Capítulo 9

2367 Words
-Sofia, ei, sou eu Carol. Já estamos nos arrumando pra irmos embora. Me sentei e coçei os olhos. -Ahn? -Tentei raciocinar o que ela havia dito. -Já estamos de saída. Você precisa levantar. -Ah, tá. Obrigada Carol. -Bocejei. -Eu preparei um chá, se quiser ainda tem um pouco lá no bule. -Chá? Nossa eu dava tudo pra poder sentir o gosto mais uma vez. -Então vai lá. -Sorrir. -Pode deixar que eu arrumo a Judith. Me levantei e fui em direção a cozinha. -Bom dia, Sofia. -Disse Rick assim que me viu. -Oi Rick. -Sorri. -Bom dia. -Sairemos daqui vinte minutos, esteja pronta. Ele saiu e eu entrei na cozinha. Enquanto colocava o chá em uma xícara, me veio uma lembrança maravilhosa na cabeça. Flash back on -Filha, venha tomar café. -Escutei meu pai falando comigo lá da cozinha. -Estou indo. Caminhei até lá e os vi sentados à mesa. -Fiz uns biscoitos quentinhos pra você. -Disse minha mãe com uma travessa repleta de biscoitos. -Parecem deliciosos. -Ela os colocou na mesa e se sentou ao meu lado. Peguei um e comecei a comer. -Alguém quer chá? -Meu pai perguntou colocando o mesmo em seu copo. -Eu quero, por favor. Ele me entregou e eu me servi. Terminei de comer e beber então me levantei. -Vou pra escola, amo vocês. -Beijei os dois na bochecha. -Tome cuidado, não fale com estranhos. -Falou minha mãe. -E vai direto pra escola, viu mocinha? -Está bem, papai. -Sorri, peguei minha mochila e saí de casa. Flash Back off -Ei, Sofia. Me virei e vi Carl parado. -Ah, oi. Ele sorriu e começou a falar. -Você não parece estar pronta ainda. -Na verdade ainda não estou. -Tomei um gole do chá. Ainda está bem quente. -Acordei só agora, acho que meu corpo estava muito cansado. Quer um pouco? -Estendi minha xícara em sua direção. Ele veio até mim e pegou de minha mão, bebendo em seguida. Como estava quente e ele sequer assoprou, tirou da boca e olhou para mim. -Me avisar que estava quente ninguém quer né? Ri e respondi: -Foi você quem foi bebendo de uma vez. -Falei ainda rindo. Ele assoprou e bebeu dessa vez. -Tenho que terminar de arrumar as minhas coisas. -Tomei o copo de sua mão e bebi mais um pouco. -Toma. -O entreguei mais uma vez. -Pode terminar. Fui em direção ao quarto em que Maggie estava mais cedo e entrei no closet. Peguei várias roupas e as coloquei tudo dentro de uma mochila nova. Em outra mochila coloquei roupas de bebês. Desci até a cozinha mais uma vez e peguei as duas latas de leite em ** que ainda tinha. -Está bem preparada, né? Olha só, duas mochilas. -Disse Maggie enquanto entrava na cozinha. -Agora eu tenho que estar. Temos a Judith. -Sorri. -Sim, é claro. -Sorriu também. -Pegou cobertores? -Sim. -Mamadeira? -Também. -Chupeta? -Eu peguei tudo, Maggie. -Coloquei uma das mochilas nas costas. -Ok, estamos te esperando lá fora. Não demora. Após ela sair, fui dar mais uma olhada na casa para ver se não estava esquecendo nada. Quando estava passando pela sala, vi o chapéu de Carl em cima do sofá. O peguei e saí da casa, encontrando todo mundo parado escutando algo que Rick estava dizendo. -...dividir. Em um vai Glenn, Maggie, Sofia e Judith. Já que o bebê conforto acabou ficando no carro de Glenn. Já no outro vai eu, Daryl, Carol e Carl. Parei ao lado de Daryl. -Será que eu poderia trocar e ir no carro da Maggie? -Carl perguntou. -Mas por quê? Está ótimo