Capítulo 2 – O Silêncio de Isabela
O véu repousava sobre a cadeira como uma promessa que não lhe pertencia. As costuras delicadas de renda pareciam pesadas em suas mãos finas, como se carregassem o peso de uma escolha que não fora dela. Isabela encarava o reflexo no espelho: um rosto calmo, porém estrangeiro. Era ela, e ao mesmo tempo, não era.
A criada ajustava os últimos detalhes do vestido de noiva, murmurando elogios sobre a beleza da jovem. Isabela apenas sorria com gentileza, mas por dentro, sentia-se como uma atriz prestes a entrar no palco para interpretar o papel mais difícil de sua vida.
"Prometida ao duque", diziam agora os convites. Mas era uma mentira cuidadosamente escrita, enfeitada com laços de cetim e selada com o brasão da família De Santis.
Na noite anterior, Aurora a procurara em lágrimas.
— Eu não posso, Isabela. Eu o amo. E ele... ele me faz sentir viva.
Isabela, com os olhos marejados, segurou as mãos da irmã.
— Eu sei, minha irmã. E é por isso que farei isso por você.
Ela sempre soube amar em silêncio. Amava sua família, amava sua terra, e em segredo — mesmo que não ousasse admitir — talvez já tivesse começado a amar o duque Lorenzo, de quem ouvira tanto falar, e que observara de longe em uma visita passada, com olhos curiosos, nunca invejosos.
Agora, seria dele. Não por escolha, mas por dever. E Isabela carregaria esse fardo com a mesma graça com que carregava tudo o que a vida lhe impunha.
— Está pronta, senhora? — perguntou a criada, com um sorrisinho terno.
Isabela respirou fundo. Sim, ela estava pronta. Pronta para deixar de ser a sombra da irmã e se tornar esposa de um homem que talvez jamais a perdoasse por não ser quem ele esperava. Mas também sabia que havia algo em sua calma silenciosa que poderia, quem sabe um dia, alcançar o coração ferido daquele duque.
Com passos firmes, caminhou até a porta.
O destino a aguardava no altar.