Sarah.
Hoje o dia foi puxado na minha empresa.
Sou advogada, tenho 23 anos e hoje tive um dos piores casos possíveis.
Sendo advogada criminalista, tive que defender um sujeito chamado Michael Spencer, acusado de homicídio duplamente qualificado.
Em junho de 2017 ele assassinou o filho mas tinha a intenção de m***r somente o atual namorado da ex mulher.
Hoje, após quatro anos do julgamento, ele veio a público com sarcasmo dizendo que teve prazer em m***r alguém que ele colocou no mundo para chamar outro i****a de "pai".
O defendi, mas não valeu em nada, Michael foi condenado a 142 anos de prisão, é como prisão perpétua, ele nunca poderá sair.
Eu até tentei um regime semiaberto mas não funcionou. Ele foi submetido a uma cadeia de segurança máxima, sem visitas, saídas para feriados ou trabalho comunitário nas ruas.
No final do julgamento ele disse a mim: "seu pai manda lembranças".
Aquilo me fez lembrar de dias tortuosos com meu pai.
Meu pai se chama John Miller, sim, o homem mais temido dos Estados Unidos.
Por culpa da justiça e falta de tudo dentro de burocracia e essas coisas, nunca pude trocar meu nome.
Na época eu não podia ser exposta ao mundo por que haviam pessoas querendo me m***r por acharem que sou completamente igual ao meu pai.
Nunca consegui tirar Miller do meu nome e acabei não conseguindo usar o sobrenome de solteira da minha mãe por nunca saber e por já receber uma identidade escrito Sarah Miller.
Mas hoje isso não me abala mais, apenas quando lembro.
Faço terapia e... Não é pra cabeça.
Moro em um apartamento, sou bem sucedida, de repente o sobrenome "Miller" ficou comum e todo mundo não diz nada a respeito, e... Sou uma ninfomaníaca.
Normalmente essa palavra tem um sentimento forte, as pessoas pensam assim.
Ser uma ninfomaníaca não significa que você é louca ou algo do tipo, só significa que você não n**a s**o.
Eu não n**o s**o pra ninguém.
Uso c*******a sim e sempre tenho uma comigo, não deixo de tomar nenhum anticoncepcional por dia e faço terapia pra esse "erro" na minha cabeça. Eu acho um erro.
Meu quarto é grande, só pra ter uma ideia do meu vício... Tenho um closet que era enorme da antiga dona do apertamento, segundo ela mesma "tenho muitas roupas de grife", exagero pra mim. Pedi para que dividissem o closet em dois, uma parte pra ser um mini closet e outra um quarto.
Um quarto secreto pra ser mais exata.
Nas várias prateleiras e sobre cômodas, os mais diversos brinquedos sexuais.
Minha terapeuta disse que sou masoquista, oque não considero.
Tudo que quero após chegar em casa depois de um julgamento como o de hoje, é ser fodida com muita brutalidade enquanto nada me impede de gemer ou gritar.
Mas para minha segurança, é bom não f********o com um pênis diferente todos os dias, então reduzi as "visitas" á boates apenas para os finais de semanas.
Agora é eu e meus brinquedos.
Tomo um banho ainda com a sensação de ter ouvido aquela frase a cinco segundos.
O som da água batendo no chão do box era tão torturante, me lembra dias tristes em que tomo uma ducha para esquecer os problemas.
Sarah Miller é uma lenda... "A garotinha que puxou seu pai".
A garotinha que cresceu no meio de som de sangue esguichando pra todo o lado, gritos de socorro, ossos se quebrando e todo o tipo de som de morte que você possa imaginar.
Meu pai me obrigava a matar... Eu ia dormir a noite lembrando daquelas vítimas me pedindo misericórdia quando meu pai me deixava sozinha com elas.
E eu as matava, com 7 anos de idade.
Nunca foi algo tão sério pra mim, eu considerava isso rotina.
Quando sai do banho eu fui pro quarto de toalha. Tenho dois animais de estimação e ultimamente percebi que eles são tudo que tenho para proteger de quem pode estar atrás de mim.
