A sugestão de jogar sinuca quebrou a conversa animada do grupo. Todos se levantaram, vibrando com a ideia, e lá fomos nós. Túlio, sempre no centro das atenções, liderava o caminho com risadas e brincadeiras, enquanto Murilo, com uma expressão mais contida, aproximou-se de mim com uma cautela quase palpável.
— Você está bem, July? — Ele perguntou com um olhar preocupado. Forcei um sorriso e afirmei com a cabeça, tentando esconder minhas verdadeiras emoções. — Não é o que os seus olhos estão afirmando — ele observou com perspicácia. Havia uma sinceridade em sua voz que me fez hesitar.
— Estou bem, não se preocupe — insisti, embora soubesse que meus olhos me traí@m.
— Você estava mais animada antes de sair com o Túlio — ele comentou, e eu não pude deixar de concordar internamente. A verdade era que eu estava bem melhor antes daquela ida ao quarto com Túlio. — Ele fez algo com você?
— Só estou com um pouco de dor de cabeça, não é nada de mais — justifiquei, desviando o olhar.
Cristine, percebendo a tensão, se aproximou e grudou em meu braço.
— Discutiram novamente, não foi? — Ela perguntou diretamente, enquanto Murilo me observava com uma expressão de quem não acreditava totalmente nas minhas palavras.
— Está tudo bem, só tivemos uma pequena discussão, mas já foi resolvido — disse, encontrando o olhar de Murilo, que suspirou, claramente incomodado, antes de voltar a beber sua cerveja.
— Como sempre, já foi resolvido. Ele é um b@baca mesmo — Cristine afirmou categoricamente, sem rodeios.
Nesse momento, Mia se aproximou e segurou o braço de Murilo. Não pude evitar um revirar de olhos e um suspiro profundo diante daquela cena. Eu e Cristine aceleramos o passo, deixando-os mais à vontade.
— Mulher insuportável — Cristine comentou, sua voz carregada de desgosto. — Você quer ir embora, amiga? Eu posso ir com você, se quiser, posso dormir na sua casa hoje ou você dorme na minha — ela ofereceu, demonstrando uma preocupação genuína.
— Não é preciso, amiga, pode ficar tranquila. Continue sua diversão porque eu vi que você e o Marcelo estão se entendendo, eu estou bem — assegurei, mas por dentro, eu sabia que a realidade era outra. Mas não queria, nem poderia acabar com a noite dela devido a uma situação que eu mesma havia criado.
— Certeza? — Ela perguntou, olhando-me nos olhos, buscando a verdade.
— Sim, certeza — garanti, embora uma parte de mim gritasse o contrário.
— Quando ele vai deixar de ser bab@ca? — Cristine insistiu, não disfarçando sua preocupação.
— Eu não quero mais falar sobre ele — pedi, sentindo a necessidade de fugir daquele assunto. Ela me abraçou, transmitindo um conforto que eu tanto precisava, e logo entramos na sala de jogos. Aproveitei para me acomodar em um puf no canto da sala, Cristine sentou-se ao meu lado e Murilo ocupou uma poltrona próxima.
Eu observava a movimentação do ambiente, perdida em meus próprios pensamentos, quando Cristine decidiu agitar um pouco mais as coisas. Com um brilho travesso nos olhos, ela virou-se para Murilo.
— Olha isso, Murilo, é ótimo sentar aqui, quer trocar de lugar? — Cristine falou, exalando animação. Olhei para ela, incrédula e um pouco divertida com sua audácia. Túlio, por sua vez, estava completamente absorvido no jogo de sinuca com Marcelo e mais dois amigos, enquanto Mia e uma amiga os observavam, claramente entusiasmadas.
— Minha poltrona também é muito confortável — Murilo respondeu, um sorriso divertido delineando seus lábios, entendendo claramente o jogo de Cristine. Neguei com a cabeça, um sorriso discreto surgindo em meus lábios.
— Tenho certeza, mas não é mais do que aqui — ela insistiu, empenhada em sua missão.
— Vamos trocar de lugar, para mim ver se é tão bom assim — Murilo sugeriu, fingindo inocência, como se nunca tivesse experimentado a comodidade do puf. Eu estava prestes a me levantar quando Cristine me encarou com uma intensidade que me fez hesitar.
— Você não ouse levantar daqui ou eu m@to você — ela ordenou, meio brincando, meio séria. Murilo não pôde conter um sorriso ao perceber o que Cristine estava tramando.
