-Sofia, ei, sou eu Carol. Já estamos nos arrumando pra irmos embora.
Me sentei e coçei os olhos.
-Ahn? -Tentei raciocinar o que ela havia dito.
-Já estamos de saída. Você precisa levantar.
-Ah, tá. Obrigada Carol. -Bocejei.
-Eu preparei um chá, se quiser ainda tem um pouco lá no bule.
-Chá? Nossa eu dava tudo pra poder sentir o gosto mais uma vez.
-Então vai lá. -Sorrir. -Pode deixar que eu arrumo a Judith.
Me levantei e fui em direção a cozinha.
-Bom dia, Sofia. -Disse Rick assim que me viu.
-Oi Rick. -Sorri. -Bom dia.
-Sairemos daqui vinte minutos, esteja pronta.
Ele saiu e eu entrei na cozinha. Enquanto colocava o chá em uma xícara, me veio uma lembrança maravilhosa na cabeça.
Flash back on
-Filha, venha tomar café. -Escutei meu pai falando comigo lá da cozinha.
-Estou indo.
Caminhei até lá e os vi sentados à mesa.
-Fiz uns biscoitos quentinhos pra você. -Disse minha mãe com uma travessa repleta de biscoitos.
-Parecem deliciosos. -Ela os colocou na mesa e se sentou ao meu lado. Peguei um e comecei a comer.
-Alguém quer chá? -Meu pai perguntou colocando o mesmo em seu copo.
-Eu quero, por favor.
Ele me entregou e eu me servi.
Terminei de comer e beber então me levantei.
-Vou pra escola, amo vocês. -Beijei os dois na bochecha.
-Tome cuidado, não fale com estranhos. -Falou minha mãe.
-E vai direto pra escola, viu mocinha?
-Está bem, papai. -Sorri, peguei minha mochila e saí de casa.
Flash Back off
-Ei, Sofia.
Me virei e vi Carl parado.
-Ah, oi.
Ele sorriu e começou a falar.
-Você não parece estar pronta ainda.
-Na verdade ainda não estou. -Tomei um gole do chá. Ainda está bem quente. -Acordei só agora, acho que meu corpo estava muito cansado. Quer um pouco? -Estendi minha xícara em sua direção.
Ele veio até mim e pegou de minha mão, bebendo em seguida. Como estava quente e ele sequer assoprou, tirou da boca e olhou para mim.
-Me avisar que estava quente ninguém quer né?
Ri e respondi:
-Foi você quem foi bebendo de uma vez. -Falei ainda rindo.
Ele assoprou e bebeu dessa vez.
-Tenho que terminar de arrumar as minhas coisas. -Tomei o copo de sua mão e bebi mais um pouco. -Toma. -O entreguei mais uma vez. -Pode terminar.
Fui em direção ao quarto em que Maggie estava mais cedo e entrei no closet. Peguei várias roupas e as coloquei tudo dentro de uma mochila nova. Em outra mochila coloquei roupas de bebês.
Desci até a cozinha mais uma vez e peguei as duas latas de leite em ** que ainda tinha.
-Está bem preparada, né? Olha só, duas mochilas. -Disse Maggie enquanto entrava na cozinha.
-Agora eu tenho que estar. Temos a Judith. -Sorri.
-Sim, é claro. -Sorriu também. -Pegou cobertores?
-Sim.
-Mamadeira?
-Também.
-Chupeta?
-Eu peguei tudo, Maggie. -Coloquei uma das mochilas nas costas.
-Ok, estamos te esperando lá fora. Não demora.
Após ela sair, fui dar mais uma olhada na casa para ver se não estava esquecendo nada. Quando estava passando pela sala, vi o chapéu de Carl em cima do sofá. O peguei e saí da casa, encontrando todo mundo parado escutando algo que Rick estava dizendo.
-...dividir. Em um vai Glenn, Maggie, Sofia e Judith. Já que o bebê conforto acabou ficando no carro de Glenn. Já no outro vai eu, Daryl, Carol e Carl.
Parei ao lado de Daryl.
