Lucas desliza o dedo pelas fotos e vídeos. Sorriso forçado, respira fundo.
Lucas (murmurando): Parece que a Clara se acertou de vez com o marido...
Ele fecha o celular, tenta seguir em frente. Marcou um encontro com uma moça com quem conversava há tempos, sempre recusou, desta vez aceita.
Durante o encontro, moça é direta, pega na sua mão, ri alto. Lucas sorri de volta por educação, mas está preso em outro filme.
Mônica (sedutora): Você some demais... pensei que nunca fosse topar sair.
Lucas (forçando calma): É, eu... às vezes a vida é corrida.
Mônica (aproxima-se): Então vamos aproveitar agora. Me conta tudo.
Lucas (pensando em Clara, quase sem voz): Eu... tô bem. Só... cansado.
Enquanto ela fala, na cabeça dele só há a Clara em situações íntimas com o marido.
Clara passa pelo prédio do marido, algo a puxa para dentro. Ela espreita pela fresta da porta do escritório e congela: ele está beijando uma mulher , provavelmente a tal “deslize”.
Clara (em silêncio, para si): Não pode ser...
Ela recua sem ser vista, o coração apertado, respira fundo e volta para casa como se nada tivesse acontecido.
No feed, aparece uma foto: Lucas beijando outra moça. Clara sente uma pontada de ciúmes, mais por imaginação do que realidade.
Clara (sussurrando, tentando se convencer): Ele não é nada meu. Por que eu tô me importando tanto? Vou tomar um banho
Clara chora no chuveiro, deixando sair tudo que acumulou. Depois enxuga as lágrimas com determinação.
Clara (entre soluços, para o teto): Já chega. Chega de sofrer por homem bobo.
Ela marca cabeleireiro, manicure , uma transformação por fora para curar o que dói por dentro.
RENASCIMENTO
Novo visual: cabelo diferente, postura reta, sorriso provocante. O ensaio fotográfico fica incrível; Clara publica as fotos sem anúncio , apenas deixa o feed falar.
Lucas vê as fotos. Memórias e ciúmes misturam-se em arrependimento. Ele abre o chat e escreve:
Lucas (digitando, hesitante): Você está linda.
(Envia. Respira. Olha a tela esperando resposta.)
Clara, agora empoderada, lê a mensagem. Sorri ,nem de satisfação nem de fraqueza, mas de quem sabe seu próprio valor.
Clara (digitando, com calma): Obrigada.
(Depois pensa: não é sobre ele. É sobre mim.)
O PLANO DE LUCAS
Lucas relê a mensagem da Clara pela décima vez. Arrependimento vira ação: ele decide convidá-la para sair , não para reconquistar, mas para falar olho no olho.
Lucas (para si, ensaiando): Não seja bobalhão. Peça pra conversar. Simples. Sem desculpas esfarrapadas.
Ele manda uma mensagem.
Lucas (texto): Clara, vamos nos encontrar pessoalmente pra conversar?
(Envia. Espera. Sente o telefone vibrar.)
Clara lê. Respira. Decide responder com controle e um pouco de humor afiado.
Clara (texto): Pode. Mas só se for num lugar público.
Lucas: Tudo bem, pode ser em uma padaria por perto aí na sua cidade
Clara : Pode ser
No dia e horário marcados, Lucas e Clara finalmente se encontram. Lucas chegou primeiro; pouco depois vendo aproximar‑se, cabelos ao vento, rebolando no passo com aquela presença que sempre o desarmou. Ele tenta disfarçar, mas as mãos tremem um pouco quando ajeita o copo.
Há um silêncio que não é só desconforto , é espaço para sinceridade.
Lucas (engolindo seco): Eu... fui um i****a, Clara. Não consigo te esquecer.
Clara (respira, sem dramatizar): Eu também não.
Lucas (olhando nos olhos): Sinto muito por ter permitido que isso te machucasse. Eu devia ter sido claro, fui covarde. E... eu não quero ser só seu amigo.
(Clara fecha o copo com cuidado, fixa o olhar nele e permanece em silêncio alguns segundos, pesando cada palavra.)
Lucas (pensando, quase sem voz): Que vontade louca de beijar essa boca...
(Um riso contido de Clara atravessa o pensamento dele e quebra a tensão.)
Clara (sacudindo a cabeça como quem afasta um pensamento leve): Vamos pedir algo pra comer?
Lucas (sorrindo aliviado): Boa ideia.
Eles pedem um prato para dividir. A conversa flui: histórias bobas da infância, memórias de viagens, as pequenas esquisitices que cada um tem. Riem alto quando lembram de um episódio antigo, trocam olhares cumplices e, por várias vezes, as mãos roçam sem intenção , cada toque acende algo novo, mas nenhum dos dois força o momento.
No fim da tarde. Ela se levanta devagar.
Clara (sorrindo, sincera): Foi um bom começo. Gostei muito de te conhecer.
Lucas (rindo, emocionado): Eu também gostei muito de te conhecer.
(Clara se inclina e deixa um beijo rápido no rosto dele, quase um selinho teste.)
Lucas fica parado, sentindo uma vontade enorme de beijá‑la de verdade, mas o movimento das pessoas ao redor torna tudo impossível. Então, num sopro de coragem misturado com esperança, ele propõe:
Lucas (um pouco incerto, esperançoso): Quer conhecer minha casa? Posso te levar.
(Por um segundo ele acha que ela vai recusar. Em vez disso, ela sorri com aquela confiança que sempre teve.)
Clara: Sim. Quero conhecer sua casa.
Eles saem lado a lado, um pouco mais leves, com a promessa implícita de que a tarde foi só o primeiro ato. O caminho até o carro é curto, mas cheio de possibilidades, e os dois caminham devagar, saboreando o silêncio que agora tem um gosto diferente.