Meu pai me deixou dividas, inimigos e pessoas que querem vingança.
Luna e Lennon são meus bichinhos. Luna é uma cachorrinha e Lennon um gato.
Coloquei um pijama apenas, sem calcinha por baixo ou sutiã e o desejo me tomou conta. Até ficava arrepiada só de pensar em algum vibrador dentro de mim.
Fui pro meu quarto, fechando a porta.
Suspirei pensando em qual usar e até pensei em colocar um p***o na tv... Que é apenas pra isso que uso ela.
Um p***o específico de algum cara se masturbando e gemendo com sua voz grossa... Era oque eu queria mas não fiz isso.
Sim, esse está ótimo. Um vibrador rosa mas que não era inserido dentro da v****a, era especialmente para o c******s.
E foi assim que a minha noite começou, mesmo sendo depois de um dia h******l onde estive cara a cara com alguém que certamente já tocou John Miller.
[...]
- é.. senhorita. - eu andava rápido, ouvindo o som do meu salto prazer um curto tempo de barulho entre cada pé, enquanto os pés de Lia não fazia nenhuma pausa por ela ser baixinha e estar um pouco mais atrás de mim.
Lia é minha secretária e minha amiga também.
Eu checava meu iPad.
- tem um homem...
- agende-o, Lia hoje eu tenho três julgamento e um deles é a continuação do mês passado, eu não lembro nem onde parei. Aaaah eu preciso me preparar.
- mais esse homem...
- ele pode esperar. - cheguei na minha sala.
- tudo bem. - ela parou finalmente.
- mande Daniel vir aqui. - abri uma pasta sobre a mesa.
- Daniel?... - a olhei ele. - senhori... Quer dizer, vou falar de amiga pra amiga... Ele é muito t****o. - sorri de canto mas logo parei.
- não se preocupa, eu posso demiti-lo em dois segundos. - ela pensou até finalmente sair.
Lia é gordinha e baixinha e mesmo sendo dois anos mais velhas do que eu, parece ser mais nova.
Ela é minha secretária mas uma das únicas amigas que tenho e sinceramente? A levo pra um m*l caminho toda vez que vamos pra boates juntas, e me sinto m*l por que na maioria das vezes eu vou pra um motel com alguém e ela vai pra casa sozinha.
Ao menos ela tem o juízo que não tenho e ela bebe só um copo de martine.
Achei aaa.
- caso Gael... Mendes. - leio. - acusado de feminicidio... Assassinato... - fiquei confusa. - ah... - continuei e não gostei.
Resumindo, Gael matou uma mulher de 32 anos, mais tarde no mesmo dia um homem de 44...
- Gael tem 14 anos... - gelei. - meu deus.
Uma criança... No último julgamento ele não pode participar... Eu não sabia disso.
Ouvi um toc na porta, logo ela foi aberta mas não olhei.
- me chamou? - era Daniel.
O corpo forte, a fisionomia excelente aos olhos de quem acha tudo perfeito... No caso eu.
A melhor parte no corpo de um homem é o braço.
Mas Daniel usava roupas adequadas para o trabalho.
- eu... Não sei se vai partipar do segundo julgamento de hoje. - ele sorriu vindo até a mesa.
- vou.
- ata, era só isso. - ele soltou uma gargalhada.
- não acho que seja só isso. - olhei pra ele, séria sem acreditar em suas palavras.
- claro que era. - voltei a olhar as folhas na pasta.
Ele se aproximou.
Lembra das terapias Sarah?
Você... Você lembra?
Lembra?
- é só casual... Não precisamos casar. - ele chegou por trás.
- não vou pra cama com qualquer um. - sim, eu vou. - já pode ir. - ri.
Mais Daniel me fez sentir seu corpo colado ao meu, aquilo foi como um choque.
Não dava pra prever o futuro, mas estava tão bom.
Provavelmente isso daria uma boa f**a.
- Daniel... - me senti na liberdade de gemer e assim fiz. - aaaa... - seu m****o estava ereto sobre meu bumbum.
