Capítulo 9 — Sob os olhos da corte
O sol filtrava-se por entre os vitrais do grande salão, tingindo o mármore com cores suaves, em contraste gritante com a tormenta que Isabela sentia no peito. As criadas haviam-lhe trançado os cabelos com fitas douradas, e o vestido de veludo vinho marcava sua cintura com uma precisão quase c***l — como se quisesse lembrá-la de cada limite que havia cruzado na noite anterior.
O duque estava ali, alguns passos adiante, cercado por nobres que riam alto, brindavam e fingiam não notar a tensão pairando no ar. Mas os olhos dele… aqueles olhos encontraram os dela com uma intensidade que a fez perder o fôlego por um instante. Não havia sorrisos naquela troca de olhares, apenas algo bruto, voraz, silenciosamente possessivo.
Isabela desviou o olhar, sentindo o calor subir pelo pescoço. A simples lembrança de seus lábios roçando os dela, do toque de suas mãos, ainda ardia em sua pele. E agora, ali diante de todos, ela precisava fingir que nada havia mudado — que ainda era apenas a noiva trocada, a sombra de uma irmã que desaparecera no momento mais conveniente.
— Vossa Graça — cumprimentou ela com um meneio leve de cabeça, mantendo a compostura.
Ele inclinou-se diante dela com uma reverência formal, mas seus olhos não a deixaram por um segundo.
— Dona Isabela, resplandece como o próprio verão. A corte agradece por sua presença — disse ele, com voz baixa o suficiente para que só ela ouvisse. Mas havia algo naquele tom… algo que parecia uma promessa.
Ela apertou o leque nas mãos, sentindo os dedos tremerem. O salão girava em falso por um instante. Precisava manter a razão, precisava…
Mas então uma dama ao lado do duque tocou-lhe o braço, sussurrando algo ao seu ouvido com um sorriso insinuante. Isabela não escutou o que foi dito, mas viu a forma como a mulher se inclinava, íntima demais, segura demais de sua posição.
Foi o bastante para que algo se acendesse dentro dela.
— Vossa Graça parece ter muitos motivos para sorrir esta manhã — disse Isabela, com frieza calculada, o tom mais cortante do que ela permitia normalmente.
O duque virou-se lentamente para ela, como quem saboreia um desafio.
— Talvez. Ou talvez eu sorria apenas por tê-la aqui, diante de mim.
O silêncio entre eles era uma corda esticada. Um jogo de guerra em meio às sedas e sorrisos da nobreza.
E o coração dela — t**o, ingênuo, traiçoeiro — batia como se pedisse por mais.