Capítulo 8. Desculpas

610 Words
A festa avançou como uma maré crescente. Música, risadas, copos tilintando, luzes quentes refletindo no salão. O clima era leve exatamente como Esther sonhara. Sarah observava tudo à distância confortável, conversando com uma tia aqui, rindo com um primo ali, sempre atenta ao tempo, ao espaço, a si mesma. Quando a valsa dos noivos começou, o salão inteiro pareceu desacelerar. Esther e José ocuparam o centro da pista, os convidados abrindo espaço ao redor. Sarah assistia com um sorriso contido, braços cruzados, orgulhosa da irmã. Estava distraída emocionalmente aberta o suficiente para baixar a guarda. Foi quando sentiu a mão firme envolver a sua cintura. — Ei — a voz de Noah veio baixa, perto demais. — Vem. — Noah, eu… — começou, surpresa. Mas ele já a puxava suavemente para a pista, antes que ela pudesse organizar uma resposta racional. Alguns convidados riram, achando graça. Outros aplaudiram. Sarah percebeu tarde demais, resistir criaria uma cena. Então dançou. A música era lenta, clássica. Noah colocou uma mão na cintura dela com cuidado inesperado, a outra segurando a dela com firmeza respeitosa. Não havia brincadeira ali. Nem deboche. — Relaxa — ele murmurou. — Eu não piso mais no pé dos outros propositalmente.Evoluí. Ela soltou um riso breve, involuntário e se odiou um pouco por isso. — Isso não estava no combinado — disse, mantendo a postura correta. — Eu sei — respondeu ele. — Mas precisava. Eles giraram devagar, acompanhando o ritmo. O mundo ao redor parecia desfocado. Por alguns segundos, Noah ficou em silêncio. Diferente do habitual. Quando falou de novo, a voz veio mais baixa, sem ironia. — Sarah… eu... preciso te pedir desculpa. Ela sentiu o corpo enrijecer. — Não é necessário — respondeu, automática. — É sim — ele insistiu, parando o giro por um instante. — Pelo que eu fiz. Pelo que eu deixei os outros fazerem. E principalmente pelo apelido idiota...que foi culpa minha. O coração dela deu um salto desconfortável. — Noah… — Enferrujada..— ele disse, sem rir. — Eu era um babaca. Um adolescente inseguro tentando ser aceito às custas de alguém melhor que ele. Sarah sentiu o ar faltar por um segundo. Ele continuou: — Eu nunca achei você feia. Nunca. Eu te achava… diferente. Inteligente. Interessante pra caramba. Mas eu era covarde demais pra bancar isso. Ela desviou o olhar, piscando rápido. — Você não faz ideia do quanto aquilo me marcou — disse, baixa. — Eu imagino — ele respondeu. — E me arrependo por isso. Não espero nada em troca. Só que você saiba que eu sei que..fui i****a. A música seguiu. O salão inteiro parecia distante. Sarah respirou fundo. Aquela desculpa não apagava o passado. Mas algo nela algo antigo relaxou. Como um nó que finalmente afrouxava. — Obrigada — disse, com sinceridade. — Eu já me perdoei há muito tempo por me importar demais. Faltava… isso. Ele assentiu, aliviado. — Então estamos bem? — Estamos em paz — corrigiu ela. A música terminou. Palmas surgiram ao redor. Noah soltou a mão dela devagar, como se tivesse medo de quebrar algo frágil. — Obrigado por dançar comigo. — Foi… inesperado — ela respondeu. Sarah se afastou logo em seguida, caminhando em direção à mesa de bebidas. Precisava de espaço. De ar. De distância. Enquanto se afastava, sentia algo estranho no peito não dor, não saudade. Um tipo novo de leveza. Ela perdoara Noah. Mas perdoar não significava voltar. Significava fechar uma porta sem precisar trancá-la com raiva. E, enquanto pegava uma taça de água, Sarah teve certeza de uma coisa: Alguns amores não precisam ser retomados. Precisam apenas ser libertados. E ela, finalmente, tinha feito isso
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