- você é a mais gostosa desse prédio... É impossível não bater p*****a pensando em você. - ele me virou pra ele e mesmo esse comentários sendo um pouco "sórdido" para muitos, para mim era um ponto de prazer.
Xingamentos, ofensas, baixarias e palavrões sempre serão algo que me vai me dar o imenso prazer.
E ele atingiu a minha vontade.
Quando começamos a nos beijar ele me sentou sobre a mesa... Sobre os papéis dentro da pasta.
Fiquei imaginando como seria vê-lo bater p*****a, e mais ainda pensar que ele pensa em mim durante o ato.
O guiei depois de um bom tempo para o meu banheiro. Do lado esquerdo da minha mesa tem uma porta, o primeiro cômodo dentro dela são prateleiras dos dois lados ocupadas por vários livros e arquivos... E seguindo pro final desse corredor a uma porta e na parede de uma das prateleiras outra.
Eu fui em direção a que tinha no final do corredor, era o banheiro.
A outra era particular pra mim... Secreta.
Enquanto Daniel ainda me beijava loucamente, tentei medir seu pênis com a mão enquanto o tocava. Não tenho preferência, mas um p*u enorme é oque todas querem e o dele era de tamanho mediano mas parecia ser muito grosso.
Quando ele finalmente parou de me beijar, eu desci com os joelhos até chão, até o sentir completamente caidinho por mim.
Daniel provoca e tenta algo com todas as mulheres, oque me deixa diante disso normal, mas não quero ser a quinta f**a dele do dia.
Porém só pelos seus gemidos constantes, acho que ele não tinha uma f**a a dias.
Ele tirou a camisa social, revelando um corpo nu sem tatuagens, mas em compensação a boa forma dos seus músculos pelo corpo todo.
Na cintura, bem perto da virilha, Daniel tinha uma tatuagem com o nome Mari. Se é uma homenagem pra mulher eu não sei, mas é um lugar muito improvável pra tatuar caso seja o nome da sua filha ou mãe.
Porém ele não tinha anel no dedo e nem a marca dele.
Ok.
Comecei o ato.
E gemi muito após colocar seu pênis dentro da minha boca.
Eu sou tão apaixonada por s**o, tão apaixonada, que as vezes eu nem quero gozar, só ficar olhando pro pênis.
É algo tão fascinante, tocar, pegar, levar a boca... Ver o mesmo gozar.
E só de sentir a textura dele dentro da minha boca macia, isso me atinge de várias formas.
E o som preencheu o banheiro todo assim como seus gemidos. A saliva na minha boca fazia um ótimo som e o aspecto do seu pênis com a minha língua me deixava mais molhada do que eu já estava.
Fiquei tanto tempo ali, de joelhos sobre um tapete fino, que eu já estava com dor nas pernas e Daniel estava quase gozando.
Foi quando ele me puxou pra cima e voltamos a nos beijar.
Meu vestido foi levantado... A sensação tomou conta de mim quando senti o contado dos seus dedos na minha i********e.
Mas eu queria logo, então me virei de costas pra ele.
Quando ele encaixou... Mesmo que lentamente... Conseguia sentir o ar quente da sua boca no seu pescoço e gritei após sentir seu p*u dentro de mim.
- aaaaaaaa... - mordi o próprio lábio após ele apertar minha cintura.
Foi uma das melhores fodas em semanas, era tudo que eu precisava.
Enquanto uns são viciados em drogas... Eu, Sarah Miller, g**o de duas a três vezes ao dia.
É um ciclo vicioso.
[...]
Já era outro dia, outros compromissos e muito trabalho pela manhã.
Hoje por exemplo, pra ter uma noção, foi um daqueles dias em que você está indo pro trabalho mas é como se alguém estivesse indo junto com você.
Havia um carro que me seguiu direto. Eu até suspeitei e precisei parar em um supermercado... O carro estava lá, todo escuro, não dava pra ver nada.
Então eu segui pro trabalho, onde tem guardas justamente pra proteger eu e mais ainda as pessoas.
O carro não passou do meu estacionamento, tinha um passe livre que era apenas para os funcionários.
Parecia que ele sabia, ele nem tentou.
