Enquanto isso, Lucas na serenidade do campo, onde os dias se estendiam no ritmo das estações. A solidão era uma companheira silenciosa, uma sombra suave que pairava sobre a casa vazia, sobre a falta de risadas infantis que nunca ecoaram ali. Ele gostava de encontrar os amigos, de vez em quando, em rodas de conversa em botecos ou em festas na praça. Mas sua casa e a paz do seu próprio espaço eram seu refúgio principal.
Enquanto isso, o destino tecia seus fios em uma teia digital. Uma noite, navegando pelo i********:, os dedos de Lucas deslizavam pela tela, até que um vídeo fez com que ele parasse bruscamente. Uma mulher, com um sorriso vibrante, enchia a pequena tela do celular. Aquele sorriso parecia iluminar os pixels, e ele sentiu algo se agitando dentro de si.
Lucas e Clara nunca haviam se visto. Suas vidas corriam em trilhos paralelos, um na tranquilidade rural e a outra na rotina de uma cidade pequena. Ela havia construído seu próprio mundo, aconchegante e familiar, cercada pelas paredes de sua casa.
Por dias, Lucas se tornou uma presença silenciosa. Assistia aos vídeos de Clara, absorvendo seus gestos, a luz em seu olhar, o tom de sua voz. Cada novo vídeo era como uma pequena dose de uma droga suave, viciante. Até que, uma noite, o dedo hesitou e, com um toque, enviou a solicitação para segui-la.
Do outro lado, Clara organizava suas postagens no i********: quando a notificação de um novo seguidor a surpreendeu. O nome: Lucas. A curiosidade fez com que ela retribuísse o seguimento.
Para a surpresa de Lucas, ela aceitou rápido. Ele, porém, continuou em silêncio, apenas observando. Aquela afinidade com uma mulher que ele nunca havia conhecido pessoalmente crescia em seu peito. A rotina mudou quando Clara começou a reparar nas postagens de Lucas, principalmente nos memes engraçados que ele postava nos Stories. Um dia, ela não resistiu e comentou um deles. O coração de Lucas deu um salto. Ele, que havia observado por tanto tempo, hesitando em dar o primeiro passo, m*l conteve a alegria ao ver a resposta dela. Um emoji e uma breve frase foram o empurrão que faltava para ele finalmente quebrar o silêncio.
Lucas : Eu queria conversar com você, mas fiquei com receio de você não aceitar.
Que isso, como eu faria isso? respondeu Clara. Eu adoro conversar com as pessoas.
Lucas: Que bom.
Clara: Sempre que quiser, pode me chamar que a gente conversa.
Naquele espaço virtual, as palavras se tornaram pontes, unindo dois mundos distintos. As conversas fluíam, profundas e sinceras, e cada mensagem trocada era como um tijolo na construção de algo novo. Lucas sentia-se cada vez mais envolvido, mas a dúvida o corroía: será que ela era casada? Era uma pergunta que ele precisava fazer.
Em uma tarde, ele a enviou.
Lucas: Clara, você é solteira ou casada?
Clara respondeu sem rodeios: Sou casada, tenho três filhos. E você?
Lucas sentiu o estômago revirar. “Que pena”, pensou.
Ainda assim, continuou: Sou solteiro, mas já fui casado. Não durou muito tempo.
E assim, eles continuaram conversando. As histórias de suas vidas, sonhos e medos se misturavam nas mensagens, construindo um laço de amizade que se fortalecia a cada dia. A conexão era sutil, mas constante.
Ao final do dia, Lucas adormecia com a mente cheia das palavras de Clara. Ela também se pegava pensando nele, mas uma culpa crescente a assustava. Aquela i********e, com um estranho que ela só conhecia pela tela, era perigosa e inexplicável.
Certa noite, absorta em pensamentos, ela adormeceu e sonhou com ele. Acordou com a culpa pesando no peito, mas a saudade era mais forte. Ela não conseguia parar de conversar com ele. Lucas, percebendo isso, começou a soltar cantadas sutis. Clara se sentia envergonhada, mas, ao mesmo tempo, uma felicidade esquecida preenchia seu peito. Os elogios ativaram seu amor próprio. Aquela relação proibida era como um tesouro que ela escondia no peito.
Até que, um dia, Lucas foi além e enviou a pergunta desafiadora: “Eu teria chances com você?”
Clara encarou a pergunta na tela do celular como um furacão em miniatura no bolso. Seu coração disparou. A culpa a puxava para um lado, e o desejo para o outro. Ela se levantou, abriu a gaveta do banheiro e fingiu procurar algo, enquanto suas mãos tremiam. Quando finalmente se preparou para digitar, o som de uma chave girando na porta a fez parar. “Oi, cheguei”, a voz de seu marido ecoou. O celular caiu da mão de Clara. A tela acesa mostrava a pergunta de Lucas, como um veredito. Ela engoliu o que tinha escrito, deixando a resposta para depois, enquanto os passos no corredor lhe lembravam que a vida real nunca esperava.
E agora, o que o destino reserva para Clara e Lucas? Você saberá nos próximos capítulos…