Dulce Maria
Eu estava cega de ódio, caminhando a passos largos pela delegacia para chegar logo no meu carro, eu só queria chegar na minha casa e pegar a minha filha, mas antes quebrar Juliana na porrada. Ela vai presa, mas se depender de mim antes ela ficará um bom tempo no hospital. Eu não via ninguém, mas atrás de mim eu podia ouvir Parker, Maite e Christopher falando comigo, todos querendo saber o que aconteceu
Dulce – Querem mesmo saber o que aconteceu? – Me viro para eles extremamente nervosa
Parker – Sim, ficamos preocupados com você
Dulce – Pois bem eu vou falar – Respiro fundo com as mãos na cintura – A denúncia de uma criança chorando é na minha casa e eu vi pelo aplicativo da câmera no meu celular que a filha da p**a da babá está batendo nela. A criança se trata da minha filha
Parker – Filha?
Dulce – Sim, eu tenho uma filha, mas depois conversamos porque agora eu vou até lá mata-la
Ucker – Eu vou com você
Dulce – Já falei que não preciso de babá
Me virei para entrar no carro mas ouvi quando Parker mandou Christopher ir comigo sim, estava com medo do que eu poderia fazer e de que eu pudesse causar um acidente. Christopher bateu na porta do carro e eu abri, não queria ele junto mas não ia ficar discutindo, afinal ia ser mais um para assistir o meu show.
Enquanto estávamos no caminho, Christopher, que não consegue ficar quieto, resolve começar a questionar
Ucker – Como você sabe que ela estava batendo na sua filha?
Dulce – Não ouviu quando eu falei que tenho câmeras na minha casa? – Nervosa
Ucker – Eu ouvi sim, mas você viu nitidamente ela batendo na sua filha?
Dulce – Christopher você acha mesmo que eu inventaria uma coisa dessas? É claro que eu vi, p***a!
Ucker- Ok, quando chegarmos lá eu vou analisar a câmera
Dulce – Faça o que quiser, só fica quieto por favor – Revirando os olhos
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Estacionei na porta do prédio e vi ali as duas viaturas paradas, sai do carro apressadamente com Christopher ao meu lado falando para eu ficar calma e não fazer nenhuma besteira. O que seria impossível.
Subimos o elevador e logo na porta do apartamento estavam 2 policiais conversando com Juliana, me aproximei e ela imediatamente veio até mim. Fiz menção para que eles se afastassem e deixassem eu conversar com ela
Juliana – Oi Dulce que bom que chegou, os vizinhos eles...
Não deixei ela terminar de falar e acertei- lhe um soco no olho e uma bicuda em sua barriga, fazendo ela se desequilibrar e cair
Dulce – Isso – Pontapé – É pra você aprender – Pontapé – A nunca mais agredir uma criança – Pontapé - EU VOU TE MATAAAARRR - Gritei
Me sentei em cima dela, pegando em seu cabelo e quando ia fazer ela bater a cabeça no chão, porque sim eu queria estourar os miolos dela, Christopher e os demais policiais vieram me segurar
Ucker – Calma Dulce, p***a! Você sabe que isso pode te prejudicar, deixa que vamos levar ela para a cadeia, que é o lugar dela
Dulce – O lugar dela é no inferno ao lado do capeta
Ucker – Acho que sua filha não quer ter uma mãe presa, não é? Porque do jeito que você está, sabe que é capaz de mata- la e você mais do que ninguém sabe do que pode vir acontecer se você matar ela – Assenti e ele me abraçou de lado e continuou a falar – Então pronto, eu já pedi uma cópia das gravações da câmera, eles vão nos enviar – Passando a língua pelos lábios – Se ela for culpada, vai pagar
Enquanto ele falava comigo, vi Juliana passar na minha frente com as mãos algemadas e acompanhada dos policiais, fiz questão de cuspir em cima dela
Dulce – Você não acredita em mim, não é?
Ucker – Não é isso, eu acredito em você porém precisamos de provas, você sabe disso
Dulce – Sim – Assentindo com a cabeça e passando as mãos pelo rosto – Cadê a minha filha? Eu preciso ver ela
Policial – Ela está no quarto, um dos policiais está tentando acalmar ela
Dulce – Eu vou lá
Adentrei no quarto e ela estava sentada na cama com uma policial ao seu lado, minha bebê chorava tanto. Não pensei 2 vezes em pegar ela no colo e percebi que ela chorou ainda mais quando encostei em seu bracinho.
