Quando senti o sol batendo em meu rosto, abri os olhos e vi que ainda estava amanhecendo. Levantei minha cabeça que até então estava deitada no peito de Carl e o encarei. Ele está na mesma posição de quando nos deitamos. Tirando o fato de que agora está com uma blusa de frio.
Na parte da frente, Maggie e Glenn ainda se encontram dormindo. Ela com a cabeça encostada no vidro e Glenn encostado no banco. Assim que voltei a atenção para as janelas, notei que os zumbis ainda estavam tentando entrar.
Abaixei-me e peguei a mochila, retirando um salgadinho de dentro.
-Ia comer e não ia deixar nada pra mim? -Virei minha cabeça assustada e vi Carl sorrindo ainda de olhos fechados.
-Você estava dormindo. -Sorri.
-Não apareceu ninguém? -Perguntou se sentando corretamente. -Estou cada vez mais preocupado.
-Eles vão aparecer, tenho quase certeza disso.
-Estou torcendo muito pra isso.
-Conversem mais baixo, por favor. -Maggie resmungou.
Me descupei e ficamos em silêncio. Assim que eu ia abrir a boca para falar algo, sons de tiros invadiram o carro. Os zumbis começaram a se dispersar e eu olhei para eles. Glenn havia acordado assustado e Maggie quase se levantou.
-Dever ser eles. -Carl sorriu e começou a pegar as coisas.
-Quando eu der o sinal, vocês saem do carro. Mas com cuidado.
Peguei Judith e Carl pegou o restante das coisas que estavam no chão.
-Quando eu terminar de contar. Um, dois... três. -Maggie abriu a porta e Carl fez o mesmo. Segurou a porta para eu sair e em seguida começamos a correr.
Alguns zumbis perceberam nossa presença e começaram a vir em nossa direção. Glenn pegou uma faca que havia perto de seu sapato e enfiou na cabeça do máximo de zumbis que podia. Mais sons de tiros começou a ecoar perto de nós. Tentei encontrar daonde estava vindo e consegui avistar Rick e Daryl no meio das árvores, ambos atirando.
-Eles não vão dar conta. Vocês precisam ajudar. -Quase gritei.
Após consentirem, pegaram suas armas e atiraram. Judith começou a chorar.
-Por favor, péssima hora para você fazer isso. -A olhei.
-VÃO, VÃO, EU ENCONTRO VOCÊS DEPOIS. -Disse Rick fazendo um sinal. Maggie concordou e parou de atirar. Saímos correndo e fomos para a outra esquina.
Judith não parava de chorar um segundo.
-Judy por favor. Só mais um pouco. -Continuei a correr.
-Sofia, cuidado! -Carl me puxou e tive que me equilibrar para não cair no chão. Um caminhão em alta velocidade passou à nossa frente.
E eu pude perceber que se ele não tivesse me puxado, eu e Judith já não estaríamos mais aqui. Fiquei a espera do caminhão parar e vir até nós para perguntar se estávamos bem, mas isso não aconteceu.
-Meu Deus. -Respirei fundo.
-Vocês se machucaram? -Maggie se aproximou e pegou Judith no colo, se certificando de que estava realmente tudo bem.
-Estamos bem.
Carl segurou em minha mão e me puxou para perto de si. Em seguida me abraçou e eu fiquei sem reação alguma.
-Por um momento pensei que ia perder vocês. -Lentamente eu fui colocando meus braços em suas costas, devolvendo o abraço. Fechei os meus olhos e o abracei de uma vez.
-VAMOS, RÁPIDO! ESSE LUGAR VAI EXPLODIR. -Me soltei e vi que era o Rick. Ele estava vindo correndo em nossa direção.
Começamos a correr também.
Quase caí no chão com a pressão que a bomba causou.
-Todos estão bem? -Perguntou Rick, que parou de correr e colocou as mãos na cintura para tentar recuperar o ar.
-Estamos. -Olhei para a Maggie e Judith ainda estava chorando.
-Dê ela para mim. -Rick se aproximou e a pegou meio desajeitado. Começou a conversar com ela.
Aos poucos foi parando de chorar e ficou apenas encarando-o.
-É Sofia, encontramos alguém melhor que você nesse cargo. -Glenn riu.
-Claro né Glenn, ele é o pai. -Falei como se fosse o óbvio.
Todos riram.