Ela se levantou, trocando de lugar com ele, que agora se sentava ao meu lado.
— Realmente tenho que concordar, Cristine, aqui é bem mais confortável — ele comentou, aceitando uma cerveja que ela lhe entregou.
Murilo se esticou graciosamente para alcançar sua garrafa, e, nesse movimento fluido, nossos olhares se entrelaçaram por um instante fugaz. Seus olhos brilhavam com um misto de cumplicidade e uma promessa não dita, enquanto ele esboçava um sorriso discreto. Ele se reajustou com uma elegância casual, como se cada movimento seu fosse coreografado para capturar minha atenção.
Eu, por minha vez, engoli em seco, sentindo uma onda de calor percorrer meu corpo. Minha mão deslizou automaticamente para a nuca, numa tentativa vã de aliviar a tensão que me invadia. A proximidade dele desencadeava uma tempestade de sensações em mim, fazendo meu coração acelerar e minha respiração ficar mais pesada. Visivelmente nervosa por tê-lo tão perto, eu lutava para manter a compostura, enquanto um turbilhão de emoções e desejo não confessado agitava-se em meu íntimo.
— Eu te disse — Cristine declarou vitoriosa, claramente satisfeita com o resultado da sua artimanha.
Momentos depois, Murilo decidiu quebrar o silêncio entre nós.
— Não gosto de te ver assim — Murilo sussurrou, mantendo seus olhos fixos na mesa de sinuca onde seus amigos estavam concentrados.
As pessoas na sala estavam cheias de entusiamo, todas envolvidas em diferentes atividades. Algumas jogavam sinuca em outra mesa, outras se entregavam a diferentes jogos. Várias garotas dançavam ao som da música, enquanto outras apenas conversavam e se divertiam. Mia, aproveitando a oportunidade, começou a dançar com sua amiga perto da mesa onde Túlio estava.
— Assim como? — Questionei, fazendo-me de desentendida, mas seguindo seu olhar na mesma direção.
— Triste! Se você quiser, podemos conversar — ele sugeriu, pegando seu celular e desbloqueando-o com um sorriso leve nos lábios.
— Essa é uma ótima ideia — concordei, observando enquanto ele digitava algo.
Foi então que recebi uma notificação no meu celular. Ele enviou uma mensagem que dizia:
"Prefiro te ver sorrindo", achei a mensagem tão doce que sorri involuntariamente.
— Assim é bem melhor — ele disse, notando meu sorriso.
“Eu gosto muito da sua companhia", digitei, enviando a mensagem. Murilo sorriu de forma contida.
“Eu também gosto da sua companhia, July", ele enviou.
"Obrigada por se preocupar comigo, você é um cara maravilhoso", enviei junto com alguns emojis tímidos.
"Sempre vou me preocupar com você. Quer conversar sobre o que te deixou assim tão tristinha? Não quero te ver desse jeito", ele digitou, e nos encontramos trocando olhares cúmplices.
Estávamos lado a lado, conversando por mensagens, e o melhor era que ninguém ao redor parecia perceber. Para todos, éramos apenas duas pessoas mexendo nos telefones durante uma festa, algo totalmente normal.
Túlio lançou alguns olhares em nossa direção, mas não pareceu se incomodar com a presença de Murilo ao meu lado. Senti um alívio por saber que isso não seria mais um motivo para discussões.
"O mesmo de sempre, acredito que você saiba que o Túlio quer tr@nsar comigo", digitei, sem constrangimento. Murilo era amigo de Túlio e, provavelmente, estava ciente de sua 0bsessão em querer tirar minha virgind@de, levando em consideração a falta de discrição do meu namorado.
— Sim, eu sei — ele respondeu, olhando-me com atenção. Eu o encarei, sentindo uma mistura de frustração e alívio.
"Mas você está pronta para dar esse passo?", enviou por mensagem.
— Não! — Foi minha resposta imediata, sem a necessidade de digitar.
— Então não faça o que ele quer apenas para agradá-lo. Espere o seu tempo — Murilo aconselhou com doçura. Senti uma vontade imensa de abraçá-lo naquele momento; eu realmente precisava daquilo e foi agoniante não poder tocá-lo.
"Queria muito te abraçar agora", digitei, sentindo uma ponta de tristeza.
“Eu também", digitou e me olhou com carinho.