Má notícia

1015 Words
(Maya) Bhav era um bastardo infeliz. Não teve nem sequer a descência de cancelar o jantar que daria para uma família de possíveis sócios depois que Shaila morreu, ainda ordenou que eu mudasse apenas a decoração. Ao invés da extravagância que queria antes pediu uma decoração discreta e simples. Se um lado meu o odiava ainda mais por não cancelar essa d***a de recepção, o outro agradeceu por ter algo com que me distrair. Os últimos dias estavam sendo muito difíceis para que eu passasse com a mente vazia e eu me sentia enclausurada sem nada de bom para fazer. — Devo cancelar os arranjos, senhorita? — Sim, por favor. – Respondi a uma das empregadas que estavam reunidas comigo na sala de estar organizando os detalhes do jantar. Estávamos todas sentadas no sofá e no momento eu estava folheando algumas revistas que peguei para ter uma noção de como arrumar esse show de falsidade. A idéia de sabotagem me pareceu muito mais interessante e atraente. Bhav abriu a porta de entrada e a fechou sem um pingo de delicadeza, o som alto da porta batendo ecoou pelo cômodo e todas as meninas se assustaram e levantaram em seguida, menos eu. Ele se aproximou lentamente e olhou tudo ao redor, analisando cada uma de nós. — Voltem ao trabalho. – Elas se espalharam indo em direção a outros cômodos da casa. Amedrontadas pela ignorância dele. Revirei os olhos enquanto ele me encarava, se estava esperando que eu ficasse de pé melhor seria arranjar um colchonete e esperar aqui mesmo, deitado pelo resto da vida. — Escolha com cuidado ad suas vestes para a recepção. Mande fazer uma especialmente para a ocasião. – Franzi o cenho. — E posso saber or que? – Não era novidade para ninguém que nos conhecia que eu me recusava a seguir fielmente os costumes daqui, Bhav tinha seu lugar de destaque entre os empresários e já fui assunto entre eles pela minha "rebeldia", principalmente quando se tratava das minhas vestimentas. — Porque vai conhecer seu noivo. – O que? Não segurei o riso. Me levantei e andei até o outro lado da sala dando as costas a ele, gargalhei por um bom tempo, essa piada foi muito boa. Eu tinha que admitir. — Sério Bhav? Não precisa tentar me fazer rir só porque Shaila morreu. – Cruzei os braços o encarando com acidez. — Nós dois sabemos que não é como se você se importasse comigo ou com ela. Os olhos escuros dele brilharam de raiva e ele trincou o maxilar, eu quase pude ouvir o som. — Me respeite, Maya. – Rosnou ele, andando lentamente em minha direção. — Não tem brincadeira nenhuma. Já está decidido e acordado, só tem que fazer a sua parte. Procurei algum vestígio de incerteza em seus olhos, ele realmente falou sério? Minha respiração mudou de ritmo de repente. — Eu não vou me casar! – Eu disse firmemente, mantendo o queixo erguido. Ele apenas sorriu de lado arqueando uma sobrancelha. Maldit.a mania de família que eu também tinha. — Não estou perguntando, estou dizendo que você vai se casar. Não me interessa se quer ou não, fará tudo o que eu mandar. — Você não vai me obrigar! – Acenei negando, ele se aproximou ainda mais tentando me intimidar, só que ele não causava nada em mim a não ser nojo e repulsa. — Veremos. – A proximidade era tanta que seu rosto ficou a centímetros do meu, podia sentir sua respiração pesada. — Não ouse descumprir minhas ordens, Maya. — Não pode fazer isso. O costume não é assim, os noivos participam do processo e têm o direito de recusar se... – Ele se virou, começando a deixar o cômodo. — Ah, minha querida! você nunca foi apegada aos costumes, não é mesmo? – Disse ele com ironia, se eu tivesse uma faca nas mãos já tinha lançado em suas costas. Ele subiu os primeiros degraus da escada com tranquilidade enquanto eu me consumia de raiva. — É ISSO QUE VOCÊ QUER, NÃO É? – Gritei para ele com um gosto amargo na boca. Bhav parou e olhou para mim. — Destruir a minha vida como faz com todos que te rodeiam? É só assim que se sente satisfeito? Você não passa de um verm.e! Não sabe o que é amar ninguém, nunca soube. Tenho nojo da sua falsidade diante das pessoas! Você nunca vai ser o que mostra a eles! Eu gritei a plenos pulmões, para ele e para quem mais quisesse ouvir. Os olhos dele ficaram congelados em mim por alguns segundos, as sobrancelhas se juntando indicando que ele não acreditava no que eu tinha acabado de dizer. O olhar de Bhav escureceu enquanto ele descia as escadas e vinha até mim em passos lentos. Eu não me intimidei ou recuei, não tinha dito nenhuma mentira e em algum momento eu ia terminar explodindo. Bhav chegou a abrir a boca mas nenhuma palavra saiu, a respiração dele acelerou e o rosto ficou avermelhado, o brilho de raiva foi a última coisa que vi com clareza, um segundo depois senti um impacto tão forte que me levou ao chão, a queimação atingiu meu rosto seguida pela dor, só então me dei conta de que levei um t**a. Toquei o local que agora doía muito, Bhav se agachou e pegou meu rosto com violência, apertando a minha pele e me fazendo encarar seus olhos duros e sombrios. — Nunca mais fale comigo assim. Não cometa o erro de achar que é alguém porque você não é. Você não é igual a sua mãe, eu estava errado quando comparei as duas, você é ainda pior que ela. – Ele cuspiu as palavras e me soltou com um solavanco que terminou com o baque do meu corpo contra o chão, Bhav simplesmente deixou a sala, subindo as escadas em direção ao seu quarto. Permaneci ali jogada no chão juntando forças para levantar e quando finalmente consegui estava chorando, um choro de humilhação e raiva. Bhav ia se ver comigo, ele não perde por esperar.
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