Capítulo 7 – O Baile das Máscaras Quebradas
O salão principal do castelo di Ravello estava iluminado por centenas de velas suspensas. Os lustres reluziam como constelações aprisionadas, refletindo nas taças de cristal e nos olhos atentos da nobreza reunida. Era o primeiro baile desde o casamento do duque, e todos vinham não apenas para celebrar — mas para observar.
Isabela sabia disso. Estava ciente de cada olhar que pousava sobre ela com curiosidade, expectativa... e julgamento.
Mas ao contrário do que esperavam, ela não se encolheu. Vestia um traje de veludo vinho, com detalhes bordados à mão e um decote elegante. Os cabelos estavam presos com pérolas, e o sorriso, mesmo discreto, era seguro. Sabia que era bela — mas agora também sabia que era respeitada.
E isso o duque percebeu de longe.
Lorenzo a observava enquanto conversava com um conde recém-chegado da Sicília — um homem jovem, eloquente, visivelmente encantado. O conde ria com facilidade, e Isabela, gentil, ria também.
A mandíbula do duque endureceu. Seu copo de vinho permaneceu intocado.
Ela não estava flertando. Sabia disso. Mas ainda assim... aquele brilho nos olhos dela, aquele riso suave... ele queria aquilo só para si.
— Ele fala demais — murmurou Lorenzo ao marquês ao seu lado, com desdém.
— Quem? O conde de Salermo? — perguntou o outro, surpreso.
— Todos os homens que olham para minha esposa como se ela fosse... deles.
O marquês riu, mas Lorenzo não.
Logo depois, cruzou o salão com passos precisos. A multidão se abriu naturalmente para ele. Quando se aproximou do casal, o conde fez uma reverência respeitosa.
— Duque, sua esposa é encantadora. Devo confessar que Ravello nunca esteve tão iluminada quanto esta noite.
Lorenzo sorriu, mas seus olhos eram lâminas.
— Encantadora ela é. Mas a luz... vem de quem sabe admirá-la sem tentar tocá-la.
Isabela sentiu o gelo na voz dele. Sabia que era ciúme. Mas também sabia que ali estava a brecha. Ele se importava. Muito mais do que dizia.
— Está com ciúmes, Excelência? — murmurou ela, quando ficaram a sós, enquanto ele a conduzia de volta para o centro do salão.
— Não — respondeu rápido demais. — Apenas ciente de que o que é meu, é meu.
Ela sorriu de canto. — Eu sou sua por dever, mas me manter perto é mérito. E esse... não se conquista com ameaças silenciosas.
A música começou. Ele a puxou para a dança.
E naquele giro, com as mãos firmes em sua cintura, o olhar dele se perdeu nos lábios dela — e ali, pela primeira vez, Lorenzo soube o que era medo: não o de perdê-la para outro... mas o de nunca tê-la por completo.
Porque Isabela... era uma mulher que não se deixava possuir. Ela se deixava conquistar. Um pouco a cada noite.
E ele, o duque de Ravello, estava perdidamente mergulhado nessa guerra.