-Pai, por que demoraram tanto? -Carl arrumou seu chapéu e em seguida ficou olhando para Rick, aguardando uma resposta.
-O carro estragou também, alguma coisa relacionada com o motor. Estávamos vindo atrás de vocês, mas um caminhão parou e tentou levar as nossas coisas.
-Demos de cara com eles. Quase atropelaram a Sofia e a Judith.
Rick se virou para mim, com a preocupação bem explícita em seus olhos.
-Você se machucou?
-Não, Carl conseguiu me puxar a tempo. -Sorri levemente.
-Não queria atrapalhar a conversa de vocês, mas precisamos ir. Carol está a nossa espera. -Disse Daryl.
Fui para perto de Carl e peguei uma das mochilas que ele estava segurando. Começamos a caminhar novamente.
Pouco tempo depois, prendi meu cabelo no alto, já que amanheceu bem calor.
-Cachinhos dourados, tem água aí com você? -Me virei, certificando se Daryl estava falando comigo. -É você mesmo.
-Cachinhos dourados? Por quê? -Ri.
-Bom, é simples, dá só uma olhada no seu cabelo.
Ele é bem indefinido. Sim, indefinido é a palavra correta. Meu cabelo é um tom um pouco mais escuro do que o loiro, é liso na raiz e ondulado no decorrer até as pontas.
-E então, tem ou não?
-Tenho. -Abri minha mochila, peguei uma garrafinha e joguei para ele.
-Aonde Carol está? -Perguntou Maggie.
-O carro estragou pouco tempo depois que percebemos que vocês não estavam atrás de nós. Quando aquelas pessoas tentaram levar nossas coisas, demos um jeito. Não matamos eles pois não vimos necessidade. Logo em seguida anoiteceu e esfriou muito. Tivemos que ficar no carro. De manhã resolvemos vir atrás de vocês e Carol quis ir na frente.
-Mas não está muito longe até chegarmos lá? -Perguntei.
-Sim. E eu espero muito encontrar algum carro no caminho.
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-Estou cansada. -Choraminguei. -Quero sentar. -Tirei minha mochila das costas e joguei no chão.
-Isso é sério? Tem só dez minutos que estamos andando, Sofia. -Glenn disse sorrindo. Ele que está com Judith no colo dessa vez.
-Mesmo assim. -Dei de ombros. -Parece que estou andando a três horas.
-Como é exagerada. -Carl riu também.
-Gente, não são aquelas pessoas de caminhão? -Apontei.
Todos olharam na direção e Rick fez um sinal para entrarmos no meio das árvores. O obedecemos e fomos. Chegando, nos abaixamos.
-Vamos acabar logo com isso. -Carl pegou sua a**a e mirou neles.
-Ei, nem pensar. -Peguei em seu braço.
-Não mesmo. Se não matamos eles antes, por que fazer isso agora? -Rick olhou para nós.
Carl revirou os olhos e guardou a a**a novamente.
-E o que vamos fazer? -Perguntou.
-Um acordo. -Rick se levantou e foi caminhando até lá.
-Ele está doido? Eles quase atropelaram a Sofia e Rick ainda quer fazer um acordo? -Maggie alterou a voz.
-Não concordo com isso também. -Carl acrescentou.
-Bom, vamos ver aonde isso vai dar. -Falei. -Vocês acham que devemos ir também?
-Sim, Rick precisa de cobertura.
Levantamos e começamos a caminhar até lá.
-Olha só o que temos por aqui. Veja se não é o xerife. -Um cara ruivo disse vindo em nossa direção com uma a**a enorme em sua mão. Logo atrás dele veio uma mulher de boné e um homem com o cabelo até o ombro.
-Fico feliz em te ver novamente. -Rick disse irônico.
-O que foi? Veio pedir desculpas? Porque se for, perdeu o seu tempo.
-Na verdade não. Vim lhe oferecer um acordo.
-Um acordo? Vindo de você eu não quero nada.
-Tem certeza? Eu posso dar para vocês um lugar seguro para dormirem essa noite. Temos água e comida se quiserem.
O cara pensou um pouco e virou para trás. A mulher concordou com a cabeça então ele se virou novamente.
-Está bem. O que querem em troca?
-Carona. O sol está começando a ficar quente e temos uma bebê nos braços.
Ele olhou para nós e parou em mim.
-Ei, eu te conheço.
-Não, não conhece não. -Continuei o encarando, tentando ver se o reconhecia de algum lugar, mas não.