desse jeito. -Sim, mas acontece que a Judith pode querer me ter por perto. -A Judith né... -Daryl pegou em seu ombro. -O que quis dizer? -Perguntei. -Nada não. -Sorriu. -Tudo bem, então vá com a Maggie. Temos que sair daqui agora se quisermos chegar lá ainda hoje. Rick saiu caminhando na direção de seu carro e todos nós começamos a fazer o mesmo. -Carl. -Chamei. Ele parou e olhou para mim. -Aqui. -Entreguei o chapéu e ele sorriu em forma de agradecimento. No carro a ordem foi a seguinte: Na frente foi Glenn dirigindo e Maggie ao seu lado. Já atrás fui eu, Carl e Judith no bebê conforto. (...) Judith não parou de chorar nem um segundo sequer. Desde que saimos, a única coisa que ela fez foi chorar. E tenho que confessar que isso já está fazendo meus ouvidos doerem. -Por favor, Judith. -Encostei minha cabeça no banco. -Eu já não aguento mais. -Me dê ela, vou tentar fazer alguma coisa. Peguei ela do bebê conforto e a entreguei para Maggie. Após sacudir ela algumas vezes e a encostar em seu peito, finalmente ela foi parando aos poucos. -O que ela tem? -Perguntei após um tempo. -Deve ser cólica. -Ela se virou para mim. -Já tinha escutado que crianças sofrem com isso. -Sim, deve ser mesmo. Virei minha cabeça para a janela e fiquei observando as árvores passando. Enquanto estava distraída, senti algo encostando em meu ombro. Me virei e vi que era Carl. Ele acabou pegando no sono. Tirei o chapéu de sua cabeça e o coloquei no chão do carro. -Carl. -Chamei. Ele choramingou alguma coisa que não consegui decifrar. -Deita aqui, vem. Assim seu pescoço vai ficar doendo. -Apontei para minha perna e ele se levantou, deitando em seguida. -Isso. Ele acomodou sua cabeça e eu voltei a olhar para a janela. ### -m***a. -Assim que Glenn falou isso, o carro parou. -O que houve? -Perguntei. -Acabou a gasolina. -Vamos descer, quando Rick perceber que não estamos atrás deles, vão voltar. -Maggie deu a ideia. Após eu e Glenn concordar, eles abriram as portas. -Por que paramos? -Carl perguntou baixinho. -Acabou a gasolina. Não quer levantar um pouco? Antes de se levantar, ele respirou fundo, tomando coragem. Assim que se levantou, pegou o chapéu no chão e colocou na cabeça. -E Judith? -Perguntou com sua típica voz de quando acabou de acordar. -Está com Maggie lá fora. Ele empurrou o banco em que Maggie estava e saímos. -Algum sinal deles? -Perguntei ao chegar aqui do lado de fora. -Ainda não. Mas vamos permanecer aqui. Escutamos um barulho vindo na direção das árvores e todos nós nos entreolhamos. -O que foi isso? -Me aproximei um pouco deles. -Fiquem aqui. -Glenn falou e pegou sua a**a que estava presa no cinto. Ele entrou no meio da floresta e não o vimos mais. -Glenn? -Chamei. Nada. -GLENN. -Maggie gritou. -Vou atrás dele. -Carl começou a andar até lá. -Não. -Peguei em seu braço. -Pode ser uma enrascada. -Está tudo bem, eu não demoro. -Sorriu e soltou seu braço, voltando a caminhar. Fui para perto de Maggie. -Você acha que eles...? -Não. Não mesmo. Escutamos alguns passos de folhas secas então olhamos juntas para a mesma direção. -Eu acho melhor ficarmos dentro do carro, Maggie. -E se for eles? -Maggie... -Quando eu ia terminar de falar, algo pulou em nossa direção. Nem vi o que era só simplesmente saí correndo. Só parei quando ouvi umas risadas muito alta atrás de mim. Me virei e vi Carl