Capítulo 5 – Noite de Silêncios Ardentes
Havia algo diferente no ar naquela noite. Uma brisa quente atravessava os corredores do castelo, e a lua cheia, altiva no céu, derramava sua luz prateada sobre os jardins e os vitrais, como se anunciasse que algo, enfim, se romperia.
Isabela estava em seus aposentos, os cabelos soltos caindo sobre os ombros, o robe de seda escorrendo pelo corpo como água. Tentava ler um dos livros antigos da biblioteca, mas não absorvia uma só palavra. Desde o jantar, algo pairava entre ela e o duque — um olhar a mais, um silêncio mais denso, como se o ar entre eles queimasse por dentro.
A batida na porta foi firme. Ela sabia quem era antes mesmo de se levantar. Não hesitou.
Ao abrir, encontrou Lorenzo à sua frente, sem o peso das vestes formais, os cabelos um pouco desordenados e os olhos... diferentes. Não havia frieza. Havia fome.
— Preciso falar com você — disse ele, mas não entrou de imediato.
Isabela se afastou em silêncio, um gesto mudo de permissão. Quando ele cruzou a porta e ela a fechou, algo entre os dois mudou. O silêncio não era mais formalidade. Era antecipação.
— Estou cansado desse jogo — murmurou ele, aproximando-se. — De fingir que essa distância é natural.
— Não sou eu quem joga, Excelência — disse ela, a voz baixa, mas firme.
— Então me diga que não me deseja — desafiou, agora a centímetros dela.
Isabela sustentou o olhar. — E você, consegue dizer isso?
A pergunta caiu como faísca no feno. No segundo seguinte, os lábios dele estavam nos dela — não com delicadeza, mas com urgência. Ela retribuiu. As mãos dele encontraram sua cintura, puxando-a com força, enquanto ela deslizava os dedos por sua nuca, sentindo o calor da pele, o cheiro amadeirado, o gosto do vinho ainda em sua boca.
Foi uma entrega silenciosa, sem promessas, sem palavras. Apenas os corpos falando o que a boca não ousava dizer. Ela se deixou levar, e ele se perdeu nela. A delicadeza dela escondia fogo, e Lorenzo descobriu isso entre os lençóis. Isabela, por sua vez, viu o controle do duque se desfazer diante do desejo que ele não conseguia conter.
Horas depois, deitados lado a lado, o silêncio voltou. Mas agora era outro — mais pesado, mais íntimo. Ele não tocou nela outra vez, apenas ficou ali, ouvindo sua respiração desacelerar. E Isabela, com os olhos abertos, sabia que algo havia mudado.
Eles haviam se provado. E gostaram.
Mesmo que jamais dissessem isso um ao outro