-Claro que eu conheço. -Ele se aproximou de mim. -Você é irmã do Daniel, não é?
Não, não não não. Como assim? De onde ele conhece o meu irmão? Tem muito tempo que eu não o vejo. Desde que ele foi para o exército...
-De onde você o conhece? -Meus olhos se encheram de lágrimas só de pensar que eu posso ter perdido ele também.
-Ficamos na mesma beliche no quartel. Ele sempre falava de você. Uma vez ele me mostrou sua foto.
-E... e ele tá vivo?
-Quando tudo isso começou, fugimos. Mas no meio do caminho infelizmente nos separamos. Então não sei te dizer.
Suspirei e olhei para baixo sentido uma lágrima escorrendo pela minha bochecha.
-Não fica assim, vamos tentar encontrar ele.- Carl veio até mim e levantou meu queixo, fazendo eu olhar dentro dos seus olhos. -Eu prometo.
Concordei e fechei os meus olhos.
-Eu nem ia aceitar esse acordo, mas quero te ajudar a encontrar ele. Ele é uma pessoa ótima. -O ruivo continuou.
-Sim, ele é.
-Mas e então xerife, para onde vamos?
-Primeiro, é Rick não xerife. E vamos para um local aonde está o resto do g***o.
-Vamos deixar vocês lá e logo de manhã sairemos. Vamos pegar comida e água para o caminho.
-O acordo não era esse. -Rick disse indo para perto dele.
-Se quiserem carona, vai ter que ser do meu jeito. Quero vinte porcento das coisas.
-Dez porcento.
-Vinte porcento. -Ele disse ficando bravo.
-É dez porcento e ponto. -Disse Rick apontando pra ele.
-Quinze porcento e acordo fechado. -O cara falou estendendo a mão.
Rick ficou meio contrariado mas concordou.
-Então vamos, não temos muito tempo. -Pela primeira vez a mulher disse algo.
Fomos até o caminhão, ele abriu a carroceria e mandou nós entrarmos. Na frente foi o ruivo, o cabeludinho e o Rick.
Nos sentamos no chão e nos encostamos na parede. Abri minha mochila e peguei duas garrafinhas de água. Joguei uma para a mulher que ainda não sei o nome e bebi um gole da outra. Passei para a Maggie que foi repassando até não sobrar nada.
-Obrigada. -Ela me devolveu e eu guardei a garrafinha.
O caminhão deu a partida e senti ele começando a andar.
Peguei a mochila da Judith que estava do meu lado e peguei um body e uma meia. Peguei também uma fralda nova. Coloquei o meu casaco no chão e peguei a Judith do colo de Glenn.
A deitei no meu casaco e tirei a sua roupinha. Passei um lenço umedecido em todo o seu corpinho e coloquei a fralda nova. Vesti o body e coloquei a meia.
Peguei ela no colo e sua chupeta também. Coloquei em sua boca e a arrumei em meus braços.
Levantei minha cabeça e vi a mulher que conheci agora a pouco me olhando.
-Sua irmã?
-Não, a mãe dela morreu quando deu a luz. -Olhei para o Carl e vi que ele estava prestando atenção em nós.
-Sinto muito. -Ela disse e eu sorri fraco.
-Tá tudo bem. Mas então, como se chamam?
-Eu me chamo Rosita, o ruivo se chama Abraham e o outro Eugene.
-Você também era do exército?
-Sim. Conheci o seu irmão, se é isso o que você quer saber.
-E ele estava bem quando fugiram?
-Estava. Nos separamos há três semana mais ou menos, perdemos várias pessoas do nosso g***o.
-Acha que temos chance de encontra-lo?
-Sim, ele era um ótimo soldado. Melhor que os outros se é que posso falar assim.
Sorri.
Ele é bom mesmo, sempre foi dedicado em tudo o que fazia. Isso me deixou mais tranquila, já que acho que ele consegue sobreviver sozinho.
-Eu nem sabia que você tinha irmão, Sofia. -Disse Carl.
-É, eu tenho. Ele tem vinte e um anos. Nunca falei muito dele por que sempre pensei que ele estaria seguro no exército.
Olhei para o meu colo e vi que a Judith havia dormido.
O caminhão foi parando aos poucos.
-O que aconteceu? -Perguntei.