- é... Senhorita...
- Lia, hoje não dá, de novo. - igual a cena de ontem e que se repete todos os dias, Lia tentava me acompanhar com seus passos curtos e sempre com algo em mãos. Dessa vez era um tablet.
- a sua agenda..
- sim, está cheia. - apertei o elevador eufórica.
- mais hoje tem...
- abre logo. - praguejei.
- ah um homem querendo falar com você...
- Lia, não dá, agende-o. - digo entrando no elevador, ela entra junto enquanto dois homens saem.
Apertei o meu andar.
- eu não sei se você sabe... Mais esse homem liga todos os dias.
A olhei.
- quem é? - deu de ombros.
- ele não deixa nome e nem recados, tudo que ele diz é "Preciso falar com Sarah Miller". - engoli em seco e olhei pra frente.
Lia pode ser uma das minhas grandes amigas, mas ela não sabe de nada do meu passado.
- a voz dele é... De alguém velho? - tremi, mas parei assim que ela negou.
- ah não, é bem nova... É até bonita pra um homem que eu nem sei como é. - sorri, mas não fui eu, foi meu outro lado.
- tá, agende-o...
- ele liga a duas semanas, todos os dias e eu agendei ele pra hoje, faz cinco dias que ele está agendado pra hoje. - penso.
- hoje não dá. - o elevador se abriu. - se ontem já foi corrido e eu ainda me atrasei pro julgamento!.. - por causa da f**a com Daniel. - imagina hoje. Tenho um julgamento de três horas, depois preciso fazer uma reunião na empresa... Você vai estar lá. - me virei pra ela, parando.
- eu vou... Te dar apoio no meio daqueles homens loucos por.. seu vestido. - sorri.
Todos eles dentro de um quarto... E eu a única mulher... Hummmmm...
- e... Oque faço com esse homem? - penso.
- deixa eu ver a minha agenda. - ela me entregou o tablet.
Era uma longa semana.
- nossa, tá muito corrido, acho que vou ter que deixar Lennon e Luna com a minha vizinha. - Lia sorriu.
- quem manda você ser a melhor? Todos os dias alguém liga querendo que você seja a advogada de alguém. - olhei pra ela.
- advogada criminalista né. Preciso defender quem não merece nada. - voltei a andar após entregar o tablet pra Lia.
Na minha sala entrou nós duas.
- já deixei os papéis separados como pediu e o arquivo que você disse que queria ver eu não achei, talvez esteja no subsolo mas isso é trabalho de outro departamento pra achar e eu não sei se consigo descer lá em baixo. - ri.
- tem medo Lia? - ela concordou com um sorriso de nervoso. - tudo bem, eu peço pra alguém pegar. Não é importante, só que tem ligamento com um dos meus casos de hoje. É o terceiro julgamento do meu cliente, e o último aconteceu em 1977. - digo, pensando. - tem um arquivo ligado a ele mas isso é irrelevante hoje. Porém eu precisava ver. - penso.
- tá bom... E o homem? - olhei pra ela.
- Lia eu não sei se vou conseguir ter um tempo com ele hoje. - abri a pasta sobre a mesa.
- eu... Agendo ele pra outro dia?
- não, primeiro você diz a ele da próxima vez que ligar, oque ele quer comigo... Sei lá, faça perguntas, pegue o nome dele, o sobrenome, até o CPF se for necessário. Alguém que só quer falar comigo não deve ser agendado.
- é que ele insistiu tanto... Parecia até alguém que precisava de você. - tremi.
Minha terapeuta diz que sou traumatizada e não acho. Mas quando alguém me faz relembrar o passado, mesmo que sem saber que fez isso, eu acabo que tendo flashs tão rápido na minha cabeça e isso me treme dos pés a cabeça.
Eu chego a arrepiar.
- bom...
- posso agenda-lo para outro dia mas ele liga sempre. - não deve ser alguém conhecido.
- mais pegue o nome dele, todo o nome. - Lia concordou.
Quando decidi que começaria a me preparar, Lia foi embora para os seus afazeres e comecei.
