capítulo 8 - A tempestade e o fogo

488 Words
Capítulo 8 – A Tempestade e o Fogo Dois dias após o baile, o castelo ainda comentava sobre a duquesa. Havia quem dissesse que ela agora comandava Ravello com o olhar, que havia domado o duque com sorrisos e postura. E Lorenzo ouvia — em silêncio, mas com a alma em chamas. Ele não admitia, mas Isabela já morava em seus pensamentos. No entanto, cada vez que percebia isso, tentava agarrar-se ao que conhecia: o controle, a autoridade, o domínio. Era assim que sobrevivia. Era assim que mantinha o mundo à sua maneira. Então, quando a viu passeando pelos estábulos, rindo com o tratador enquanto acariciava um dos cavalos mais ariscos da casa — aquele que ninguém conseguia aproximar — algo em Lorenzo explodiu. Não era o tratador. Não era ciúme. Era o fato de que ela estava à vontade. Livre. Como se o castelo fosse dela. Como se ela não precisasse dele para existir ali. Naquela noite, invadiu os aposentos dela sem bater. — O que pensa que está fazendo? Isabela, diante do espelho, ergueu os olhos com calma. — Retirando as joias. O colar estava apertando meu pescoço, veja só — disse, sarcástica, e virou-se para ele. — Falo do seu comportamento! Rindo com criados, passando tempo onde não lhe cabe! Há protocolos, Isabela! Ela cruzou os braços, firme. — Protocolos ou regras suas, feitas para manter o mundo girando ao seu redor? — Você é minha esposa! Há uma imagem a zelar! — E eu sou uma mulher, Lorenzo! Não um troféu que você pode esconder numa prateleira! O silêncio entre os dois foi cortante. Ele se aproximou, os olhos intensos, o maxilar travado. — Você me provoca. — Porque não sou como as outras? Porque não me curvo? — ela rebateu, sem recuar um passo. — Você não sabe o que fazer comigo. E isso te assusta. As palavras caíram como aço quente. Num impulso, ele a puxou pela cintura, os olhos cravados nos dela. — Você me enlouquece. — Então pare de lutar — sussurrou ela, os lábios tão próximos que ele sentia o calor da respiração. E ele parou. Parou de fingir, de resistir, de controlar. O beijo veio como tempestade — denso, urgente, cheio de raiva e desejo. Eles se agarraram como se quisessem ferir e curar ao mesmo tempo. Ele a deitou na cama com pressa, as mãos correndo por sua pele como se quisesse gravar cada traço. Ela retribuiu com igual intensidade, puxando-o, guiando-o, dominando-o por dentro. Não foi uma noite de amor. Foi uma noite de fogo. Mas no meio do calor, havia algo mais. Um olhar que durava um segundo a mais. Um toque que demorava a se soltar. E quando, exaustos, ficaram lado a lado, os dedos ainda entrelaçados, sabiam — sem dizer — que aquela batalha os unia mais do que qualquer aliança. Ela não seria dele por imposição. Mas talvez… ele já fosse dela.
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