-Vamos descobrir. -Daryl abriu a carroceria e desceu. Logo em seguida quase todo mundo fez o mesmo.
-Precisa de ajuda para se levantar? -Carl se aproximou de mim.
-Acho que sim. -Me estendeu a mão e eu a segurei, me puxando em seguida. -Obrigada.
Saímos do caminhão e fomos lá para a frente. Há uma árvore caída no meio do caminho.
-Acha que dá de tirar ela? -Perguntou Daryl.
-Acho que não, é muito grande. -Disse Rick.
-Vamos ter que voltar. -Abraham falou voltando e entrando no caminhão.
-A gasolina dá até lá?
-Espero que sim.
Entramos novamente no caminhão e ele começou a andar.
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Finalmente chegamos. Rick foi andando e bateu na janela da loja. Uma pessoa abriu um pouquinho a cortina e logo em seguida abriu a porta.
-Que bom que vocês chegaram. Não tenho uma notícia muito boa... -Disse uma mulher morena, adorei o cabelo dela.
-O que foi? -Perguntou Rick.
-A Beth saiu ontem e até agora não chegou.
-Como? -Maggie falou se aproximando.
-Ela saiu com Tyreese, foram procurar suprimentos. Mas não voltaram ainda.
-Vamos esperar um pouco mais. Se não chegarem até a noite, amanhã de manhã iremos atrás.
-Amanhã de manhã? -Maggie se aproximou dele. -Ela pode estar em perigo.
-Mas ela pode chegar antes Maggie, eles podem ter só se atrasado um pouco.
Ela concordou e a mulher voltou a falar:
-Quem são eles?
-Abraham, Rosita e Eugene. -Falei. -Eles nos trouxeram até aqui. Vão passar a noite conosco.
-Olá, sou Michonne. -Ela estendeu a mão e comprimentou eles. -Venha vamos entrar.
A seguimos e entramos para dentro da lojinha. Ela fechou a porta e colocou uma prateleira na frente, para não abrirem.
Todos que estavam presentes nos cumprimentaram.
-Quem é a bebê? -Virei de costas e vi a Michonne.
-Judith. -Sorri.
-Filha da Lori?
Concordei.
-E onde ela está? -Abaixei a minha cabeça. -Ah.
-Sofia. -Virei minha cabeça e vi Carl bem próximo da parede.- Senta aqui. -Me virei novamente para a Michonne e ela concordou.
Fui ao seu lado e me sentei.
-Deixa ela comigo, seu braço deve estar doendo.
A entreguei e respirei fundo.
-Acha que vão encontrar a Beth? -Perguntei em seguida.
-Acho que sim. Tyreese é bem responsável, deve estar protegendo ela. -Ele falou mexendo no cabelo da Judith.
-Tomara, não quero ver a Maggie triste.
-Eu também não.
Dobrei a minha perna para cima e a apoiei em minhas mãos.
Comecei a me lembrar da última conversa que tive com o meu irmão.
Flash Back on
-Ei acorda, hoje vou pro exército, mas antes quero me despedir de você.
Me virei para o lado e vi Daniel sentado ao meu lado na cama.
-Já tem que ir, Dani? -Me sentei.
-Tenho. Mas assim que der, eu ligo pra vocês ok?
-Por que você quis fazer isso? Agora você vai pra longe e vai nos deixar.
-Eu preciso fazer, já tenho dezoito anos, candy. E olha, não vou ficar tanto tempo fora.
-Só sete anos.
-Não vou ficar os 7 anos, tá? Se eu puder sair antes, eu venho correndo pra casa.
Concordei com a cabeça e olhei para baixo.
-Ei, você devia ficar feliz por mim, maninha. Estou realizando o meu sonho.
-Me desculpa, é que eu não queria ficar longe de você.
Ele sorriu e me abraçou.
-Eu te amo.
Flash Back off
-Ei, você está bem?
Limpei o meu rosto e olhei para ele.
-Estou, apenas me lembrei de uma coisa.
Ele sorriu e continuou com o seu olhar em mim. Ouvimos um barulho de risada então olhamos para a Judith. E era ela, ela havia acordado e estava sorrindo sozinha, olhando para nós.
Carl a levantou um pouquinho.
-Ai, que coisa mais fofa. -Falei sorrindo também e pegando em sua bochecha.
Ficaram batendo na porta muito forte. Todo mundo ficou se entreolhando. Rick se levantou e foi abrir. E era...