Policial – Ela está reclamando de dor no braço e na testa tem um g**o, íamos levar ela no hospital agora para o médico ver
Dulce – Pode deixar que eu mesma levo
Policial – É protocolo ir de ambulância
Dulce – Enfia o protocolo no....
Christopher não deixou eu terminar de falar, tampou minha boca e disse para a policial que Parker já estava avisado e autorizou a ida ao hospital sem a ambulância. Antes que qualquer um pudesse falar algo eu já estava com uma bolsa no ombro e dentro do elevador.
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Christopher foi comigo até o hospital mas dessa vez foi a meu pedido pois minha filha não parava de chorar e reclamava de dor, então já que eu teria que ficar com ela no banco de trás, alguém teria que dirigir.
Os médicos já haviam levado ela para fazer exames e eu aguardava por notícias na sala de espera, as horas parecem passar devagar quando quem está ali no hospital é sua filha. Tínhamos chegado faz 30 minutos e eu já estava ficando desesperada sem notícias
Dulce – Será que ninguém vai vir falar nada? Poxa já estamos aqui há um tempão
Ucker – Talvez os exames demorem Dul...- Fitei ele- ce
Dulce – Minha está filha lá dentro - Sentindo a voz embargar - Sabe- se la sentindo que tipo de dor e eu aqui fora sem poder fazer nada, que tipo de mãe eu sou ?
Em meu rosto lágrimas caiam, eu me sentia péssima e culpada por tudo.
Ucker – Você é o tipo de mãe que é investigadora do FBI, que salvou e devolveu para suas famílias dezenas de crianças e a sua filha provavelmente está sendo atendida por alguma mãe ou pai de outra criança e eles também nesse momento não podem estar com seus filhos, pois estão cuidando de sua filha e salvando filhos de outras famílias. Cada um salva e cuida como pode.
Dulce – Mas como eu não vi isso embaixo dos meus próprios olhos?
Ucker – O ser humano é falho e nós estamos no meio de uma investigação muito complicada, você tentou de todas as formas ser mãe e profissional ao mesmo tempo e acabou acontecendo isso, não se culpe
Dulce – Ela estava há pouco tempo com a gente, no dia que fiz a entrevista ela passou o dia comigo e com a Maria, ela parecia gostar tanto de crianças - Soluçando
Ucker – Já sabemos que nem todo mundo é como a gente acha
Fiz menção em respondê- lo quando Fernandez, o médico responsável pela minha filha apareceu para dar notícias da Maria Paula
Dr Fernández – Dulce, fizemos alguns exames, Raio – X e ultrasson na sua filha e graças a Deus não encontramos nada de muito sério, ela só está com um g**o na cabeça e uma pequena luxação no pulso esquerdo, mas nada que 7 dias com ele imobilizado e tomando antibiótico não possa melhorar
Ucker – Ainda bem que foi só isso
Dulce – Eu posso já leva- la para casa?
Dr Fernandez – Sim, mas ela está dormindo agora, estava muito agitada por conta do susto e da dor então demos um remédio para dor, acalmamos ela e fizemos ela dormir, assim que ela acordar você poderá levar ela para casa. Mas se quiser eu posso levar agora você até o quarto onde ela está
Dulce – Quero sim – Já levantando
Dr Fernandez – Então vamos
Ucker – Bom já que já está tudo dentro dos conformes, eu vou chamar um Uber e voltar para a delegacia, já são 18:50 e eu preciso terminar algumas coisas – Se levantando também
Dulce – Ok vai lá e muito obrigada pela ajuda hoje
Ucker – Não precisa agradecer – Pisca
Sorri de canto, Christopher foi embora e eu segui o médico.
Estávamos na ala pediátrica, ao entrar no quarto notei que as paredes eram cheias de desenhos e haviam alguns brinquedos no chão.
Dr Fernandez – Fique a vontade, se precisar é só chamar apertando o botão de emergência
Ele mostrou onde ficava o botão e saiu em seguida, deixando nós duas sozinhas no quarto. Me aproximei da minha pequena que dormia profundamente e novamente algumas lágrimas lavavam o meu rosto
Dulce – Tão pequena e passando por tantas coisas, perdoa a mamãe tá? Eu te amo muito – Chorando
Dei um beijo em sua testa, arrastei uma cadeira que havia ali para próximo dela e fiquei velando o seu sono.