Mas oque não chegou a durar meia hora pelos meus pensamentos, me deixou aflita de curiosidade.
Independentemente de qualquer coisa, esse homem não deve ser alguém como... Meu irmão.
Não era pra isso me deixar assim, mas na maioria das vezes eu não sei oque pode acontecer comigo caso eu não investigue.
Meu celular toca. Pego ele tão rápido pelo som ter me dado um susto e já atendo no mesmo momento em que vejo o nome na tela.
Omar.
Respirei fundo.
- alô. - minha voz deu uma tremida mas me mantive firme.
- estou tentando ligar pra você a duas semanas. - suspirei.
- eu sei, Omar eu sei, está tudo tão corrido...
- tá com ele aí? Onde você tá?
- não tô com ele aqui, não em espécie. Você nunca me deixa depositar. - menti.
- preciso do dinheiro vivo. Vou mandar alguém aí buscar.
- não, Omar, estou no traba...
Ele desligou.
Me debati de ódio, não por Omar, por John.
Depois de passar a adolescência inteirinha em um orfanato, Omar e assim como muitos outros, me ameaçavam de morte.
Duas mulheres já morreram por conta disso.
Omar é uma dívida.
John me deixou eles como herança.
Mas Omar é a maior dívida que tenho.
463 mil.
E até agora só paguei 89 mil.
Ganho bem, muito bem, mas todo mês, só pra ele, tiro 12 mil reais.
Essa dívida é bem recente, por um tempo Omar nunca apareceu. E pelo que sei "seu pai me deve toda a grana das armas que ele comprou de mim".
Pensando bem agora, meu pai tinha as melhores armas para caçar e matar... A grande maioria era uma exposição em um quarto apenas para isso.
Quarto esse que foi fotografado e até hoje circula pelos jornais e redes sociais.
Então imagino o motivo do valor tão alto.
Respirei fundo e sai da minha sala.
Peguei o elevador, esperei, desci antes do andar pra falar com Lia e ela parecia nervosa.
- Lia peça para os seguranças ficarem na minha porta... - Lia estava eufórica mas em silêncio. Queria falar mas não conseguia. - oque foi? - ela fez alguma coisa com o olhar mas não consegui entender.
- é... Tem um.. homem... Ele... Estava... Agendado.
- onde?
- atrás de você.. não olhe, ele está longe. - não olhei.
- agende-o novamente como pedi, hoje não dá, agora não dá. - sigo pro elevador.
Não sei como ele era e fiquei com vontade de olhar mas sentia a faca sendo passada no meu pescoço caso eu não pague Omar.
O tal "grande amigo" de meu pai.
E agora, um inimigo qualquer.
- ele disse que vai esperar o tempo que for necessário mas que quer falar com você de todos os jeitos. - penso, até o elevador se abrir.
Lia entrou comigo.
Seria mais um inimigo? Ou só um cliente querendo a minha ajuda urgentemente?
Apertei o botão e quando olhei pra frente, meus olhos bateram nos dele... O maxilar era marcado e parecia contraído, as mãos dentro do bolso da calça... Todo de preto e passando medo só pelo seu jeito.
O elevador se fechou e ele continuou me olhando até nossos olhares serem cortados pela porta.
- você viu? - soltei o ar que prendia. - é aquele homem que tem uma voz grossa e firme, que liga todos os dias perguntando por você. - disse ela.
- ele é tão... - gostoso, não vou mentir não.
- ele da medo, parece que tem uma força bruta.
Uma força bruta...
Passei a mão na nuca tentando aliviar o sentimento que não posso sentir agora, não agora.
Eu não sei por que sou assim, sinto t***o em todos os homens e até que eu não esteja satisfeita, isso não vai embora da minha cabeça.
E as vezes não precisa ser aquele homem, sabe, qualquer um já está bom. Por exemplo, esse sujeito que acabei de ver me deixou maluca, mas não precisa ser com ele que vou me aliviar.
É complicado.
Aaaah.
Eu faço terapia pra descomplicar mas é mais complicado ainda.
O elevador se abriu no andar da minha sala.
