços. -Olha, a Carla já está cuidando do ferimento dele. Ele vai ficar bem.
Sorri. Ela secou as minhas lágrimas e sorriu.
-Venha, vamos nos sentar um pouco. -Ela me puxou para as escadas da entrada e nós nos sentamos no degrau. Me encostei em seu ombro e fechei os meus olhos.
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-Ele está bem. Carla conseguiu. -Michonne falou saindo de dentro da casa após muito, muito tempo.
Me levantei e fui correndo para dentro.
-Cadê ele? -Perguntei para Tara que estava sentada em um sofá.
-Lá em cima. Rick e Carol estão com ele.
-Obrigada. -Eu ia começar a subir as escadas quando senti minha perna começar a latejar. -Ai. -Me sentei nos degraus.
-O que foi? -Tara se levantou e veio até mim.
-Minha perna. Só doeu um pouco. Logo logo passa. -Tentei me levantar mas infelizmente caí com tudo no chão.
-Você não está nada bem. Você correu, e sabia que isso podia infeccionar.
-Mas eu tinha que correr, não tinha outra opção. Carl dependia disso.
-Ele já está bem, acho melhor você dar uma olhada no seu ferimento.
Concordei e me levantei novamente. Dessa vez me segurei no corrimão e consegui ficar em pé.
-Quer ajuda pra subir?
-Não precisa, obrigada. Eu dou conta. -Ela concordou e eu comecei a subir.
Cheguei no segundo andar e bem no começo tem uma sala pequena, aonde deve ser só um passa tempo, nas paredes tinham uma estante cheia de livros. Olhei mais para frente e vi 6 portas, essa casa é enorme.
Abri uma e era o banheiro. Olhei para minha perna e vi o sangue passando a faixa.
-Ai m***a, tomara que não tenha infeccionado. -Me sentei no vaso e tirei o curativo. Ao redor, está totalmente vermelho e está saindo muito sangue. -Isso deve ser normal. Depois vejo com Carla. -Tampei novamente e me levantei.
Saí e abri outra porta, é um quarto que tem duas beliches. Abri outra e era um quarto com cama de casal, outra e era um quarto com 2 camas de solteiro.
Quando abri a outra que estava ao lado, vi Carl deitado na cama e Rick e Carol sentados na cama, já que ele estava em uma cama de casal.
-Oi Sofia. -Disse Rick assim que abri a porta.
-Oi. -Entrei e fiquei em pé ao lado da cama. -Como ele está?
-Carla conseguiu retirar a bala e deu um remédio pra dor. Mas até agora ele não acordou e nem deu sinal de vida.
Olhei para ele. Carl está com uma gaze e uma faixa em seu olho. Parece tão calmo.
-Rick, eu posso ficar um pouco aqui com ele?
-Claro, já vamos sair. -Ele se levantou e Carol também. Saíram do quarto e eu puxei um puff que tinha aqui, coloquei ao lado da cama e me sentei.
-Ei, você n******e me deixar agora, Carl. Eu sei que talvez você nem esteja me escutando mas por favor, -Peguei em sua mão. -por favor não me deixa. Há dois dias atrás eu não tinha certeza dos meus sentimentos por você. Mas agora eu sei o que eu sinto, agora eu sei que você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. E acho que estou me apaixonando. -Olhei para sua mão. -Sei que devia te contar isso quando estiver acordado, porém eu não teria coragem. Sem contar que há outra pessoa afim de você. A Carla. Ela começou a gostar de você bem antes de mim, então, acho que ela tem esse direito não é mesmo? -Apertei um pouco mais forte sua mão. -Só quero que saiba que você também tem o direito de escolher com quem ficar, e se for a Carla, eu vou entender.
Deitei minha cabeça ao seu lado na cama e fechei os meus olhos. Senti que ele segurou minha mão de volta então levantei minha cabeça. Ele ainda está com o olho fechado.
-Oi. -Sorri. Olhei mais perfeitamente para seu rosto totalmente relaxado. -Você me deu um susto, sabia?
Me sentei e peguei em sua mão novamente.
-Achei que eu nunca mais te veria. -Senti as lágrimas se formarem em meus olhos. Ele começou a fazer carinho com o seu dedo em minha mão. -Escuta, vou te fazer algumas perguntas, se for sim aperta a minha mão, se não, não faça nada. Tá?
Ele apertou um vez e eu sorri.
-Ok, vamos lá então. -Me arrumei no puff. -Você escutou tudo o que eu havia te falado? -Ele não apertou. -Só metade? -Ele apertou. -Depois quero saber o que você ouviu. -Ele apertou novamente.
-Sofia. -Me virei para trás. -Sua perna está encharcada de sangue. Deixa eu dar uma olhada. -Carla entrou e me chamou para sentar em um sofá que havia aqui.
Me levantei e me sentei. Ela tirou o curativo e me olhou com uma cara nada boa.
-O que foi?
-Você não ficou de repouso não é mesmo?
-Não tinha nem como. Não posso ficar só sentada, tenho que ajudar.
-Sofia, você não está entendendo, você não podia nem sonhar em correr.
-Ah, mas está tudo bem. Só tá saindo sangue. É só limpar e pronto.
-É claro que não. É mais grave que isso. Sua perna está infeccionando. Está vendo essa parte avermelhada. -Ela me mostrou ao redor. -Não era para estar assim. Você sentiu tontura, dor de cabeça ou febre?
-Não, só começou a doer agorinha.
-Vocês pegaram soro fisiológico na farmácia?
-Sim, está dentro da minha mochila. -Ela se levantou e saiu.
Depois de um tempo ela voltou e derramou soro em minha perna, logo em seguida secou com uma gaze e depois enfaixou.
-Pronto. Você n******e se movimentar muito, entendeu? -Concordei. Ela se levantou.
-Ah, Carla. -Ela se virou pra mim. -Eu quero te pedir desculpas por ter pensado errado sobre você. Eu me precipitei e te julguei completamente m*l, me perdoa.
-Tudo bem, eu também não tinha ido muito com a sua cara. Estamos quites.
Sorri e me levantei indo até ela lhe dar um abraço.
Nos separamos e ela sorriu.
-Fique sentada, está bem? Não faça esforço e nem pense em correr.
-Pode deixar, doutora. -Falei e sorrimos.
Ela saiu do quarto e eu me sentei novamente ao lado de Carl.
-Estou morrendo de sono. -Falei mais pra mim mesma do que pra ele.
-Deita... C-comigo...
Ele falou baixo e com a voz meio falha.
-Tem certeza?
Ele balançou um pouco a cabeça para cima e para baixo.
Me levantei e apaguei a luz. Me deitei ao seu lado e me cobri. Lhe dei um beijo na bochecha e me arrumei melhor ao seu lado.
-Se você sentir alguma coisa, me chama tá? -Ele continuou quieto mas considerei isso como um sim.
Fechei os meus olhos e acabei pegando no sono.