capítulo 6 - Domínio Sutil

371 Words
Capítulo 6 – O Domínio Sutil O castelo acordou no dia seguinte como sempre — o som dos sinos, os criados andando apressados pelos corredores, o perfume do pão fresco invadindo os salões. Mas dentro do duque, nada estava igual. Lorenzo passou a manhã inteira sem conseguir se concentrar nos papéis de negócios sobre a mesa. A caneta tremia em sua mão, o olhar perdido nas cortinas que balançavam ao vento. A lembrança da noite anterior voltava como um golpe no estômago — não apenas pelo prazer, mas pelo que aquilo provocou dentro dele. Algo que nunca sentira antes. Ela se entregou. Mas não se dobrou. Ela o quis, mas não o idolatrava. Isso o desconcertava. A forma como Isabela se movia com elegância pelos corredores, a maneira como conversava com os criados com uma educação natural, sem precisar exibir poder. Havia uma espécie de autoridade tranquila nela. Sem esforço. Sem pretexto. E isso o fazia querer observá-la o tempo todo, ainda que se obrigasse a fingir o contrário. Quando a encontrou mais tarde no jardim, sentada sob uma parreira lendo, fingiu indiferença. — Dormiu bem, duquesa? — perguntou, a voz neutra. Ela ergueu os olhos devagar, os lábios com um leve sorriso enigmático. — Muito bem. E o senhor? Ele a encarou, tentando encontrar algo que quebrasse aquele domínio calmo. — Inquieto. Isabela fechou o livro devagar. — A inquietude, às vezes, é um sinal de que algo está mudando. Ele se aproximou, os olhos fixos nos dela. — E você, Isabela... está mudando? — Talvez. — Ela se levantou, ajeitando o vestido. — Mas não por medo. E sim porque estou aprendendo a viver onde não escolhi estar. Lorenzo sentiu um arrepio. Aquela mulher não precisava gritar para ser poderosa. E isso o tirava do eixo. Naquela noite, ele foi até seus aposentos. Bateu, entrou... e não a tocou. Ficou ali apenas olhando-a se pentear diante do espelho, observando o reflexo dela. Uma bruxa sutil, pensou. Feita de silêncio, força e doçura. Ela não disse nada, apenas sorriu levemente ao vê-lo, como se já soubesse que ele voltaria. E ele sabia, com um incômodo crescente, que voltaria muitas vezes. Porque começava a não suportar a ideia de não vê-la.
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