e Glenn quase que literalmente se jogando no chão de tanto rir. Não acredito nisso. Voltei com a pior cara que consegui fazer e eles se ajeitaram, ficando em pé novamente. Só que dessa vez estavam segurando o riso. -Era pra ter sido engraçado? -Mas foi. -Carl deixou escapar uma risada. Revirei os olhos e entrei no carro, me sentando de costas para eles. -Eu acho que ela não gostou. -Disse Glenn. -Ah você acha é? -Falou Carl. -Vou lá falar com ela. Após isso escutei a porta do carro abrindo. -Anjinho... -Permaneci em silêncio. -Olha, só estávamos brincando. Não sabia que isso ia te deixar estressada. Não respondi. -Fala alguma coisa, por favor. -Esquece isso. -Falei sem olha-lo. -Só queriamos descontrair, não leva a sério. Eu sei que foi errado termos feito isso, e você agiu certo... correndo. -Vi que ele estava tentando não rir. -É a lei da sobrevivência, né? Mas não fica zangada, vai. -Não estou. -Olhei para seu rosto. -Só preciso de um tempinho pra me repôr. -Tá, tá, é claro. -Ele se arrumou no banco e olhou lá para o lado de fora. -Quer ficar sozinha? -Não, tudo bem. -Suspirei. -Já estou melhor. -Mesmo? Concordei. -Então já quer sair lá fora? -É, pode ser. Assim que pisamos o pé fora do carro, Glenn e Maggie olharam para nós. -Olha, eu não queria te assustar. -Glenn começou. -Na verdade eu queria... -Maggie deu um t**a no braço dele. -Ai amor, essa doeu. Tentei não rir mas foi praticamente impossível. -Será que até agora meu pai não percebeu que não estamos atrás deles? -Carl perguntou e se encostou na porta do carro. -Deve ter acontecido alguma coisa com eles também. -Falei. -E por que não vamos andando mesmo até o lugar que vocês acharam? Talvez não seja tão longe. -Na verdade é sim. Falta uns vinte quilômetros ainda. -Respondeu Glenn. -E o que fazemos então? Vamos ficar aqui parados até a hora que escurecer? -É isso ou sair andando sem rumo por aí com uma recém nascida nos braços. -Definitivamente não há outra alternativa a não ser ficarmos aqui. -Falei e também me encostei no carro. -Agora são oito e trinta e quatro. -Glenn falou olhando para um relógio de bolso. -Vamos ver quanto tempo iremos permanecer aqui. ### Agora deve ser por volta das seis horas da tarde e até agora não tivemos nenhum sinal de que eles já estão procurando por nós. Já não aguento mais entrar e sair do carro para o tempo passar. -Eu definitivamente não aguento mais ficar aqui. -Carl se levantou do chão. -Irei dar uma rondada aqui perto, ver se está tudo seguro e ver se vejo alguma coisa que indique que eles estão chegando. -Glenn se levantou. -Toma muito cuidado. -Maggie lhe beijou antes dele sair. -Eu também tenho que fazer uma coisa. -Carl arrumou a camiseta. -Já volto. Ele começou a caminhar e logo o perdemos de vista. O sol já se pôs e aqui está sendo iluminado apenas pela luz dos faróis do carro. -Está com fome? -Perguntei pra Maggie, que até então estava olhando para Judith que está em seus braços. -Um pouco. Mas daqui a pouco eu como. -Sorriu. Sons de passos foram feitos bem próximos de onde estávamos. -Escutou isso? -Ela ficou atenta. -Fique aqui. Irei dar uma olhada. -Peguei uma faca dentro do carro e fui caminhando até o lugar de onde veio o barulho. -Podem parar de brincadeira vocês dois. Eu não caio mais nessa não. -Posicionei minha faca. Só que para a minha supresa era um zumbi. Ele tentou me morder mas felizmente consegui desviar. Arrumei melhor a faca e consegui acertar perfeitamente em sua cabeça. -SOFIA.