-Será que eu poderia trocar e ir no carro da Maggie? -Carl perguntou.
-Mas por quê? Está ótimo desse jeito.
-Sim, mas acontece que a Judith pode querer me ter por perto.
-A Judith né... -Daryl pegou em seu ombro.
-O que quis dizer? -Perguntei.
-Nada não. -Sorriu.
-Tudo bem, então vá com a Maggie. Temos que sair daqui agora se quisermos chegar lá ainda hoje.
Rick saiu caminhando na direção de seu carro e todos nós começamos a fazer o mesmo.
-Carl. -Chamei. Ele parou e olhou para mim. -Aqui. -Entreguei o chapéu e ele sorriu em forma de agradecimento.
No carro a ordem foi a seguinte: Na frente foi Glenn dirigindo e Maggie ao seu lado. Já atrás fui eu, Carl e Judith no bebê conforto.
(...)
Judith não parou de chorar nem um segundo sequer. Desde que saimos, a única coisa que ela fez foi chorar. E tenho que confessar que isso já está fazendo meus ouvidos doerem.
-Por favor, Judith. -Encostei minha cabeça no banco. -Eu já não aguento mais.
-Me dê ela, vou tentar fazer alguma coisa.
Peguei ela do bebê conforto e a entreguei para Maggie. Após sacudir ela algumas vezes e a encostar em seu peito, finalmente ela foi parando aos poucos.
-O que ela tem? -Perguntei após um tempo.
-Deve ser cólica. -Ela se virou para mim. -Já tinha escutado que crianças sofrem com isso.
-Sim, deve ser mesmo.
Virei minha cabeça para a janela e fiquei observando as árvores passando. Enquanto estava distraída, senti algo encostando em meu ombro. Me virei e vi que era Carl. Ele acabou pegando no sono. Tirei o chapéu de sua cabeça e o coloquei no chão do carro.
-Carl. -Chamei.
Ele choramingou alguma coisa que não consegui decifrar.
-Deita aqui, vem. Assim seu pescoço vai ficar doendo. -Apontei para minha perna e ele se levantou, deitando em seguida. -Isso.
Ele acomodou sua cabeça e eu voltei a olhar para a janela.
###
-m***a. -Assim que Glenn falou isso, o carro parou.
-O que houve? -Perguntei.
-Acabou a gasolina.
-Vamos descer, quando Rick perceber que não estamos atrás deles, vão voltar. -Maggie deu a ideia.
Após eu e Glenn concordar, eles abriram as portas.
-Por que paramos? -Carl perguntou baixinho.
-Acabou a gasolina. Não quer levantar um pouco?
Antes de se levantar, ele respirou fundo, tomando coragem. Assim que se levantou, pegou o chapéu no chão e colocou na cabeça.
-E Judith? -Perguntou com sua típica voz de quando acabou de acordar.
-Está com Maggie lá fora.
Ele empurrou o banco em que Maggie estava e saímos.
-Algum sinal deles? -Perguntei ao chegar aqui do lado de fora.
-Ainda não. Mas vamos permanecer aqui.
Escutamos um barulho vindo na direção das árvores e todos nós nos entreolhamos.
-O que foi isso? -Me aproximei um pouco deles.
-Fiquem aqui. -Glenn falou e pegou sua a**a que estava presa no cinto.
Ele entrou no meio da floresta e não o vimos mais.
-Glenn? -Chamei.
Nada.
-GLENN. -Maggie gritou.
-Vou atrás dele. -Carl começou a andar até lá.
-Não. -Peguei em seu braço. -Pode ser uma enrascada.
-Está tudo bem, eu não demoro. -Sorriu e soltou seu braço, voltando a caminhar.
Fui para perto de Maggie.
-Você acha que eles...?
-Não. Não mesmo.
Escutamos alguns passos de folhas secas então olhamos juntas para a mesma direção.
-Eu acho melhor ficarmos dentro do carro, Maggie.
-E se for eles?
-Maggie...