- vou chamar os seguranças como pediu. - ela saiu andando.
- Lia. - parou.
- sim. - respirei fundo.
- deixe a passagem livre para Omar. - Lia não respondeu por alguns segundos até finalmente concordar.
Ela pode ser minha melhor amiga, mesmo parecendo tão obediente no trabalho e tímida, fora daqui conversamos tanto.
Mais ela não sabe sobre meu passado. Talvez já tenha associado meu sobrenome com a reportagem que viu na tv alguma vez, mas ela nunca me deixou, ela nunca me perguntou nada.
Se ela sabe de algo, certamente não se sente incomodada com isso.
Na minha sala fiz um drink pra mim, drink não, eu só peguei uma garrafa qualquer e quando bebi o líquido percebi que era whisky.
Coloquei gelo, estava h******l.
Mais a vinda de Omar demorou tanto, aqueles 43 minutos olhando pro relógio, me deixaram angustiada.
Eu já estava no terceiro copo e esse já era de vodka.
Alguém bateu na porta. Arrumei o vestido.
- entre. - larguei o copo sobre a mesa e me coloquei em uma postura reta.
Mas não era Omar que entrou pela porta.
Muito menos alguém que eu se quer já vi.
- tudo bem? - perguntei e ele fechou a porta me olhando.
- Omar me mandou aqui. - cabelos loiros, olhos verdes, pele quase pálida, jaqueta de couro. - vim pegar a grana. - ele se aproximou.
- quer... Beber algo? - eu estava com medo, vi de primeira a pequena onda na sua cintura, ou melhor... A arma na sua cintura.
- não enrola gatinha, já sabe como funciona. - eu engoli em seco mas pra segurar a raiva.
Odeio esse tipo de tom de voz, com deboche.
Fui até o cofre atrás da minha mesa, na estante baixa que ocupa o espaço em baixo da enorme janela.
Peguei uma parte do dinheiro, como o combinado de todo mês e coloquei sobre a mesa aos poucos.
- você trouxe algo? Pra colocar dentro? - ele tinha uma mochila nas costas, eu não percebi, estava todo de preto também.
E ele foi colocando dentro, checando a cada bolinho de dinheiro.
Mas quando estava tudo ok, puxou algo do bolso e ninguém sabe o quanto me assustei.
Não estava nos meus planos mostrar medo, por isso eu estava seriamente em uma postura de coragem, mas naquele momento tremi e mostrei medo. Ele soltou uma risada.
- relaxa, mensagem do teu pai. - me entregou um envelope. - pega. - eu não tive coragem. - pega logo. - me assustei e peguei de suas mãos. - em breve ele está de volta. - deu um meio sorriso, se virando e indo embora.
Co-como assim?
Meu pai?
Eu esperei uns três minutos pra sair da sala.
- o meu cliente já foi? - perguntei aos dois seguranças.
- sim senhora, já informaram que ele atravessou o portão de acesso. - fiquei aliviada.
- muito obrigada, podem voltar pros seus postos. - digo e eles saem andando.
Eu fui junto, mas por outro lugar, precisava ligar pra..
- senhorita..
- Lia agora não dá.
- é importante.
- eu não posso... - nossa...
Foi tão.. tão rápido.
De repente eu esbarrei em alguém e de repente esse alguém me segurou firmemente.
- me.. desculpa. - de algum jeito fui tomada pelo desejo que vi em seus olhos... Seu maxilar marcava bastante em seu rosto.
- cuidado, Sarah. - me soltou, pois ainda me segurava.
Lia estava ao nosso lado e eu não consegui tirar os olhos dele.
Era ele, aquele que liga o tempo todo atrás de mim.
- é.. - Lia me tirou dali e me afastei um pouco, olhando pra ela.
- eu preciso ir... Lia, me traga os documentos... - olhei pra ele por um segundo. - confidenciais. - Lia relaxou o rosto. - urgente. - digo olhando pro homem mas logo saio andando.
Não falei "confidenciais" para aquele homem não entender, falei "confidenciais" por que os arquivos mais confidenciais que temos fica em um lugar relativamente secreto.
