Prólogo
Nas colinas verdejantes da Toscana, onde os vinhedos se estendiam como mantos sob o céu dourado e os sinos das igrejas ecoavam ao entardecer, erguiam-se castelos de pedra que guardavam segredos tão antigos quanto o tempo. Era uma época em que alianças se selavam com promessas e os destinos das mulheres eram traçados não por seus corações, mas por conveniências.
No solar da família De Santis, duas irmãs cresceram sob o mesmo teto, mas com almas moldadas por ventos distintos. Aurora, a primogênita, era dona de uma beleza que atraía olhares e de um espírito inquieto que ansiava por liberdade. Isabela, por sua vez, era a sombra delicada da irmã, serena e observadora, com olhos que enxergavam mais do que diziam.
Quando Aurora foi prometida em casamento ao Duque Lorenzo di Ravello, um homem de poder e nome respeitável, a notícia foi recebida com júbilo pela nobreza local. Era a união perfeita — ao menos aos olhos da sociedade. Mas o coração de Aurora já havia sido arrebatado por outro, e em um momento de descuido, rendida à paixão, foi flagrada em um beijo proibido que ameaçaria manchar para sempre o nome de sua casa.
Temendo a desonra, seus pais tomaram uma decisão desesperada: esconder a verdade e oferecer Isabela em seu lugar. O duque, humilhado e furioso, aceitou a troca por honra e orgulho — jamais por amor.
No entanto, o destino, sempre atento aos caprichos do coração, começa a tecer uma história onde o amor surgirá onde menos se esperava. E onde a dor de um sacrifício poderá florescer em algo maior do que qualquer um imaginou.
Pois esta não é apenas a história de um escândalo ou de um casamento forçado. É a história de duas irmãs, de segredos murmurados entre cortinas de veludo, de castelos que escondem paixões e, acima de tudo, de um amor que nasce quando tudo parecia perdido.