-Quando eu ia terminar de falar, algo pulou em nossa direção. Nem vi o que era só simplesmente saí correndo. Só parei quando ouvi umas risadas muito alta atrás de mim. Me virei e vi Carl e Glenn quase que literalmente se jogando no chão de tanto rir.
Não acredito nisso.
Voltei com a pior cara que consegui fazer e eles se ajeitaram, ficando em pé novamente. Só que dessa vez estavam segurando o riso.
-Era pra ter sido engraçado?
-Mas foi. -Carl deixou escapar uma risada.
Revirei os olhos e entrei no carro, me sentando de costas para eles.
-Eu acho que ela não gostou. -Disse Glenn.
-Ah você acha é? -Falou Carl. -Vou lá falar com ela.
Após isso escutei a porta do carro abrindo.
-Anjinho... -Permaneci em silêncio. -Olha, só estávamos brincando. Não sabia que isso ia te deixar estressada.
Não respondi.
-Fala alguma coisa, por favor.
-Esquece isso. -Falei sem olha-lo.
-Só queriamos descontrair, não leva a sério. Eu sei que foi errado termos feito isso, e você agiu certo... correndo. -Vi que ele estava tentando não rir. -É a lei da sobrevivência, né? Mas não fica zangada, vai.
-Não estou. -Olhei para seu rosto. -Só preciso de um tempinho pra me repôr.
-Tá, tá, é claro. -Ele se arrumou no banco e olhou lá para o lado de fora. -Quer ficar sozinha?
-Não, tudo bem. -Suspirei. -Já estou melhor.
-Mesmo?
Concordei.
-Então já quer sair lá fora?
-É, pode ser.
Assim que pisamos o pé fora do carro, Glenn e Maggie olharam para nós.
-Olha, eu não queria te assustar. -Glenn começou. -Na verdade eu queria... -Maggie deu um t**a no braço dele. -Ai amor, essa doeu.
Tentei não rir mas foi praticamente impossível.
-Será que até agora meu pai não percebeu que não estamos atrás deles? -Carl perguntou e se encostou na porta do carro.
-Deve ter acontecido alguma coisa com eles também. -Falei.
-E por que não vamos andando mesmo até o lugar que vocês acharam? Talvez não seja tão longe.
-Na verdade é sim. Falta uns vinte quilômetros ainda. -Respondeu Glenn.
-E o que fazemos então? Vamos ficar aqui parados até a hora que escurecer?
-É isso ou sair andando sem rumo por aí com uma recém nascida nos braços.
-Definitivamente não há outra alternativa a não ser ficarmos aqui. -Falei e também me encostei no carro.
-Agora são oito e trinta e quatro. -Glenn falou olhando para um relógio de bolso. -Vamos ver quanto tempo iremos permanecer aqui.
###
Agora deve ser por volta das seis horas da tarde e até agora não tivemos nenhum sinal de que eles já estão procurando por nós. Já não aguento mais entrar e sair do carro para o tempo passar.
-Eu definitivamente não aguento mais ficar aqui. -Carl se levantou do chão.
-Irei dar uma rondada aqui perto, ver se está tudo seguro e ver se vejo alguma coisa que indique que eles estão chegando. -Glenn se levantou.
-Toma muito cuidado. -Maggie lhe beijou antes dele sair.
-Eu também tenho que fazer uma coisa. -Carl arrumou a camiseta. -Já volto.
Ele começou a caminhar e logo o perdemos de vista. O sol já se pôs e aqui está sendo iluminado apenas pela luz dos faróis do carro.
-Está com fome? -Perguntei pra Maggie, que até então estava olhando para Judith que está em seus braços.
-Um pouco. Mas daqui a pouco eu como. -Sorriu.
Sons de passos foram feitos bem próximos de onde estávamos.
-Escutou isso? -Ela ficou atenta.
-Fique aqui. Irei dar uma olhada. -Peguei uma faca dentro do carro e fui caminhando até o lugar de onde veio o barulho. -Podem parar de brincadeira vocês dois. Eu não caio mais nessa não. -Posicionei minha faca.