É do meu pai e ela sabe, mas para ela é apenas documentos de John Miller.
Voltando pra minha sala, mesmo estando com medo das palavras que saiu da boca do empregado de Omar, aquele homem ao qual acabei de esbarrar me deixou... Uau.
Não posso e não consigo administrar dois sentimentos em um só momento.
Estou com medo mais... Com t***o.
Ele tinha mãos firmes, um olhar ao qual eu adoraria sentir enquanto estou fazendo oque faço de melhor...
Eu vou enlouquecer!
- Sarah. - Lia abriu a porta e eu estava tão perto dela, com as mãos na cabeça. - aconteceu alguma coisa? Oque tá acontecendo? - ela me entregou o arquivo e eu custei a pegar pelo medo das coisas que tinham ali dentro.
- tá tudo bem sim. - sorri. - só preciso... De uma informação. - ela estava preocupada.
- é... Aquele homem.
- ele já foi.
- não, digo... O que segurou você. - suas mãos eram firmes. - ele disse que vai esperar até você ter um tempo, se isso não acontecer hoje, ele volta amanhã.
- mais quem é ele? - perguntei.
- ele só quer falar com você, eu ainda não consegui arrancar nenhuma informação. - penso até concordar.
- tudo bem, se eu tiver tempo hoje eu falo com ele. - Lia concordou até sair.
E com aquele envelope em mãos, segui até a minha mesa onde me sentei atrás dela.
Alcancei o telefone sobre a mesma tremendo, mas quando peguei respirei fundo.
Trouxe mais pra perto e abri o envelope. Estava um pouco grosso por conter várias folhas lá dentro, esse é o único documento que tenho do meu pai em minha empresa, mas tem as milhares caixas sobre tudo que ele já fez mas isso está na minha casa, no quarto de hóspedes por eu já ter precisado.
Abro o envelope e puxo as folhas, mas as tiro até achar a que quero.
- essa. - sussurrei pra mim mesma achando.
Departamento de detentos da prisão máxima.
Tentei respirar fundo e me concentrar.
Ok.
Peguei o telefone e disquei o numero que estava na folha. Ao qual eu nunca decoro mas por opção minha.
- prisão máxima de Fremont, em que posso ajudar? - engolhi em seco.
- é...
- informações básicas são em outro setor, passarei a senhora pra lá...
- não!... Quer dizer. - fiz um som com a garganta me ajeitando. - sou a advogada Sarah.
- só um segundo. - ouvi um som em um teclado de computador. - Sarah de que por favor?
- é... Miller. - engoli em seco.
- senha por favor. - disse e fechei os olhos colocando a mão nos mesmos.
- é... d***a.
- sei quem é você, ligava todos os meses mas não era eu que ocupava o cargo antes. - abri os olhos pensando. - Sarah Miller, advogada atualmente de Orlando mas pode viajar pra qualquer lugar pra ajudar um cliente... 23 anos... - a interrompi.
- eu só preciso saber de um detento.
- entendo, mas para a privacidade dos crimes que eles cometeram, nem mesmo eu posso acessar alguma fixa sem a senha, e se eu acessar a fixa sem estar na linha com um advogado, posso ser presa. Então caso você não lembre, não posso te dizer nenhuma informação. - estava na ponta da língua.
- é... 081501. - digo esperando por um não.
Ela fez barulho no teclado outra vez.
- ah, pronto. Oque quer saber?
- John... Miller. - minhas mãos tremiam e certamente estavam suando mas eu não prestei atenção.
- John Miller... Sarah Miller. - meio que debochou em tom de ironia. - bom... John. - falou o nome um pouco devagar por estar digitando. - John Miller, assassino condenado a prisão perpétua até 2012... É esse?
- sim.
- olha, o caso dele não mudou nada mas olhando pelas... Só um segundo. - agora ouvi o som do mouse sendo clicado algumas vezes. - a fixa dele mudou a três semanas... Bom comportamento, trabalho fora da cela... Foi reacomodado no terceiro andar, hum, isso é bom.
- por que é bom? - tremi....