Um sorriso bobo brotou nos lábios de Clara, mas a euforia durou pouco. De repente a mão dela subiu, desferindo tapas leves no próprio rosto.
Clara (sussurrando): O que eu tô fazendo? Não posso ficar feliz com isso. Sou casada.
A culpa a atingiu em cheio, gelando a faísca que vira lábios segundos antes.
No dia seguinte, a imagem de Lucas e seu comentário “perigoso” pairavam na mente de Clara como uma nuvem persistente. Ela tentou trabalhar, mas tudo a puxava de volta para ele. Desesperada para afastar o pensamento, pegou o celular e mandou mensagem para o marido, que estava no trabalho:
Clara: Oi, amor! Tudo bem por aí? Saudade.
Pouco depois, veio a resposta curta e distante.
Otávio: Estou trabalhando. Depois a gente conversa.
A frustração encheu Clara. Aquela não era a atenção que ela buscava. Sem pensar muito, copiou a mesma mensagem e enviou a Lucas.
Clara: Oi, Lucas! Tudo bem por aí? Saudade.
Em segundos, Lucas havia visto e respondido.
Lucas: Oi, Clara! Tudo sim. Tô na correria aqui na roça, mas também tô com saudade de conversar!
Ele ainda postou uma foto: suado, mãos de quem trabalha, sorriso frouxo. A mensagem era curta ,igual à de Otávio, mas o tom era diferente. Onde Otávio fora seco, Lucas fora caloroso; onde o marido enviara obrigação, o amigo enviara presença.
Clara ficou olhando para a tela, sentindo uma diferença quase palpável. Mesma frase. Respostas parecidas. Mas o que importava era o que vinha por baixo das palavras.
O que essa diferença sutil significa para Clara?