Só que para a minha supresa era um zumbi. Ele tentou me morder mas felizmente consegui desviar. Arrumei melhor a faca e consegui acertar perfeitamente em sua cabeça.
-SOFIA.-Me virei e vi Carl correndo. -CORRE.
Continuei olhando em sua direção e vi vários zumbis logo atrás dele. Ele finalmente me alcançou e segurou minha mão, me puxando. Corremos na direção do carro e Maggie entrou correndo com Judith.
- CADÊ O GLENN? NÃO PODEMOS DEIXAR ELE PARA TRÁS. -Gritei.
-Eu não sei, ele deve ter se escondido. Venha, rápido. Não para.
Chegamos no carro e Carl abriu a porta. Ele me empurrou mas o puxei para dentro também, o fazendo cair em cima de mim.
-Foi m*l. -Falou rindo.
-EI, vamos parar de papinho. CADÊ O GLENN? -Vi que ela estava com os olhos cheios de lágrimas.
Quando eu ia falar algo o vi entrando no carro correndo. Assim que ele finalmente fechou a porta, vários zumbis começaram a bater nos vidros.
-Carl, você já pode sair de cima de mim.
-Ah tá, ok. -Ele se levantou e eu me ajeitei no banco.
-Aonde estava? -Disse Maggie tentando abraça-lo, mas foi complicado já que ela estava com Judith no colo.
-Aqui na esquina, vários deles me cercaram.
Judith começou a chorar muito, muito alto, o que chamou a atenção dos zumbis. Maggie tentou acalma-la novamente mas não teve jeito, ela não parou.
-Quer me dar ela?
-Você acha que consegue fazer ela parar de chorar?
-Posso tentar. -Ela me entregou e a Judith já estava ficando vermelha.
A coloquei em pé no meu colo e a encostei no meu peito. Comecei a cantarolar baixinho e ela foi quietando aos poucos. Finalmente ela parou e fiquei mexendo em seu cabelo.
-E não é que ela leva jeito mesmo? -Disse Glenn, o que me fez sorrir.
-Obrigada. -A olhei e vi que ela estava quase dormindo. Peguei sua chupeta no bebê conforto e coloquei em sua boca. -Missão comprida.
-Como fez isso? -Perguntou Carl.
-Eu não sei. -Sorri.
A virei e a deitei no bebê conforto.
-Estou exausta. -Falei deitando minha cabeça na parte traseira do banco, e isso acabou fazendo nossas cabeças se encostarem.
-Dorme. -Pegou em minha mão.
-Mas e se eles chegarem? -Olhei para baixo e vi que ele estava brincando com os meus dedos.
-Aí eu te chamo. -Sorriu e me olhou.
Consenti.
Ele se virou e encostou o corpo na porta do carro. Abriu as pernas e me chamou. Fiquei meio receosa mas fui. Encostei minha cabeça em seu peito e coloquei minhas pernas em cima do banco. Ele passou seu braço ao meu redor e meio que me abraçou.
-Ui ui ui. -Disse Maggie que estava virada para nós, junto com o Glenn.
-Não tem outro jeito de ficar se querermos dormir.-Carl falou.
-Vocês dois não enganam ninguém.
Sorri e neguei.
-Não temos nada pra enganar vocês.
-Se você está dizendo... -Glenn riu e Maggie deu mais um t**a em seu ombro.
-Eu só espero que esses zumbis não consigam entrar aqui. -Falei baixo e somente Carl escutou.
-Não vão, pode ficar tranquila.
Ele me soltou e se acomodou um pouco mais. Olhei para cima e o vi com os olhos fechados.
-O que foi? -Perguntou sorrindo.
-Nada. -Deitei novamente.
-Pode admirar a minha beleza. Eu deixo.
-Mas é convencido, né? -Ri e dei um leve soquinho em sua barriga, o que o fez rir também. -Vai dormir, Carl.
-Eu já estava quase fazendo isso, foi você quem me atrapalhou.
Ele passou seus braços ao meu redor mais uma vez.
-Boa noite, anjinho.