-Me virei e vi Carl correndo. -CORRE. Continuei olhando em sua direção e vi vários zumbis logo atrás dele. Ele finalmente me alcançou e segurou minha mão, me puxando. Corremos na direção do carro e Maggie entrou correndo com Judith. - CADÊ O GLENN? NÃO PODEMOS DEIXAR ELE PARA TRÁS. -Gritei. -Eu não sei, ele deve ter se escondido. Venha, rápido. Não para. Chegamos no carro e Carl abriu a porta. Ele me empurrou mas o puxei para dentro também, o fazendo cair em cima de mim. -Foi m*l. -Falou rindo. -EI, vamos parar de papinho. CADÊ O GLENN? -Vi que ela estava com os olhos cheios de lágrimas. Quando eu ia falar algo o vi entrando no carro correndo. Assim que ele finalmente fechou a porta, vários zumbis começaram a bater nos vidros. -Carl, você já pode sair de cima de mim. -Ah tá, ok. -Ele se levantou e eu me ajeitei no banco. -Aonde estava? -Disse Maggie tentando abraça-lo, mas foi complicado já que ela estava com Judith no colo. -Aqui na esquina, vários deles me cercaram. Judith começou a chorar muito, muito alto, o que chamou a atenção dos zumbis. Maggie tentou acalma-la novamente mas não teve jeito, ela não parou. -Quer me dar ela? -Você acha que consegue fazer ela parar de chorar? -Posso tentar. -Ela me entregou e a Judith já estava ficando vermelha. A coloquei em pé no meu colo e a encostei no meu peito. Comecei a cantarolar baixinho e ela foi quietando aos poucos. Finalmente ela parou e fiquei mexendo em seu cabelo. -E não é que ela leva jeito mesmo? -Disse Glenn, o que me fez sorrir. -Obrigada. -A olhei e vi que ela estava quase dormindo. Peguei sua chupeta no bebê conforto e coloquei em sua boca. -Missão comprida. -Como fez isso? -Perguntou Carl. -Eu não sei. -Sorri. A virei e a deitei no bebê conforto. -Estou exausta. -Falei deitando minha cabeça na parte traseira do banco, e isso acabou fazendo nossas cabeças se encostarem. -Dorme. -Pegou em minha mão. -Mas e se eles chegarem? -Olhei para baixo e vi que ele estava brincando com os meus dedos. -Aí eu te chamo. -Sorriu e me olhou. Consenti. Ele se virou e encostou o corpo na porta do carro. Abriu as pernas e me chamou. Fiquei meio receosa mas fui. Encostei minha cabeça em seu peito e coloquei minhas pernas em cima do banco. Ele passou seu braço ao meu redor e meio que me abraçou. -Ui ui ui. -Disse Maggie que estava virada para nós, junto com o Glenn. -Não tem outro jeito de ficar se querermos dormir.-Carl falou. -Vocês dois não enganam ninguém. Sorri e neguei. -Não temos nada pra enganar vocês. -Se você está dizendo... -Glenn riu e Maggie deu mais um t**a em seu ombro. -Eu só espero que esses zumbis não consigam entrar aqui. -Falei baixo e somente Carl escutou. -Não vão, pode ficar tranquila. Ele me soltou e se acomodou um pouco mais. Olhei para cima e o vi com os olhos fechados. -O que foi? -Perguntou sorrindo. -Nada. -Deitei novamente. -Pode admirar a minha beleza. Eu deixo. -Mas é convencido, né? -Ri e dei um leve soquinho em sua barriga, o que o fez rir também. -Vai dormir, Carl. -Eu já estava quase fazendo isso, foi você quem me atrapalhou. Ele passou seus braços ao meu redor mais uma vez. -Boa noite, anjinho.
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